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Abastecimento comunitário

Tecnologias sociais desenhadas com os territórios para garantir direitos, autonomia e adaptação climática na Amazônia
Divisor de seção

Água segura começa no território

Em comunidades onde a rede pública não chega, são os moradores e suas organizações que conhecem as fontes de água, as distâncias e os ciclos de cheia e seca. Garantir água segura começa pela escuta desse conhecimento e pela construção conjunta das soluções.

A fonte pode ser um poço, a chuva, um rio ou igarapé. O sistema pode ser familiar ou coletivo, conforme o número de famílias, a qualidade da água, o acesso à energia e as condições de cada território.

O Projeto Saúde e Alegria atua em parceria com comunidades ribeirinhas, extrativistas e povos indígenas na escolha, implantação e gestão das tecnologias. As ações já alcançaram áreas como a Resex Tapajós-Arapiuns, a Flona do Tapajós, os territórios Munduruku do Alto Tapajós e o Marajó.

As soluções incluem captação de água da chuva, poços, reservatórios, bombeamento solar e redes de distribuição. Desde 2017, o PSA também atua no Programa Cisternas, apoiando associações locais na implantação e manutenção de tecnologias sociais adaptadas à Amazônia.

Como funciona

O gráfico apresenta um dos modelos de abastecimento comunitário com bombeamento híbrido apoiados pelo PSA. Os módulos fotovoltaicos captam a energia do sol, e o inversor de frequência a converte e regula para movimentar a bomba submersa instalada no poço. A água é elevada até uma caixa sobre estrutura alta e, de lá, segue pela rede de distribuição até as moradias, aproveitando a gravidade.

Quando a energia solar não é suficiente, uma chave de transferência permite acionar o gerador a diesel como fonte complementar. O sistema híbrido mantém o abastecimento em períodos de pouca incidência solar ou diante de necessidades excepcionais, ao mesmo tempo que reduz o consumo de combustível, os custos e a dependência contínua do gerador.

A caixa elevada também cumpre uma função importante: armazena água e ajuda a manter a pressão da rede mesmo quando a bomba não está funcionando. Poço, bombeamento, reservatório e distribuição formam um único sistema, dimensionado de acordo com o território e acompanhado de formação para operação, pequenos reparos e gestão comunitária.

Módulos solares fotovoltaicos
O desenho representa uma das configurações possíveis. A fonte de água, a capacidade dos reservatórios, a forma de bombeamento e a extensão da rede variam conforme as condições e as decisões de cada comunidade.
A autogestão começa antes da obra: mobilização, mapeamento, mutirão e formação preparam a comunidade para participar da implantação, definir regras de uso e assumir a gestão coletiva do sistema de água.
Gestão comunitária da água

A implantação de uma tecnologia social começa antes da construção. Nas ações do Programa Cisternas e do PSA, a comunidade participa do diagnóstico, do mapeamento, da definição da solução e da divisão de responsabilidades. Os moradores colaboram nos mutirões e acompanham a execução, enquanto o PSA oferece assessoria técnica, articula parceiros, mobiliza recursos, adquire equipamentos e apoia a formação local.

Depois da inauguração, a continuidade do sistema depende de regras construídas coletivamente, uma comissão da água e pessoas capacitadas para administrar, operar e acompanhar a manutenção. A autogestão não substitui a responsabilidade do poder público: fortalece a organização comunitária para cuidar da infraestrutura, identificar problemas, prestar contas e reivindicar apoio para que a água continue chegando com segurança às famílias.

Programa Cisternas na Resex Tapajós-Arapiuns

Na Resex Tapajós-Arapiuns, onde o Projeto Saúde e Alegria atua há mais de 30 anos, a organização já apoiou a implantação de 19 sistemas comunitários de abastecimento.

Uma nova etapa do Programa Cisternas amplia essa atuação por meio de tecnologias familiares e coletivas adaptadas às condições de cada comunidade. A iniciativa prevê 745 tecnologias sociais em até 28 comunidades, com alcance estimado de cerca de 3 mil pessoas.

O projeto também se articula ao Fomento Rural, destinado a 224 famílias, e inclui investimentos complementares, como perfuração de poços e implantação de sistemas de bombeamento movidos a energia solar. A execução ocorre em parceria com organizações comunitárias e instituições atuantes no território.

Moradores, lideranças comunitárias e equipes parceiras durante atividade de mobilização do Programa Cisternas na Resex Tapajós-Arapiuns.

Diário de Bordo

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