Nova expedição do Programa de Infraestrutura Comunitária distribuiu filtros de nanotecnologia para escolas ribeirinhas do município de Óbidos, possibilitando tratamento de água consumida por estudantes ribeirinhos
No período entre os dias 26 e 27 de junho de 2025, o Projeto Saúde e Alegria finalizou o ciclo de entrega de filtros coletivos de água potável em cinco comunidades ribeirinhas da região de Óbidos, oeste do Pará. Com a distribuição, a iniciativa alcança 87 comunidades em diferentes territórios do oeste do Pará, com apoio da Água Segura, Sanofi, Cause e Piamerica.
As tecnologias foram instaladas em locais de uso coletivo nas comunidades Igarapé Grande, Santo Antônio, Liberdade, Vila Poranga e Vila Barbosa, como escolas, postos de saúde e centros comunitários, com o objetivo de garantir água tratada para populações que enfrentam, historicamente, o consumo de água sem tratamento.
Iranilce Dos Santos Corrêa, da Comunidade Santo Antônio, destacou a diferença trazida pelo filtro. “É algo que vai beneficiar muito nossa família, porque a condição da nossa água (realmente para consumo, ela) não é uma água boa. A gente toma porque é a única que tem. Então pra vocês verem: ó, a diferença aqui, ó, uma água dessa aqui, ó. Poxa, maravilha pra gente.”

Em Liberdade Paraná de Baixo, Roseneide Pinto dos Santos, agente comunitária, relatou os impactos da falta de água segura na saúde da população. “A gente precisa realmente dessa água tratada. No período da cheia e da seca, a gente enfrenta situações muito difíceis, com problemas de diarreia, vômito. Então, isso vai nos ajudar muito, porque hoje nós estamos com esse filtro que vai ajudar a nossa comunidade.”
Na Escola Dom Pedro, Ieda da Silva Barbosa também recebeu o equipamento e agradeceu aos parceiros envolvidos. “Agora nós vamos ter água saudável.”
Durante as entregas, as equipes do projeto realizaram formações com os moradores sobre o uso e manutenção dos filtros. Gabriel Nunes, da Água Segura, reforçou os cuidados necessários para garantir o funcionamento do equipamento. “Seria bom que a gente deixasse ela sentar ali um tempo, pra tirar as coisas. O produto também evapora. Não é aconselhável botar água com cloro, mas se por acaso, beleza. O único problema é que diminui o tempo de vida do filtro. Ele tem que trabalhar mais. E amanhã ele trabalha menos”, explicou.
Gabriel destacou ainda que o uso do filtro precisa estar associado a práticas de higiene. “A gente descobriu na época do Covid que não adiantava nada o filtro ser fantástico e a gente estar sujo. A limpeza do filtro tem que ser acompanhada de uma certa limpeza nossa, pelo menos das mãos.”
Desde 2022 o Projeto Saúde e Alegria e Water is Life se juntaram para viabilizar o acesso à água potável em regiões vulneráveis da Amazônia que enfrentam dificuldades para acessar água potável, mesmo estando na maior bacia hidrográfica do planeta. O consumo de água não tratada impacta a saúde das comunidades. Em três anos, a distribuição de filtros de nanotecnologia possibilitou o tratamento de águas superficiais de rios, igarapés e cacimbas para mais de 6.200 famílias para mitigar os efeitos da falta de saneamento básico na região e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
“A entrega desses filtros visa suprir a falta de acesso à água potável na região amazônica, especialmente durante a seca, quando o acesso à água se torna ainda mais difícil. Com essa iniciativa, espera-se melhorar significativamente a qualidade de vida das comunidades atendidas”- IzabelleSena, técnica do PSA.
“É uma solução de baixo-custo, que traz resultados imediatos, como a redução das doenças de veiculação hídrica e diarreias, maior causa da mortalidade infantil na nossa região. E são investimentos que se pagam ao diminuir os gastos de saúde com doenças evitáveis”, explica Jussara Salgado, coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.
Fotos: Cause.







