Atendimento especializado amplia prevenção ao câncer de pele e do colo do útero em Santana do Ituqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos!

Parceria entre Projeto Saúde e Alegria, Bristol Myers Squibb Foundation e equipe da Unidade Básica de Saúde/Prefeitura de Santarém levou consultas especializadas, exames e atividades educativas para moradores da região do Ituqui

Moradores da comunidade Santana do Ituqui e de localidades vizinhas participaram, nos dias 25 e 26 de junho, de uma ação voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de pele e do câncer do colo do útero. Realizada pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Bristol Myers Squibb Foundation e a equipe da Unidade Básica de Saúde Ribeirinha de Santana do Ituqui, a programação reuniu atividades educativas na Escola União Santana e atendimentos especializados na unidade de saúde da comunidade.

No primeiro dia, estudantes e moradores participaram de oficinas sobre prevenção, fatores de risco e identificação de sinais que devem ser avaliados por profissionais de saúde. No dia seguinte, a Unidade Básica de Saúde recebeu consultas com médica dermatologista, avaliação de lesões suspeitas, coleta do exame HPV DNA e realização do exame citopatológico (preventivo).

A médica responsável pela Unidade Básica de Saúde de Santana do Ituqui, Cristiane Araújo, ressaltou que a iniciativa fortalece o trabalho desenvolvido pela atenção primária ao aproximar a prevenção da população ribeirinha. Ela explica que muitas manchas, sinais ou verrugas costumam ser associados apenas à exposição ao sol, quando algumas dessas alterações podem indicar lesões precursoras do câncer de pele. “O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento no momento adequado”, afirma. Cristiane destaca ainda a realização do exame HPV DNA, disponível durante a ação. “É uma tecnologia que amplia a capacidade de identificar alterações relacionadas ao câncer do colo do útero e que ainda não está disponível em muitas regiões do país.”

Além das atividades educativas, a ação levou à comunidade serviços especializados que normalmente exigem deslocamento até Santarém. Para o enfermeiro Edgar Vieira, integrante da equipe da Unidade Básica de Saúde Ribeirinha, a presença da equipe na própria comunidade representa uma oportunidade para ampliar o acesso ao cuidado. “Muitas vezes o morador espera meses por uma consulta especializada. Ter a dermatologista atendendo aqui facilita o diagnóstico precoce e reduz as dificuldades enfrentadas por quem precisa sair da comunidade para buscar atendimento.”

O impacto dessas mudanças é percebido por quem acompanha a realidade local há décadas. Moradora de Santana do Ituqui, Luzenira Maria Rodrigues lembra que o acesso aos serviços de saúde era limitado. Hoje, observa uma realidade diferente. “Antes era muito difícil. Agora temos médico, enfermeira e agentes de saúde. Melhorou muito para a comunidade”, resume.

A integração entre saúde e educação também foi destacada pela professora Raimunda Tatiane, da Escola União Santana. Ela recorda que as ações desenvolvidas ao longo dos anos envolveram professores, estudantes e famílias, fortalecendo o trabalho comunitário. “As oficinas ajudaram na metodologia dos professores e também envolveram os moradores em atividades voltadas à saúde e à alimentação das crianças.”

Quatro décadas de parceria com a comunidade

A mobilização também marcou o reencontro do Projeto Saúde e Alegria com uma comunidade que faz parte de sua história desde a década de 1980. Fundador e coordenador da organização, Eugênio Scanavino relembra que Santana do Ituqui foi uma das primeiras localidades atendidas pelas expedições do PSA, em um período em que o acesso à saúde e ao saneamento era bastante restrito.

Na época, as primeiras ações envolveram tratamento da água para consumo, campanhas de higiene e saneamento, implantação de sanitários, apoio à estruturação do sistema comunitário de abastecimento de água, formação dos primeiros agentes comunitários de saúde e atividades nas escolas, como rádio escolar, jornal estudantil e oficinas para professores e moradores. “Naquela época nem existia esse conceito de agente de saúde. Muitas pessoas que participaram dessas formações seguiram atuando na área da saúde. Ver essa continuidade é motivo de muito orgulho.”

Ao retornar à comunidade quase três décadas depois, Eugênio encontrou uma realidade diferente daquela das primeiras viagens pelo rio Ituqui. “É emocionante voltar e encontrar uma comunidade que continua ativa, organizada e com uma unidade de saúde estruturada. A gente deu um passo inicial, mas foi a própria comunidade que seguiu construindo essa história.” Para ele, garantir água de qualidade, equipamentos básicos e conectividade nas unidades de saúde continua sendo parte da defesa de direitos das populações amazônicas.

Entre os reencontros da visita, um teve um significado especial para Eugênio. Ele voltou a encontrar a mãe de um bebê prematuro que ajudou a salvar durante uma emergência médica realizada na comunidade, há cerca de 37 anos. Na época, o atendimento aconteceu com os recursos disponíveis na embarcação do PSA. “Nosso barquinho era pequeno, mas a caixa médica era grande. A gente levava tudo o que podia porque, em campo, você está sozinho e precisa estar preparado para qualquer situação”, relembra. Ao rever a família, descobriu que aquele bebê cresceu, constituiu sua própria família e hoje já tem filhos. “Foi uma das maiores emoções dessa volta. Encontrar essa mãe novamente e ver que aquela vida seguiu seu caminho é algo que não tem preço.” Eugênio conta ainda que ele é hoje o único filho vivo da moradora, tornando o reencontro ainda mais marcante.

A visita também marcou o retorno do Circo Mocorongo a Santana do Ituqui após quase 30 anos. Para Eugênio, a apresentação simboliza a continuidade de uma relação construída entre o Projeto Saúde e Alegria e a comunidade ao longo de quatro décadas. “As crianças vão conhecer uma parte dessa história e quem viveu aquele período poderá relembrar esse trabalho construído junto com a comunidade.” A ação realizada em junho, voltada à prevenção do câncer de pele e do colo do útero, soma-se a essa trajetória iniciada há cerca de 40 anos, que integra promoção da saúde, educação, saneamento e fortalecimento comunitário nas populações ribeirinhas da Amazônia.

Compartilhe essa notícia com seus amigos!

Deixe um comentário

Rolar para cima