O Abaré é uma experiência pioneira de saúde fluvial criada pelo Projeto Saúde e Alegria para aproximar atenção básica, prevenção e cuidado continuado de populações ribeirinhas da Amazônia. Seu nome significa “amigo que cuida”, em tupi, e traduz o sentido dessa iniciativa: levar o SUS mais perto de quem vive onde o rio é caminho, território e condição de vida. Mais do que uma embarcação, o Abaré se tornou um modelo de saúde territorializada. Sua experiência ajudou a mostrar que, quando o cuidado se adapta à geografia amazônica, é possível ampliar a cobertura do SUS em áreas remotas, qualificar o atendimento, melhorar drasticamente os indicadores de saúde e fortalecer os serviços públicos em áreas historicamente desassistidas.
O Abaré é uma unidade fluvial de atenção básica em saúde, criada para levar cuidado continuado a populações ribeirinhas em territórios onde o modelo convencional do SUS encontra mais dificuldade para chegar. Cada embarcação funciona como uma estrutura móvel de atendimento, com consultórios, farmácia, laboratório básico e equipe multiprofissional. Mais do que um barco, o Abaré articula cuidado, prevenção, educação em saúde e cidadania, adaptando a presença do SUS à realidade dos rios amazônicos.
O SUS tem como princípios a universalidade, a equidade, a descentralização e a participação social. Na Amazônia, transformar esses princípios em realidade sempre foi um desafio maior, por causa das longas distâncias e das comunidades dispersas. Foi diante dessa realidade, e a partir da experiência acumulada pelo PSA no Tapajós, que começou a ser construído um modelo de cuidado itinerante em saúde, adaptado aos rios e às formas de vida amazônicas.
Criado em 2006 no Tapajós, o Abaré mostrou que era possível reorganizar a atenção básica a partir do rio. Com 93% de resolutividade, e apenas 7 a cada 100 pacientes precisando ser encaminhados para centros urbanos, a experiência demonstrou que a universalidade da saúde pública, na Amazônia, depende de soluções construídas a partir da geografia dos territórios. Em 2010, ela inspirou o Programa Saúde da Família Fluvial, política pública que reconheceu as Unidades Básicas de Saúde Fluvial como resposta adequada ao cuidado em regiões ribeirinhas. O que começou como iniciativa pioneira no oeste do Pará ajudou a abrir caminho para uma política de saúde fluvial hoje presente em territórios da Amazônia e do Pantanal.
Abaré I entra em operação no Tapajós.
A experiência inspira política pública e nasce o Programa Saúde da Família Fluvial
Visita do então Princípe Charles, hoje rei Charles III, ao Abaré.
Abaré II amplia a saúde fluvial para a região do Arapiuns
Abaré I é doado à Ufopa e passa a atuar também como hospital-escola
Abaré II retoma atendimentos no Arapiuns após revitalização
O Abaré I começou a operar em 2006, atendendo cerca de 15 mil ribeirinhos de 72 comunidades nos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro, no oeste do Pará. Com 93% de resolutividade, a embarcação se tornou referência ao mostrar que era possível reorganizar a atenção básica a partir do rio, levando cuidado continuado, prevenção e presença regular do SUS a territórios historicamente isolados.
Em 2010, a experiência ajudou a inspirar a criação do Programa Saúde da Família Fluvial. Em 2017, o Abaré I foi doado à Universidade Federal do Oeste do Pará e passou a atuar também como hospital-escola, reunindo ensino, pesquisa e extensão, além de seguir operando como Unidade Básica de Saúde Fluvial.
O Abaré II foi adquirido pelo Projeto Saúde e Alegria em 2011 e repassado em comodato à Prefeitura de Santarém para ampliar o atendimento em saúde às comunidades ribeirinhas da região do Rio Arapiuns, atendendo mais de 2000 famílias. Como desdobramento da experiência inaugurada pelo Abaré I, a embarcação fortalece a presença da atenção básica em territórios de difícil acesso, onde o rio é caminho, distância e condição de vida.
Sua atuação reafirma a importância da saúde fluvial como resposta concreta às desigualdades de acesso na Amazônia. Ao levar cuidado continuado, prevenção e apoio ao SUS para comunidades do Arapiuns, o Abaré II amplia o alcance de um modelo de atenção territorializada construído a partir da realidade amazônica.
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