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Economia da floresta

Cadeias de valor da sociobiodiversidade para economias comunitárias da floresta
Divisor de seção

Como entendemos a Economia da Floresta

Na Amazônia, manter a floresta em pé também exige enfrentar a economia predatória que pressiona territórios, empobrece comunidades, reduz a biodiversidade e acelera a crise climática. No Oeste do Pará, povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e extrativistas protegem áreas estratégicas para a vida, a segurança alimentar e o equilíbrio climático, mas ainda enfrentam desafios estruturais para transformar esse cuidado em autonomia econômica.

Produtos da floresta muitas vezes saem dos territórios com baixo valor agregado, pouca rastreabilidade e limitada inserção em cadeias de valor. A logística difícil, a falta de infraestrutura para armazenamento e processamento, as barreiras de acesso a crédito e a fragilidade de gestão em cooperativas e associações reduzem a capacidade dos negócios comunitários competirem com modelos predatórios de uso da terra.

A Economia da Floresta atua para fortalecer cadeias de valor da sociobiodiversidade, restauração produtiva, agroextrativismo, formação, processamento local e comercialização dos produtos da floresta. Ao conectar saberes locais, organização comunitária, assistência técnica, ciência, mercado e políticas públicas, a área apoia sistemas produtivos capazes de gerar renda, conservar a biodiversidade, valorizar modos de vida e criar alternativas concretas ao desmatamento, ao garimpo ilegal e à exploração predatória.

Essa abordagem combina geração de renda, rastreabilidade, acesso a mercados justos, fortalecimento organizativo, protagonismo de mulheres e jovens, restauração florestal, resiliência climática e conservação da biodiversidade. Trata-se de uma estratégia territorial para que quem cuida da floresta possa permanecer, produzir e decidir sobre seu próprio futuro.

Restauração Produtiva e Agroextrativismo

Para assessorar negócios da sociobioeconomia, o PSA apoia cooperativas, associações, grupos comunitários e empreendimentos coletivos com qualificação administrativa, organização produtiva, agregação de valor, acesso a crédito e conexões comerciais. Essa frente fortalece cadeias de valor da floresta com mais transparência, melhora a capacidade de negociação das comunidades e amplia a renda que permanece nos territórios.

Sistemas Agroflorestais

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) recuperam áreas degradadas ao combinar árvores, cultivos agrícolas e espécies frutíferas, unindo restauração florestal, segurança alimentar, diversificação produtiva e geração de renda. Em 2025, o PSA apoiou 7 viveiros coletivos em 3 territórios, envolvendo 10 comunidades, 3 aldeias e mais de 70 famílias; produziu 10.216 mudas florestais e frutíferas; implantou 32 hectares de SAFs; preparou 11 hectares para o ciclo seguinte; e realizou 201 visitas de assistência técnica.

Em Tomé-Açu, produtores do Tapajós conheceram uma experiência de referência em sistemas agroflorestais, onde a pitaya cresce integrada a outras culturas. O intercâmbio aproximou práticas bem-sucedidas de manejo de quem está implantando SAFs para diversificar a produção, gerar renda e manter a floresta em pé.
Nos canteiros de secagem instalados pelo PSA, as sementes de andiroba ficam protegidas da chuva e são revolvidas pelas próprias comunidades antes do transporte. O cuidado evita fermentação e mofo, reduz a degradação da matéria-prima e permite produzir um óleo de melhor qualidade e menor acidez.
Manejo de Produtos Florestais Não Madeireiros

O manejo de produtos florestais não madeireiros (PFNM) fortalece cadeias de valor da sociobiodiversidade como andiroba, copaíba, borracha, cumaru, polpas de frutas e sementes florestais, conectando saberes extrativistas, boas práticas de coleta, rastreabilidade, processamento e comercialização. Em 2025, o PSA apoiou 3 oficinas de identificação botânica, 1 oficina de escalada em árvores e 2 oficinas de boas práticas de manejo e extração de óleo de copaíba, além da estruturação da Rede de Sementes da Flona Tapajós, com 59 coletores ativos em 15 aldeias e comunidades.

Meliponicultura

A meliponicultura fortalece uma cadeia de valor da sociobiodiversidade que une geração de renda, conservação da biodiversidade, polinização, segurança alimentar e valorização de saberes tradicionais. Em 2025, o PSA apoiou o manejo de abelhas nativas sem ferrão com 106 visitas técnicas, entrega de 610 caixas, oficinas comunitárias, melhoria da infraestrutura dos meliponários e capacitações em mel, própolis e pólen. Ao todo, foram 162 produtores atendidos, consolidando uma atividade que depende da floresta conservada e amplia o valor econômico da biodiversidade viva.

Com EPI e acompanhamento técnico, comunitários fazem o manejo seguro das abelhas sem ferrão nos meliponários. Ao fundo, os suportes com barreira de água contra formigas mostram uma tecnologia social simples que protege as colônias e foi decisiva para melhorar a criação.
Folhas verde e roxa

Assessoria para Negócios da Sociobioeconomia

Para assessorar negócios da sociobioeconomia, o PSA apoia cooperativas, associações, grupos comunitários e empreendimentos coletivos com qualificação administrativa, organização produtiva, agregação de valor, acesso a crédito e redes de comercialização com preços justos. Essa frente fortalece cadeias da floresta com mais transparência, melhora a capacidade de negociação das comunidades e amplia a renda que permanece nos territórios.

O complexo reúne entreposto de mel de abelhas nativas, unidade de óleos e manteigas vegetais, destilador de copaíba, agroindústria de polpas, armazém de borracha nativa e entreposto comercial. 
Ecocentro da Sociobioeconomia

O Ecocentro da Sociobioeconomia é um núcleo piloto de bioindustrialização comunitária na Amazônia e representa um passo estratégico na verticalização das cadeias de valor da floresta. Liderado pela Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará (ACOSPER), em parceria com o PSA e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR), funciona como um hub territorial de inovação, processamento e comercialização, articulando a produção do Oeste do Pará e conectando saberes tradicionais às exigências do mercado formal. Em 2025, movimentou cadeias da sociobiodiversidade com R$ 258,4 mil em compras e R$ 358 mil em vendas, apontando caminhos para uma economia amazônica de nova geração, com floresta em pé e comunidades no centro.

Capacitação comercial e produtiva, acesso a mercados e articulação comercial

Para que os negócios comunitários ampliem sua capacidade de negociação sem perder o vínculo territorial dos produtos, o PSA apoia formações em precificação, custos, qualidade, beneficiamento, embalagem, logística, certificações, leitura de mercado e comercialização. Em 2025, a área fortaleceu a gestão de empreendimentos coletivos, apoiou oficinas de administração e comunicação comercial, implantou ferramentas de organização financeira e articulou compradores, cooperativas e parceiros para ampliar mercados com mais transparência e preços justos.

Mel produzido por meliponicultores e meliponicultoras da ACOSPER foi reconhecido como o melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil.
Linha de prensagem e filtragem a frio transforma sementes de andiroba em óleo de alta qualidade, com mais eficiência, controle e aproveitamento da produção.
Extração de óleos e manteigas

Da semente de andiroba ao óleo, do cupuaçu à manteiga, da copaíba ao produto rastreado, o Ecocentro da Sociobioeconomia mostra como ingredientes da floresta podem ganhar qualidade, rastreabilidade e melhores condições de comercialização sem perder sua origem territorial. A usina de óleos e manteigas vegetais fortalece o processamento local com etapas como secagem, prensagem e capacitação técnica para operação do maquinário, enquanto o destilador de óleo essencial de copaíba, em desenvolvimento com apoio da Natura, amplia o potencial de inovação da cadeia. Com tecnologia, gestão cooperativa e saberes extrativistas, essa frente conecta coleta, beneficiamento e venda direta com valor agregado, apontando caminhos para uma bioindustrialização amazônica com floresta em pé.

Formação de Lideranças e Empoderamento Feminino

Não existe Economia da Floresta forte com mulheres e jovens à margem das decisões. Por isso, o PSA oferece formações contextualizadas em governança, cooperativismo, associativismo, gestão, cadeias de valor da sociobioeconomia, comunicação e comercialização, fortalecendo a autonomia de organizações comunitárias e empreendimentos coletivos. Essa frente amplia capacidades técnicas e políticas para que novas lideranças assumam lugares estratégicos na gestão, no acesso a mercados, no diálogo com políticas públicas e na permanência das comunidades nos territórios.

Turismo de Base Comunitária

O Turismo de Base Comunitária do Tapajós fortalece renda, identidade cultural e gestão territorial a partir da hospitalidade das próprias comunidades. Com apoio do PSA, iniciativas como as pousadas comunitárias de Jaguarary e Uka Suri, na Aldeia Vista Alegre do Capixauã, articulam hospedagem, alimentação regional, trilhas, artesanato, cultura e vivências ligadas à floresta e aos modos de vida ribeirinhos e indígenas. Em 2025, formações em condutores de trilhas, receptivo turístico, precificação e gestão ampliaram a capacidade local de receber visitantes com qualidade, autonomia e protagonismo comunitário.

Na Aldeia Vista Alegre do Capixauã, famílias apresentam o plano de gestão da pousada comunitária Uka Suri, construído de forma participativa. O documento organiza tarefas, custos e atendimento para que o turismo fortaleça a autonomia, a renda coletiva e a cultura do povo Kumaruara.
Mulheres de cinco comunidades da região do rio Arapiuns participaram, na comunidade Vila Brasil, de uma oficina criativa voltada ao aprimoramento técnico do artesanato com palha de tucumã.
Artesanato da floresta e identidade territorial

O artesanato da floresta transforma saberes, fibras, sementes, palhas e grafismos em renda, memória e identidade territorial. Nas cadeias apoiadas pelo PSA, técnicas como o trançado da palha de tucumã, a produção de cestarias, biojoias e embalagens artesanais valorizam matérias-primas manejadas de forma sustentável e fortalecem o protagonismo de mulheres. Em 2025, mulheres de comunidades do Arapiuns participaram de oficina criativa para aprimorar técnicas de trançado, acabamento e produção com palha de tucumã, fortalecendo a qualidade das peças, a troca entre mestras artesãs e jovens, e a comercialização com menos dependência de atravessadores. Em diálogo com a TuriArte, o turismo comunitário e mercados parceiros, essa frente valoriza matérias-primas manejadas com cuidado, amplia oportunidades de renda e fortalece a permanência das mulheres em seus territórios.

Incidência pela Biodiversidade

Para proteger e fortalecer sistemas socioprodutivos sustentáveis, o PSA atua no monitoramento de políticas públicas, marcos regulatórios, instrumentos de financiamento e agendas de mercado que afetam povos tradicionais, cooperativas e cadeias de valor da sociobiodiversidade. Em diálogo com redes como o ÓSócioBio – Observatório das Economias da Sociobiodiversidade, essa frente constrói pontes entre territórios e espaços de decisão, defendendo condições mais justas para que a economia da floresta cresça com autonomia, reconhecimento institucional e proteção da biodiversidade.

Diário de Bordo

Economia da Floresta em movimento nos territórios

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