Para o Projeto Saúde e Alegria, não basta construir soluções nos territórios. É preciso também estar presente onde políticas, prioridades e recursos públicos são definidos. Em um cenário de urgências climáticas e sociais, o PSA articula comunidades, organizações, governos, universidades e redes da sociedade civil para transformar experiências testadas na Amazônia em propostas concretas de políticas públicas.
Essa incidência parte da escuta e dos diagnósticos participativos realizados com as comunidades. Os aprendizados produzidos em campo são organizados como evidências, levados aos espaços de decisão e compartilhados com parceiros que podem adaptar as soluções a outros contextos. O objetivo não é reproduzir modelos prontos, mas contribuir para que direitos, tecnologias sociais e políticas públicas respondam às realidades dos povos e territórios amazônicos.
A crise climática já altera o acesso à água, à saúde, aos alimentos, à mobilidade e à permanência nos territórios amazônicos. Esta linha articula experiências locais, conhecimentos comunitários e evidências técnicas para que povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras populações tradicionais participem da construção das respostas climáticas.
Em 2025, a mobilização rumo à COP30 reuniu comunidades, lideranças, organizações e parceiros em ações como a caravana Navegando contra o fim do mundo e a Marcha pelo Clima. Mais do que levar demandas a eventos públicos, essas iniciativas afirmaram que as populações diretamente afetadas pela crise climática precisam participar das decisões sobre adaptação, financiamento e justiça climática. O PSA também apresentou tecnologias sociais ao Governo Federal e promoveu encontros entre territórios, gestores e pesquisadores.
Soluções desenvolvidas no Tapajós podem inspirar outros territórios quando seus princípios, aprendizados e métodos são compartilhados com organizações e governos locais. A expansão acontece por meio de cooperação técnica, formação, adaptação territorial e alianças institucionais, respeitando as condições e decisões de cada lugar.
A experiência das UBS da Floresta iniciou uma expansão-piloto para o arquipélago do Marajó, com apoio à qualificação de unidades em comunidades quilombolas de Salvaterra e articulações em Curralinho. O processo leva para outro território não uma estrutura pronta, mas uma metodologia que integra atenção primária, infraestrutura, energia, conectividade, formação das equipes e cuidado territorializado.
Criado para enfrentar as barreiras geográficas de acesso à saúde na bacia do Tapajós, o Abaré demonstrou que uma unidade fluvial poderia oferecer atenção primária regular e territorializada às comunidades ribeirinhas. Os resultados foram acompanhados pelo Ministério da Saúde e contribuíram para a criação, em 2010, da política de Saúde da Família Fluvial, incorporando ao SUS uma experiência desenvolvida na Amazônia.
Incidir em políticas públicas também exige estar presente nos espaços onde prioridades, normas e investimentos são debatidos. O PSA participa de conselhos, fóruns, coalizões e redes em diferentes escalas, conectando experiências construídas nos territórios a agendas nacionais e internacionais de clima, democracia, inclusão digital, energia, direitos e desenvolvimento sustentável. Essa atuação aproxima organizações comunitárias, poder público, universidades, financiadores e sociedade civil, contribuindo para que as decisões considerem a diversidade, a geografia e os modos de vida da Amazônia.
O PSA integra espaços como o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, o Observatório do Clima, a Conferência Brasileira de Mudanças Climáticas, o Grupo de Trabalho Amazônico e a Aliança pela Restauração da Amazônia. Também participa de redes voltadas à conectividade e à energia, como a Conexão Povos da Floresta e a Rede Energia e Comunidades, e de instâncias locais de controle social, entre elas conselhos de saúde, meio ambiente, direitos de crianças e adolescentes e os conselhos da Resex Tapajós-Arapiuns e da Flona do Tapajós. Em algumas dessas articulações, o PSA exerce funções de liderança, como na Coalizão Vozes do Tapajós Combatendo as Mudanças Climáticas, fortalecendo a presença de organizações comunitárias e indígenas nos debates sobre clima e futuro dos territórios.
Para sustentar uma atuação de longo prazo, é preciso fortalecer também as condições institucionais que dão continuidade ao trabalho. Isso envolve diversificar fontes de financiamento, ampliar alianças, qualificar a governança e construir mecanismos capazes de reduzir a dependência de projetos de curta duração.
A partir de doações livres recebidas nos últimos anos, o PSA vem consolidando um fundo patrimonial, também conhecido como endowment, destinado a fortalecer sua autonomia e estabilidade financeira no longo prazo. Esse tipo de fundo preserva o patrimônio e utiliza seus rendimentos para dar continuidade ao trabalho institucional. Os recursos são administrados com políticas de governança e controle, ampliando a capacidade do PSA de manter equipes, conhecimentos, relações territoriais e investimentos estratégicos entre diferentes ciclos de financiamento. Mais do que apoiar uma ação específica, o fundo contribui para que experiências construídas ao longo de décadas continuem respondendo aos desafios presentes e futuros da Amazônia.
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