Atividade promovida pelo Projeto Saúde e Alegria e Acosper visa fortalecer atividades socioeconômicas e mapear áreas com potencial produtivo
Moradores de quatro comunidades da Floresta Nacional do Tapajós participaram, no período de 23 a 28 de junho, de oficina sobre boas práticas de manejo e extração do óleo de copaíba, promovida pelo Projeto Saúde e Alegria e Acosper. A atividade reuniu moradores das comunidades Prainha I e II, Martanxin, Takuara e Paraíso, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva da copaíba como fonte de renda e valorização do extrativismo sustentável, para abastecer o Ecocentro da Sociobioeconomia- prestes a completar um ano de operações em Santarém.
A oficina incluiu demonstrações práticas de extração e cuidados com a coleta para garantir a qualidade do óleo. Além da copaíba, outras cadeias como andiroba, cumaru e castanha também foram citadas como potenciais de fortalecimento por meio de formações semelhantes. Lorenaldo Almeida, morador do território quilombola Rio Itapecuru, em Oriximiná foi o técnico responsável pela formação. Formado em gestão ambiental, conduziu oficinas. “A gente finalizou com a extração do óleo de copaíba. Isso a gente tem que mostrar para o mundo, que nós existimos. Quem está na floresta são os indígenas, quilombolas, ribeirinhos”, declarou.
Para ele, a valorização do extrativismo está diretamente ligada ao reconhecimento dos povos da floresta como produtores. “Trabalhar com a cadeia produtiva da floresta traz credibilidade para dentro do território e facilita mais a cadeia produtiva. Isso é importante para as famílias, para os jovens, para as lideranças. A gente tem essa nossa ancestralidade, é importante respeitar e se conectar com a floresta.”
A capacitação técnica se soma ao trabalho de mapeamento e georreferenciamento das árvores de copaíba nas comunidades, destacou a engenheira florestal do PSA, Laura Lobato: “Nosso papel aqui também é mapear, deixar tudo georreferenciado, como parte da assistência técnica nessa cadeia”.
Samira Maia, da comunidade Praia I, disse que a oficina foi uma experiência de descoberta. “Eu aprendi coisa que eu nem imaginava saber. Eu nem sabia furar uma copaíba, principalmente ver as coisas dela, diferenciar elas, a cor da copaíba. Eu tenho orgulho e vou continuar isso para frente, se Deus quiser.”
Zé Maria, da Cooperativa Agroextrativista do Oeste do Pará, destacou o trabalho em andamento na Flona voltado à produção de óleo. “Estamos com um trabalho na Flona, na extração de óleo de copaíba, e trazendo para as comunidades um técnico capacitado para repassar esse conhecimento. Estamos comprando óleo de copaíba e queremos ampliar essa produção para outros territórios.”
Sheila de Araújo de Silva, moradora da comunidade Martanxin, participou da formação e contou que a troca de saberes durante o curso vai possibilitar ampliar a renda. “Seu Bito veio para ensinar o que ele já sabe passando para nós. A gente vai alongar mais isso para ser um extrativismo de copaíba”, afirmou.
Fotos: Laura Lobato/PSA.












