Enfermeiros e agentes comunitários de saúde das regiões dos rios Arapiuns e Tapajós participaram de nova formação para implementação do projeto UBS da Floresta, que está equipando unidades de saúde em áreas remotas com tecnologias que melhoram o atendimento e o registro das ações básicas de saúde
No período de 06 a 08 de outubro, profissionais de áreas ribeirinhas estão participando de formação para uso de equipamentos médicos que serão entregues às unidades, como desfibriladores externos automáticos (DEA), autoclaves, macas rígidas e portáteis, termômetros e nebulizadores. A capacitação foi realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), com demonstrações práticas conduzidas pelo enfermeiro Jean Cunha, facilitador do SAMU.
Além dos equipamentos, as unidades contempladas pelo projeto receberão sistemas de energia solar, geladeiras para armazenamento de vacinas e acesso à internet, permitindo a manutenção dos registros e o uso de ferramentas de telemedicina nas comunidades ribeirinhas.
“Nós estamos realizando educação permanente para os profissionais da região do Arapiuns e Tapajós, das unidades de saúde que serão contempladas pelo projeto UBS da Floresta. Essa capacitação visa justamente preparar esses profissionais para o manuseio dos equipamentos que irão receber”, explicou a enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria.

A realidade nas comunidades demonstra a urgência desse tipo de preparo. Em Suruacá, no rio Tapajós, a agente de saúde Rosiane Freitas Melo já enfrentou situações de reanimação antes mesmo de ter recebido formação específica. “É um tema relevante para nós que trabalhamos na região dos rios. Muitas vezes não temos esse tipo de atuação com frequência, mas precisamos estar preparados para situações de emergência, como uma ressuscitação cardiopulmonar”, relatou Zaide Marcelo Amaral Barbosa dos Santos, enfermeira da UBS São Miguel, que atende 420 famílias.
“Eu precisei fazer reanimação de três pacientes que estavam em início de parada. Na época, ainda não tinha participado de capacitações, mas o básico que aprendi num curso antigo me ajudou. Graças a Deus consegui não deixar o paciente morrer naquele momento”, contou. “Agora, com a formação e os novos equipamentos, só aumenta a nossa felicidade e agradecimento. Sinto que estou subindo um degrau a mais de conhecimento para me manter firme no trabalho junto com a minha equipe e a comunidade.”

A capacitação integra um conjunto de ações do Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Banco do Brasil voltadas à qualificação dos serviços de atenção primária em territórios rurais e ribeirinhos, garantindo que as equipes locais possam oferecer atendimento com mais segurança, autonomia e estrutura.