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Infraestrutura Comunitária

9ª Oficina Eletricistas do Sol treina indígenas para manutenção de sistemas de energia solar para bombeamento de água em aldeias 

Divisor de seção

Formação reuniu 26 participantes, entre Agentes Indígenas de Saneamento, operadores de sistemas de abastecimento de água e representantes do DSEI Guamá Tocantins

Poços perfurados não garantem abastecimento em comunidades e aldeias da Amazônia. Vencer o desafio da falta do acesso à água potável requer também o acesso à energia. Pensando nisso, o Projeto Saúde e Alegria (PSA) realizou, entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, a 9ª edição do Eletricistas do Sol Indígenas, formação voltada ao uso, à operação e à manutenção de sistemas de energia solar instalados em comunidades e aldeias da Amazônia. Ao todo, participaram 26 pessoas, entre 12 Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), profissionais ligados ao DSEI Guamá Tocantins, operadores de sistemas de abastecimento de água e uma representante da organização Litro de Luz. A atividade contou com o apoio da Fundação Moot.

Realizada pelo Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, a formação combinou conteúdos teóricos e atividades práticas sobre o funcionamento dos sistemas fotovoltaicos, utilização de multímetro, instalação e manutenção de componentes, troca de baterias, inversores, controladores, disjuntores e dispositivos de proteção. Nesta edição, o bombeamento de água alimentado por energia solar integrou as atividades, permitindo que os participantes acompanhassem e executassem a instalação e o funcionamento de um sistema completo.

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Participantes durante atividade prática da 9ª edição do Eletricistas do Sol.

A formação parte de uma necessidade presente no cotidiano das comunidades e aldeias onde os sistemas estão instalados. Luísa Ferreira, técnica de campo do PSA, destacou que quando ocorre algum problema nos equipamentos, muitas vezes é necessário acionar profissionais que estão em Santarém ou em outras cidades, o que pode prolongar o tempo para solucionar situações que poderiam ser resolvidas localmente. “Quando dá algum defeito nos equipamentos, eles chamam o técnico de Santarém e isso demora dois, três dias, dependendo de cada localidade, porque eles não têm essa formação dentro das aldeias”, explica.

A proposta do curso é ampliar a capacidade das próprias comunidades para identificar problemas e realizar procedimentos básicos de manutenção. Durante a formação, os participantes aprenderam, entre outros conteúdos, a utilizar o multímetro e a realizar procedimentos como a troca de baterias e inversores. “A gente chama eles aqui para eles terem esse curso pelo menos o básico, de como usar um multímetro, como fazer a troca de uma bateria, de um inversor, fazer essas coisas simples, mas que são necessárias eles saberem no dia a dia do funcionamento do bombeamento solar”, conta Luísa.

O técnico de campo Mike Barreto, que também atua no programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, a formação busca criar condições para que os próprios moradores dos territórios assumam parte da operação dos sistemas instalados em suas comunidades. “Com essa oficina a gente espera levar uma formação mais técnica para as pessoas que são responsáveis por operar o sistema de energias off-grid que existe nas comunidades”, explica.

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Formação reuniu teoria e prática sobre energia solar e bombeamento de água.

O objetivo é permitir que os operadores tenham condições de realizar pequenos reparos e manutenções e identificar com maior precisão problemas que demandem assistência técnica. “A gente espera que os comunitários sejam capazes de fazer essas pequenas operações para dar manutenção nos sistemas sem necessidade de uma equipe técnica especializada vindo das cidades”, afirma.

A turma desta edição reuniu profissionais com diferentes funções nos territórios, entre eles AISANs, integrantes do DSEI Guamá Tocantins e representantes de comunidades quilombolas de Oriximiná. A diversidade de experiências também fez parte da metodologia da formação, aproximando o conhecimento técnico dos instrutores da experiência daqueles que lidam diariamente com os sistemas de abastecimento de água e energia em suas comunidades.

Entre os participantes esteve Pytãwa Warhyti Soares dos Santos Tembé, apoiador técnico de saneamento do DSEI Guamá Tocantins. A participação do distrito surgiu a partir de uma demanda do Polo Base Santarém, que passou a contar com AISANs responsáveis por acompanhar sistemas fotovoltaicos utilizados no abastecimento de água. “Quando a gente contratou a primeira equipe de AISAN, os primeiros AISANs do Polo Base Santarém, a gente foi muito cobrado pelas capacitações de como operar o sistema fotovoltaico para abastecimento de água, que era novo para a gente”, relata.

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Participantes aprendem a instalar e realizar a manutenção de sistemas fotovoltaicos.

Pytãwa explicou que a expectativa é que os profissionais formados tenham uma compreensão inicial do funcionamento dos equipamentos e possam reconhecer situações que exigem manutenção especializada. “A ideia é que eles tenham uma noção mínima de como operar o sistema de abastecimento de água, para que, se eles não conseguirem resolver naquele momento, possam solicitar o serviço, mas já com uma breve noção do que é o problema”.

A experiência também pode ser incorporada pelo DSEI em outras regiões. Como os sistemas fotovoltaicos são uma alternativa utilizada para o abastecimento de água em locais onde o acesso à rede elétrica convencional é limitado, a formação dos profissionais que atuam diretamente nos territórios pode contribuir para a operação desses equipamentos à medida que novas estruturas sejam implantadas. “A gente, enquanto gestão no DSEI, pode levar esse conhecimento para nossas outras regiões, porque futuramente a ideia é implantar os sistemas fotovoltaicos para abastecimento de água em outras regiões, em outros polos base, em outras etnias”, acrescenta Pytãwa.

Para quem participou da oficina, o principal resultado foi a possibilidade de levar o conhecimento adquirido de volta para as comunidades. Rogério Evangelista, da comunidade quilombola Água Fria, em Oriximiná, chegou à formação sem experiência anterior com painéis solares. A comunidade passou a contar com um sistema de abastecimento de água implantado a partir de uma parceria que envolveu o Projeto Saúde e Alegria e a ARCAM, criando também a necessidade de pessoas no próprio território capazes de acompanhar o funcionamento dos equipamentos.

“Uma coisa que eu não tinha, nunca mexi na minha vida com painel solar. Mas graças a Deus aqui eu tive essa oportunidade”, conta Rogério. Ao longo dos cinco dias, ele participou das atividades práticas e afirma que pretende aplicar o conhecimento aprendido no próprio quilombo. “Foi muito produtivo esses cinco dias de aprendizado. Coisa que eu não sabia, agora sei o básico. Vou levar para meu território, praticar.”

Emerson da Silva, técnico de saneamento do Polo Base Santarém e integrante do povo Ayan, participou pela primeira vez do Eletricistas do Sol. Para ele, a combinação entre conteúdo teórico e prática permitiu compreender melhor equipamentos que fazem parte da infraestrutura de abastecimento de água das comunidades. “O prático é mais aprendizado ainda”.

A metodologia da formação combina aulas teóricas com a montagem e operação dos equipamentos. Os participantes foram organizados em grupos para trabalhar diretamente com controladores, inversores, baterias e outros componentes, construindo e testando sistemas isolados de geração de energia.

Silvaney Rodrigues, técnico de campo do PSA e um dos facilitadores da formação, explica que a experiência acumulada nas diferentes edições do Eletricistas do Sol permitiu incorporar novas demandas e tecnologias ao conteúdo trabalhado. “Cada curso que nós realizamos, a gente percebe diferença. O tema energia solar, energia renovável e as metodologias que utilizamos, que são voltadas muito para a questão teórica e principalmente prática, causam motivação e interesse nos participantes”.

Nesta nona edição, o bombeamento de água foi um dos principais elementos incorporados às atividades práticas. Os participantes puderam montar e operar um sistema de bombeamento solar, relacionando os conteúdos trabalhados em sala com os equipamentos encontrados em suas comunidades. “Trouxemos também o sistema de bombeamento de água, que foi a novidade desse curso. Muita gente esperava e nós trabalhamos com eles aqui na prática, instalando um bombeamento, uma bomba solar”.

A atividade também permitiu aproximar o conhecimento técnico dos instrutores da experiência dos próprios participantes, que já trabalham diariamente com sistemas de abastecimento de água. “O curso somou. O diferencial foi juntar tudo isso que eles fazem nas comunidades e a nossa metodologia, teoria e prática, e toda a estrutura que nós utilizamos, que são os nossos equipamentos para fazer uma atividade prática”, explica.

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Participantes realizam a montagem de um sistema fotovoltaico. Fotos: Henrique Pimentel.

A atualização dos conteúdos acompanha também a evolução dos equipamentos utilizados nos sistemas fotovoltaicos. Silvaney destaca que componentes como controladores de carga MPPT e diferentes modelos de inversores exigem que a formação seja constantemente revisada. “A gente precisa acompanhar o avanço dos nossos equipamentos nesse campo da energia solar, tanto para bombeamento de água, quanto para sistemas isolados e sistemas de energia solar híbridos”, afirma.

O técnico em energia solar Gervásio Costa, que também atuou como instrutor, acompanhou os participantes durante as atividades práticas. Para ele, a formação possibilitou que pessoas que chegaram sem conhecimento sobre determinados componentes terminassem a semana tendo participado diretamente da instalação de um sistema. “Eles estão mais preparados para operar o sistema. Já estão entendendo como funciona a energia solar e como fazer a instalação”, explica.

Durante as atividades, os participantes aprenderam procedimentos relacionados à instalação de painéis solares, inversores, disjuntores e dispositivos de proteção. Mais do que acompanhar demonstrações, eles participaram da montagem dos sistemas. “Eles tiveram conhecimento de tudo isso fazendo na prática, fazendo as instalações de cada kit. Eles saíram daqui com um kit funcionando e fazendo parte disso, porque fizeram a conexão e a instalação desse sistema”, afirma Gervásio.

A nona edição também contou com a participação de Taís Lima, supervisora de projetos do Litro de Luz Brasil. A presença da organização ocorreu a partir da articulação entre iniciativas que integram um grupo de trabalho relacionado à energia e às comunidades. O Litro de Luz também desenvolve formação de instaladores e participou da semana para conhecer a metodologia utilizada pelo PSA e trocar experiências sobre formação e atuação em campo. “Com essa troca de experiências, esse contato, a gente vai poder entender melhor qual é a metodologia que eles aplicam, como a gente pode melhorar e aperfeiçoar a nossa metodologia, bem como um tema que a gente não desenvolve, que é bombeamento de água. Então estou aqui para poder aprender e aprendi sobre esse tema”

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