Estudantes de medicina da UFOPA participam de imersão entre rios e saberes em saúde comunitária na Amazônia

Compartilhe essa notícia com seus amigos!

Estudantes da primeira turma do curso de Medicina da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) participaram de atividade formativa na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, promovida em parceria com o Projeto Saúde e Alegria. A imersão uniu práticas de saúde, arte e comunicação com os saberes de povos ribeirinhos, quilombolas e indígenas da região.

A programação foi realizada no Centro Experimental Floresta Ativa e incluiu visita ao posto de saúde da comunidade Anumã. Durante quatro dias, os estudantes vivenciaram o cotidiano das comunidades e dialogaram com moradores, profissionais de saúde e lideranças locais sobre os desafios e estratégias para o cuidado em saúde nos territórios amazônicos.

Para Lorena Cardoso, estudante da UFOPA, a atividade marcou a formação do grupo: “Foi muito importante essa parceria da UFOPA com o Saúde e Alegria para mim e para a minha turma, porque eu tinha um pouco dessa vivência, só que muita gente da minha sala não tinha. E eu sinto que entrou pessoas de uma forma e vão sair de outra forma”.

Segundo Eugênio Scannavino, médico e fundador do Projeto Saúde e Alegria, a proposta responde a um desafio das universidades: “É um grande desafio que as faculdades têm de trazer o ensino para o seu contexto e dar ao estudante uma noção da região que ele está, do contexto, das principais causas, como funciona o sistema, como funciona o SUS, quais são os desafios”. Ele destaca que os estudantes participaram de uma oficina criativa junto com as comunidades e produziram peças de comunicação, educação e prevenção voltadas à intervenção para o pé natal, que é uma das prioridades de melhoria nos indicadores de saúde locais.

Marivaldo Ferreira, Agente Comunitário de Saúde, acompanhou as atividades e ressaltou a importância do contato direto com as realidades amazônicas: “Foi sempre a preocupação com o povo da Amazônia, com o indígena, com as pessoas que vivem aqui, com o ribeirinho, com o quilombola. Então, hoje, trazer um curso de medicina, a primeira turma do UFOPA, que vale ressaltar com esse pensamento de começar tudo por essa raiz, por esse conhecimento, que existe dentro das comunidades, dentro das lideranças, dentro do pessoal que mora aqui, vivenciar isso de perto, não só no cartaz, mas vir para campo, viver um pouco isso durante esses quatro dias”.

Estudantes participaram de mapeamento com moradores das comunidades. Fotos: Janaína Massafra/UFOPA.

A docente Janaína Vasconcelos acompanhou os estudantes e reforçou o impacto da experiência na formação médica: “Trazer os alunos aqui está sendo um diferencial, um marco na vida deles e um marco também na formação desses profissionais que a gente vai levar para a sociedade. Profissionais médicos que tenham um olhar voltado para a Amazônia, que reconheçam as dificuldades, os desafios, os costumes dessas populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas”. Ela sublinha a importância do respeito às diferentes culturas e do conhecimento da vida dos pacientes: “Eles precisam respeitar a cultura, conhecer o que está por trás daquele paciente e conhecer a vida dele. E a gente veio aqui viver junto com a comunidade”.

A vivência também reforça a importância da formação médica pautada na realidade regional. “Esse desafio de a gente conseguir fazer os cursos de medicina e ensino médico trazerem o aluno para a realidade que está em volta dele, para que esse aluno esteja inserido nessa realidade, na sua formação, é uma coisa muito importante e chega a ser inovadora até em termos da sociedade do Brasil. Dá um caráter mais humano à formação médica, mais de realidade”, concluiu Janaína.

“Eu sou muito grata por toda essa vivência, principalmente porque na nossa sala tem as pessoas da região, então vai ser o povo cuidando do povo. Então, foi muito enriquecedor e eu espero voltar aqui, tanto como acadêmica, mas também quanto médica”.

Compartilhe essa notícia com seus amigos!

Deixe um comentário

Rolar para cima