Mão clicando no coração branco

Saúde na Floresta

Saúde territorial para fortalecer o SUS na Amazônia

Como entendemos Saúde na Amazônia

A Saúde na Floresta é concebida de maneira ampla, participativa e integral. Surgiu como resposta a uma emergência crônica vivida pelas comunidades amazônicas e se tornou o ponto de partida das demais ações do Projeto Saúde e Alegria.

Na Amazônia, garantir saúde exige mais do que levar serviços a lugares distantes. Exige reconhecer rios, florestas, aldeias, quilombos e comunidades ribeirinhas como territórios de vida, cuidado e produção de conhecimento. Por isso, o programa entende a saúde como um desafio coletivo, construído entre comunidades, poder público, sociedade civil, universidades e parceiros.

Inspirado na construção de territórios de saúde, bem viver e clima, o Programa Saúde na Floresta atua para fortalecer o SUS em áreas remotas, ampliar o acesso a direitos e apoiar políticas públicas de atenção primária com soluções adaptadas à realidade amazônica.

Essa trajetória reúne experiências pioneiras, como o Abaré, referência em saúde fluvial, e iniciativas mais recentes, como as UBS da Floresta, que ampliam a capacidade de atendimento com energia solar, conectividade, equipamentos, telessaúde, formação profissional e melhoria da gestão de indicadores.

As ações combinam promoção, prevenção e cuidado por meio da educação em saúde, mobilização comunitária, capacitações, atenção primária, saúde fluvial, apoio às UBS locais, tecnologias adaptadas,  saúde ambiental e proteção social. Também fortalecem ações dirigidas e a vigilância participativa em saúde, ampliando a capacidade de resposta dos serviços nos territórios amazônicos.

Como laboratório de boas práticas, a área desenvolve, testa e aprimora tecnologias sociais com efeito demonstrativo. Na prática, isso significa criar experiências que fortalecem o SUS e podem inspirar soluções para outros territórios amazônicos.

Saúde na Floresta,
no campo e nas águas

Para que o cuidado chegue aos territórios da floresta, do campo e das águas, o PSA apoia modelos de atenção primária adaptados à geografia amazônica. A saúde fluvial, as unidades remotas e a telessaúde ampliam o acesso ao SUS onde as distâncias e as limitações de infraestrutura dificultam a continuidade do cuidado. Nos territórios indígenas, as ações partem das demandas das comunidades e são articuladas com organizações representativas e o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, com apoio à qualificação de UBSI, à educação permanente e a tecnologias adaptadas, respeitando formas próprias de cuidado e decisão.

UBS Fluvial (UBSF)
UBS Fluvial

Do Abaré à Saúde da Família Fluvial: experiência construída no Tapajós que contribuiu para a criação da política nacional no SUS. Em 2025, o PSA realizou diagnóstico em 50 UBS Fluviais para subsidiar a qualificação dessa política pública.

UBS da Floresta
UBS da Floresta

UBS da Floresta: qualificação de 24 unidades, incluindo uma UBS indígena. Dez foram entregues em 2025, e outras 14 integram a etapa atual, com infraestrutura, energia solar, conectividade, equipamentos e telessaúde.

Assistência Social
e Apoio à Saúde Integral

O acesso a cuidado, proteção e direitos exige articulação entre o SUS, a assistência social, conselhos, comitês e organizações dos territórios. Nessa frente, o PSA apoia a rede em ações com famílias, crianças, adolescentes, mulheres e comunidades, integrando saúde integral, segurança alimentar, fortalecimento de vínculos, prevenção de violências, encaminhamento de situações de risco e resposta a emergências sociais.

PSEA

PSEA: proteção contra abuso e exploração sexual

Para garantir ambientes seguros nas comunidades, nas atividades de campo e nas relações institucionais, o PSA adota política de tolerância zero contra abuso e exploração sexual. Em 2025, fortaleceu canais de denúncia, formação de equipes e fluxos de proteção, em articulação com a rede de proteção, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDCA), a Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA) e organizações parceiras.

Elemento folhas roxa e verde

Ensino, pesquisa e disseminação

Para que a experiência dos territórios também produza conhecimento, o PSA aproxima comunidades, profissionais de saúde, universidades e instituições como UFOPA, UEPA e Fiocruz. Essa frente conecta ensino, pesquisa e território, transformando vivências de campo, diagnósticos participativos e pesquisas aplicadas em evidências, metodologias e aprendizados capazes de qualificar o cuidado em saúde e apoiar políticas públicas mais adequadas à Amazônia.

Ensino, pesquisa e disseminação

Vivências de campo, educação permanente, troca de saberes e pesquisas aplicadas reúnem profissionais, estudantes, gestores, lideranças e instituições parceiras em torno dos conhecimentos e desafios da saúde nos territórios amazônicos. A formação é uma frente contínua: em 2024, 234 profissionais da atenção primária participaram de capacitações; em 2025, foram realizadas oito formações em Educação Permanente em Saúde, com 191 profissionais capacitados.

Saúde, ambiente e clima

Na Amazônia, a saúde é atravessada pela qualidade da água, pelo saneamento, pela segurança alimentar e pelos impactos socioambientais e climáticos que chegam ao corpo e ao cotidiano das comunidades. Essa frente reconhece que o desmatamento, o garimpo, a contaminação por mercúrio, as secas extremas, as cheias irregulares, os incêndios e a fumaça afetam os modos de vida, a produção de alimentos, a mobilidade e o acesso aos serviços de saúde. Por isso, exigem respostas integradas entre saúde pública, infraestrutura comunitária, economia da sociobiodiversidade, adaptação climática e proteção territorial.

Elemento folhas verde e vermelha

O Seminário Saúde e Clima na Amazônia reuniu comunidades, pesquisadores, gestores públicos e parceiros para discutir como secas extremas, cheias, queimadas, insegurança hídrica e saneamento precário afetam a saúde nos territórios. O encontro fortaleceu a construção de respostas em atenção primária, vigilância, infraestrutura e adaptação climática.

Mobilização e controle social

Quando a informação circula e as comunidades participam das decisões, o cuidado deixa de ser uma ação pontual e se fortalece como direito. Essa frente mobiliza famílias, lideranças, agentes de saúde, educadores, jovens e redes locais para ampliar o acesso à informação, fortalecer a prevenção e estimular a participação social nas políticas públicas de saúde.

A partir de oficinas, rodas de conversa, campanhas, rádio comunitária, materiais educativos, arte-educação e educomunicação, o PSA aproxima os serviços públicos das realidades dos territórios e traduz temas de saúde em linguagem acessível, territorializada e mobilizadora. Em 2025, foram realizadas 3 jornadas de mobilização, educação, prevenção e assistência à saúde comunitária, com produção de fotonovelas, vídeos, vinhetas para rádios comunitárias, cartazes educativos e oficinas Trilhas na Infância.

O Afluentes, projeto do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) com apoio técnico do PSA no território, fortalece as linhas de cuidado de pré-natal e hipertensão em seis municípios do Oeste do Pará. Uma de suas estratégias é o envio de vídeos curtos e orientações por WhatsApp diretamente a usuários do SUS, ampliando o acesso à informação, o autocuidado e a participação nos serviços de atenção primária. O projeto também apoia a elaboração de protocolos adaptados à região, a conectividade das UBS e a articulação entre gestão pública, universidades e controle social. Nos primeiros cinco meses de 2026, a mensageria alcançou 37 mil usuários.

Afluentes, projeto do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS)

Diário de Bordo

Saúde em movimento nos territórios da floresta

Doe agora