Primeiras UBS da Floresta são inauguradas no Pará

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Unidades Básicas de Saúde de São Pedro e Curi na região da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns comemoraram a conclusão das reformas e entrega das tecnologias para os atendimentos ribeirinhos

Com apresentação do Gran Circo Mocorongo e muita festa, as comunidades Curi e São Pedro na região da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns celebraram a finalização das reformas e entrega de equipamentos para operar teleconsultas e atendimentos básicos nas unidades nos dias 19 e 20, respectivamente. Logo na inauguração, as duas comunidades realizaram atendimentos de urgência, já usando os novos itens: moradora picada de cobra e paciente alérgica ferrada por lagarta.

O projeto KIT UBS é uma iniciativa do Projeto Saúde e Alegria (PSA) em parceria com Secretaria Municipal de Saúde e apoio da Fundação Banco do Brasil e IEPS. O projeto busca qualificar a atenção primária em áreas remotas da Amazônia, garantindo energia solar, equipamentos médicos, internet e estrutura para atendimento local, com foco em populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas.

UBS de São Pedro comemorou inauguração de Kits para atendimentos.

“A principal dificuldade era a geladeira de vacina, que não tínhamos. Agora recebemos não só a geladeira, mas também oxigênio, maca de remoção e eletrocardiograma. Isso vai melhorar muito o atendimento”, – Dirceu Sampaio, integrante do comitê local.

“Muitas vezes não atingíamos as metas porque não havia como armazenar vacinas. Agora, com a geladeira, podemos garantir a imunização infantil e avançar nos indicadores de pré-natal e acompanhamento de gestantes e diabéticos” – Maria Isoneide.

“Antes, as vacinas se perdiam por falta de energia. Agora vamos poder oferecer a vacinação de forma contínua, o que melhora a confiança da população no atendimento local” – Agente comunitário de saúde da comunidade São Pedro, David.

Para o médico e fundador do PSA, Eugênio Scannavino, integra uma estratégia de fortalecimento do sistema público de saúde em comunidades da Amazônia. “Estamos levando equipagem básica para comunidades isoladas, em parceria com as secretarias de saúde. Energia solar garante a conservação de vacinas e, a partir dela, conseguimos instalar nebulizador, oxímetro, termômetro, glicosímetro, eletrocardiograma e conexão para tele-saúde. Esse modelo integrado de saúde territorial será replicado em outras regiões”.

O projeto prevê a instalação em 24 UBS localizadas em Santarém, Itaituba, Jacareacanga e municípios da Ilha do Marajó. Ao todo, atenderá cerca de 30,5 mil pessoas, sendo 10 mil diretamente. Entre as unidades contempladas, cinco atendem comunidades quilombolas e treze, populações indígenas de cinco etnias diferentes.

Para o coordenador geral do PSA, Caetano Scannavino, o avanço só foi possível pela soma de esforços. “Essa iniciativa é realizada pelo Saúde e Alegria em parceria com organizações como o Ieps, com prefeituras e a Secretaria de Saúde Indígena, e conta com apoio da Fundação Banco do Brasil. Estamos modernizando as unidades, com energia solar, sala de vacina, autoclave, eletrocardiograma e outros equipamentos que permitem resolver problemas comuns sem que o paciente precise se deslocar até a cidade”, disse.

UBS de Curi foi a primeira a receber kit UBS.

“Aqui no São Pedro já tínhamos a unidade, mas agora ela foi renovada, com profissionais capacitados, energia solar e teleconsulta. Isso amplia os serviços oferecidos à população ribeirinha”, explicou o secretário municipal de Saúde de Santarém, Everaldo Martins.

Apresentação de danças musicais e do Gran Circo Mocorongo marcou noite cultural.

Na comunidade Curi, o presidente da associação de moradores, Joelson Costa Lopes, lembrou a participação da comunidade. “Foi uma honra receber esses equipamentos que vão ajudar muito nos atendimentos. O comitê criado pelo PSA permitiu que acompanhássemos de perto e colaborássemos para que isso acontecesse”, contou.

O projeto também promove capacitações e acompanhamento técnico. Caio Cruz, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), explicou que a conectividade e a estabilidade energética contribuem para reduzir a subnotificação. “Nossa equipe capacitou profissionais sobre registro e indicadores de saúde. Agora eles poderão alimentar o sistema diretamente da UBS, com acompanhamento pelos próximos 12 meses”, disse.

Além de órgãos públicos e institutos, a iniciativa conta com apoio do setor privado. Representando a RD Saúde, Larissa Fernandes destacou a parceria feita via a revista Sorria, vendida nas farmácias da rede. “É impactante ver como as pessoas dependem desse atendimento. O projeto também ensina cuidados em saúde, trazendo benefícios que vão além da unidade, envolvendo toda a comunidade e as futuras gerações”, afirmou.

UBS da Floresta

O projeto UBS da Floresta tem como objetivo qualificar os serviços e ações de atenção primária à saúde em áreas rurais remotas da bacia do rio Tapajós e da Ilha do Marajó, no Pará. A atuação se concentra nos municípios de Santarém, Itaituba, Jacareacanga, Curralinho e Salvaterra, alcançando populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas que vivem em microrregiões com comunidades satélites.

Ao todo, serão contempladas 24 unidades — 12 em Santarém (oito no Arapiuns, três no Baixo Tapajós e o barco-hospital Abaré II), cinco em Jacareacanga, uma em Itaituba, quatro em Salvaterra e duas em Curralinho. Essas UBS atenderão diretamente cerca de 10 mil pessoas e indiretamente mais de 30 mil, incluindo povos indígenas de cinco etnias diferentes e comunidades quilombolas do Baixo Amazonas e do Marajó.

Fotos: Viviane Borari.

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