Aldeias Munduruku celebram acesso à água potável e energia renovável promovido pelo Projeto Aliados pela Água

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Iniciativa levou sistemas de abastecimento e formação comunitária para quatro aldeias do Rio Cururu, fortalecendo a saúde das famílias indígenas

Desde 2018, o Projeto Saúde e Alegria tem atuado no território Munduruku, nos municípios de Itaituba e Jacareacanga (PA), com ações integradas de acesso à água potável, saneamento e energia renovável. Em 2024, a iniciativa deu mais um passo importante: a implementação de sistemas de abastecimento em quatro aldeias da região do Rio Cururu — Morro do Careca, Aipirep, Bananal do Rio Cururu e Missão Velha — beneficiando diretamente 108 famílias, totalizando 520 indígenas atendidos.

“Antes, nós estávamos usando água do rio. Tomando banho, fazendo comida, lavando roupa, tudo com água do rio”, lembrou o cacique da aldeia Waro Baxe Watpu, Raimundo Waro. A prática, comum em muitos territórios indígenas, traz sérios riscos à saúde, como explica Valdelino Poxo da aldeia Morro do Careca: “As crianças e a população sentiam dores de barriga por causa da água suja. Era muita diarreia, muito verme.”

Além da estrutura física, o projeto inclui capacitação comunitária. “Durante a entrega oficial, realizamos uma formação sobre uso e gestão das águas. Explicamos como manter o sistema funcionando, o que pode ou não pode ser feito, quando limpar o reservatório e como usar o sistema fotovoltaico que instalamos”, explicou o técnico de Campo do PSA, Rodrigo Souza.

A ação faz parte do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, que se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente as ODS 6 (água potável e saneamento) e 7 (energia limpa e acessível). “Nosso viés é a sustentabilidade. Por isso, levamos energia solar, para que não haja dependência de motores a gasolina”, reforçou o técnico em organização comunitária do PSA, Silvanei Rodrigues.

“Pegamos água nas panelas para fazer o preparo das comidas e lavar a louça também. Agora não consumimos mais a água do igarapé, mas do poço artesiano” – Lina Akay Munduruku – Cacica da Waro Baxe Watpu.

Com a nova estrutura, cada residência passou a contar com um ponto de consumo de água encanada. “Agora é fácil, né? A água tá funcionando, tem torneira, banheiro em todas as casas. A comunidade tá feliz”, comemora Valdelino Poxo.

A chegada da energia também impactou diretamente a saúde: “Antes, a energia era de gerador e só funcionava duas horas por dia. Agora temos equipamentos funcionando o dia todo — microscópio para exame de malária, inaladores, materiais odontológicos. Isso mudou totalmente a qualidade da assistência”, contou a enfermeira do pólo Waro Apompo, Marlúcia dos Santos.

A parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e com a Associação foi fundamental para a execução do projeto. O PSA também doou kits de monitoramento da qualidade da água, fortalecendo o trabalho de vigilância ambiental realizado pelos próprios indígenas, destacou a coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, Jussara Salgado.

“A gente tá recebendo o kit de fazer análise de água dentro das comunidades indígenas, a qual vai facilitar também o trabalho dos nossos profissionais que acompanham, que fazem análise dentro do território. Então pra nós isso é uma satisfação muito grande, tá trazendo esse benefício, esses equipamentos” – Haroldo Saw, coordenador do DSEI Rio Tapajós.

A iniciativa é um fruto da articulação do Projeto Aliados pela Água liderado pela Fundação Coca Cola, Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Avina, EBL, Unicef e Fundação Mott.

Fotos: Pedro Alcântara/Acervo PSA.

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