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Acervo

Saberes construídos com os territórios da Amazônia
Divisor de seção
Elemento folhas verde e vermelha

Projetos que fizeram história

Ao longo de mais de quatro décadas, o Projeto Saúde e Alegria desenvolveu iniciativas que responderam a diferentes momentos, desafios e necessidades dos territórios. Algumas foram concluídas, outras deram origem a novas políticas, metodologias e frentes de atuação. Reunimos aqui projetos que deixaram aprendizados, redes e caminhos que continuam presentes na trajetória do PSA.

Rede Mocoronga de Comunicação Popular

Criada em 1987, a Rede Mocoronga de Comunicação foi uma experiência pioneira de comunicação comunitária na Amazônia. Muito antes da internet e das redes sociais, formou jovens do oeste do Pará para registrar e fazer circular notícias sobre o cotidiano, a cultura, os problemas, os saberes e as mobilizações de suas comunidades.

Desde os primeiros anos, a Rádio Mocoronga e as rádios-poste fizeram circular notícias entre as comunidades. Nos anos 1990, os grupos locais também produziram jornais impressos, com pequenas tiragens e circulação nos territórios. Na sede do PSA, o Jornal Mocorongo reunia matérias enviadas pelas diferentes sucursais. A experiência se ampliou com fotonovelas, histórias em quadrinhos, blogs e a TV Mocoronga, cuja produção audiovisual combinava informação, criatividade e humor. Cada sucursal tinha identidade própria e autonomia para escolher pautas e produzir seus conteúdos.

A Rede Mocoronga antecipou um princípio hoje central: o direito de povos e comunidades narrarem a si mesmos. Com a expansão da internet e das redes sociais, especialmente a partir da década de 2010, essa experiência assumiu novas formas, à medida que comunidades, organizações e moradores passaram a manter seus próprios canais. Seu legado segue vivo na formação de comunicadores e nas atuais ações de educomunicação e comunicação comunitária do PSA.

Acervo Rede Mocoronga
Rede Mocoronga: jovens repórteres formados para produção/difusão de mídias diversas
Campanha Com Saúde e ALEGRIA SEM CORONA

Quando a Covid-19 chegou à Amazônia, as distâncias, a fragilidade da infraestrutura de saúde e a vulnerabilidade de povos indígenas, ribeirinhos e outras populações tradicionais ampliaram os riscos da pandemia. Ainda no início de 2020, o Projeto Saúde e Alegria reorganizou suas equipes, remanejou recursos e articulou órgãos públicos, universidades, organizações comunitárias, movimentos sociais, empresas e doadores para responder à emergência.

A campanha combinou apoio ao sistema público de saúde, atendimento nos territórios, ajuda alimentar e comunicação preventiva. Até março de 2021, havia alcançado diretamente mais de 52 mil pessoas, em 18 municípios e dez territórios do oeste do Pará. Foram distribuídos mais de 21 mil kits de higiene e proteção, 6.106 cestas básicas, 1.250 cartões-alimentação, 75 mil máscaras cirúrgicas, 10.115 face shields e 18 mil cartilhas e cartazes educativos. A mobilização também entregou concentradores e cilindros de oxigênio, equipamentos de apoio à respiração, insumos para unidades de saúde e apoiou cinco rodadas de atendimento do barco-hospital Abaré.

A comunicação foi parte central da resposta. A campanha produziu 121 programas educativos de rádio, além de vídeos, cartilhas e conteúdos voltados às comunidades, ajudando a fazer circular informações confiáveis onde a internet e os serviços públicos tinham alcance limitado. Reconhecida pelo Prêmio Empreendedor Social do Ano, da Folha de S.Paulo, a iniciativa mostrou como o conhecimento dos territórios e a articulação entre diferentes setores podem salvar vidas em momentos de crise.

TEIA CABOCLA

A Teia Cabocla reuniu jovens de comunidades ribeirinhas, indígenas e tradicionais do oeste do Pará em uma rede de formação, mobilização e criação coletiva. Por meio de festivais, oficinas e encontros, os participantes discutiam direitos, território, cultura, questões de gênero, educação ambiental e políticas públicas, transformando essas reflexões em ações realizadas nas próprias comunidades.

A iniciativa alcançou 30 mil pessoas em 73 comunidades ribeirinhas e apoiou a organização de coletivos juvenis e projetos como rádios comunitárias, jornais escolares, cineclubes, hortas, festivais culturais e campanhas pelos direitos de crianças e adolescentes. A programação também incluía o MocoOscar, premiação que celebrava campanhas, roteiros e vídeos produzidos pelos jovens da Rede Mocoronga, valorizando a criatividade e a comunicação feita nos territórios.Cerca de dez grupos da Resex Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional do Tapajós integraram o Coletivo Jovem Tapajônico.

A Teia Cabocla mostrou que jovens dos territórios não eram apenas público das ações, mas sujeitos capazes de formular projetos, mobilizar suas comunidades e participar das decisões sobre o presente e o futuro da Amazônia.

PUBLICAÇÕES EM DESTAQUE

Este acervo reúne materiais que contam a história do PSA a partir de suas práticas em campo: saúde, educação, cultura, comunicação, gestão territorial, infraestrutura comunitária e economia da floresta. São registros de processos construídos com os territórios, que documentam não apenas o que foi realizado, mas também os modos de fazer, aprender, mapear, comunicar e fortalecer a vida comunitária na Amazônia.

Almanaque da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns

Entre mapas, fotografias, relatos comunitários e informações históricas e ambientais, o almanaque reúne um amplo retrato da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. A publicação recupera a luta popular que levou à criação da unidade de conservação, apresenta os rios, as florestas, a biodiversidade e os modos de vida de suas comunidades, além de abordar cultura, economia, serviços públicos, gestão territorial e desafios para o futuro. Produzido a partir de documentos técnicos, pesquisas e entrevistas com lideranças, preserva conhecimentos antes dispersos e fortalece a memória coletiva de um território construído e defendido por seus povos.

Mapa da área de atuação do Projeto Saúde e Alegria

Este mapa registra a extensão territorial e a diversidade das frentes de atuação do Projeto Saúde e Alegria no Oeste do Pará, articuladas principalmente ao longo dos rios Tapajós, Arapiuns e Amazonas. A representação situa comunidades, municípios, unidades de conservação, terras indígenas e projetos de assentamento agroextrativista, entre eles a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, a Floresta Nacional do Tapajós, a Terra Indígena Maró, o PAE Lago Grande e diferentes territórios de Juruti e da região do Mamuru. Também identifica iniciativas implantadas ou apoiadas pelo PSA, como saúde fluvial com o Abaré, acesso à internet, sistemas de água, rádios comunitárias, arranjos educativos locais, polos de artesanato e ecoturismo. Como documento de acervo, o mapa permite visualizar uma etapa da trajetória institucional em que saúde, educação, comunicação, infraestrutura comunitária e geração de renda já apareciam conectadas por uma mesma compreensão: na Amazônia, as ações precisam acompanhar a geografia dos rios, as distâncias e as formas próprias de organização de cada território.

Territórios de Aprendizagem: o saber comunitário dando sabor à escola

Publicado em 2015, este Guia de Apoio Pedagógico sistematiza a experiência do projeto Territórios de Aprendizagem, desenvolvido para aproximar o ensino formal da realidade sociocultural e ambiental das comunidades amazônicas. A proposta parte da compreensão de que a escola não se limita à sala de aula: rios, florestas, quintais, roçados, práticas culturais, memórias e conhecimentos transmitidos entre gerações também formam territórios de aprendizagem. Construído com professores, estudantes, lideranças e moradores de escolas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e do Eixo Forte, o guia apresenta metodologias de educação do campo, educação ambiental, educomunicação, arte-educação e mapeamento de saberes locais. Reúne ainda trilhas pedagógicas e atividades para os primeiros anos do Ensino Fundamental, mostrando como conhecimentos sobre pesca, mandioca, artesanato, música, plantas, animais, histórias e modos de vida podem dialogar com o currículo escolar. Ao valorizar o que as comunidades sabem e produzem, a publicação defende uma educação contextualizada, participativa e vinculada ao território, capaz de fortalecer a aprendizagem, a identidade cultural e o papel social da escola.

Mapeamentos participativos e Planos de Uso no Rio Arapiuns

Publicada em 2012, esta cartilha sistematiza a experiência de mapeamento participativo e elaboração de Planos de Uso realizada com as comunidades de Anã, Arimum, Atodi e Vila Amazonas, nas margens do rio Arapiuns. O trabalho partiu do conhecimento dos próprios moradores para registrar limites, caminhos, cursos d’água, áreas de moradia e produção, cobertura vegetal, locais de extrativismo, pesca, turismo e espaços destinados à preservação. Com imagens de satélite, levantamentos de campo, GPS e sucessivas reuniões comunitárias, os mapas foram construídos, discutidos e corrigidos coletivamente. A etapa seguinte transformou esse diagnóstico em Planos de Uso, com zoneamento, regras comunitárias e mecanismos de monitoramento definidos em assembleia. Mais do que produtos cartográficos, os mapas tornaram-se instrumentos de organização comunitária, gestão territorial, defesa contra a grilagem e o uso indevido dos bens da floresta, além de apoio ao planejamento de atividades econômicas e à formulação de políticas públicas mais ajustadas às realidades locais.

Nem cá nem lá: cartografias do desejo de jovens da Resex Tapajós-Arapiuns

Este estudo investiga os desejos, escolhas e incertezas de jovens de Suruacá, Solimões e Anã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, diante das tensões entre permanecer na comunidade e buscar estudo, trabalho e novas experiências nos centros urbanos. Realizada a partir de grupos focais, entrevistas, observação e desenhos produzidos pelos próprios participantes, a pesquisa constrói uma cartografia das expectativas juvenis sobre educação, profissão, mobilidade e futuro. Os relatos mostram que a cidade aparece como lugar de faculdade, emprego, acesso a serviços e possibilidades de mudança, enquanto as comunidades permanecem associadas à liberdade, aos vínculos familiares, à cultura e ao sentimento de pertencimento. Em vez de tratar esses jovens como divididos entre dois mundos opostos, o trabalho revela identidades em transformação, marcadas por deslocamentos, referências urbanas e forte compromisso com o lugar de origem. Muitos desejam sair para estudar e se qualificar, mas também retornar para contribuir com suas comunidades, melhorar escolas, saúde, comunicação e oportunidades locais. A publicação amplia a compreensão sobre a juventude amazônica como sujeito de desejo, escolha e projeto, evidenciando que permanecer no território também depende da existência de condições reais para estudar, trabalhar e construir uma vida digna.

Cartografias da memória

Ao longo de sua trajetória, o PSA apoiou processos de mapeamento participativo, cartografia social e produção de materiais comunitários que registram territórios, histórias, usos da floresta, lugares de memória, referências culturais e formas próprias de organização. Essas publicações nasceram do diálogo com comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e agroextrativistas, transformando conhecimento local em instrumentos de gestão territorial, defesa de direitos, combate à grilagem, regularização fundiária e fortalecimento da autonomia comunitária. Reunidas no acervo, elas preservam uma parte importante da memória institucional do PSA e mostram como mapear também pode ser um modo de proteger, lembrar e decidir sobre o futuro dos territórios.

Cartografias em Memórias

Série Prazer em Conhecer

A série Prazer em Conhecer reúne cartilhas construídas a partir de mapeamentos socioambientais participativos, visitas de campo, relatos orais e conhecimentos compartilhados pelos próprios moradores. Cada publicação apresenta uma comunidade por meio de sua localização, história, organização social, modos de vida, atividades produtivas, cultura, desafios e prioridades, transformando memórias antes dispersas em um registro acessível para escolas, movimentos sociais, instituições públicas e novas gerações. Mais do que descrever lugares, a coleção reconhece as comunidades como autoras do conhecimento sobre seus territórios e fortalece sua capacidade de participação, gestão e defesa da vida na floresta.

Maró e Aruã

RESEX TAPAJÓS-ARAPIUNS
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