Nova expedição da Ação Cidadania, levou atendimentos de saúde, assistência social, documentação, orientação jurídica e atividades educativas para moradores da aldeia e de comunidades vizinhas
Realizada na Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima no dia 19 de junho, a programação reuniu instituições públicas e organizações parceiras para ofertar serviços que normalmente exigem deslocamento até a sede urbana de Santarém. Entre os atendimentos disponibilizados estiveram emissão e regularização de documentos, consultas médicas e de enfermagem, vacinação, testes rápidos, atendimento odontológico, orientações sobre programas sociais, cadastro da agricultura familiar e serviços voltados à garantia de direitos.
O Projeto Saúde e Alegria (PSA) participou da ação com atividades de arte e educação voltadas à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes, promoção dos direitos da infância e prevenção de acidentes com crianças pequenas. A Ação Cidadania foi realizada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), em parceria com a Prefeitura de Santarém, Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA), Fundação Konrad Adenauer (KAS) e Projeto Saúde e Alegria, reunindo instituições para ampliar o acesso da população do Rio Arapiuns a serviços públicos e atividades educativas.

Representando a gestão do território Terra Preta, Dinael Arapiun, destacou a importância da presença dos serviços públicos nas comunidades do interior. “Para nós, povos indígenas que habitamos dentro do território Terra Preta, é de fundamental importância essa vinda desta ação social. Quero dizer aos parentes indígenas do povo Arapium que devem aproveitar esses momentos, principalmente nós que estamos nessa luta, de organização social do nosso território”, conta.
A diretora da Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, Socorro Cardoso, ressaltou que a realização da ação na aldeia reduz dificuldades enfrentadas pelas famílias para acessar serviços na cidade. “Para a gente se deslocar daqui para Santarém, para tirar um documento, é muito difícil. Tem os gastos e tem tudo. Essa ação que está acontecendo hoje aqui na nossa escola é muito importante”, afirmou.
A cacica da Aldeia Nova Vista, Iché Pereira, lembrou que a comunidade aguardava a realização da iniciativa. Ela destacou que os atendimentos responderam a demandas apresentadas pelas lideranças locais e contribuíram para o acesso a serviços nas áreas de documentação, saúde e cuidado com os animais. “Nós indígenas, nós ribeirinhos e todos os quilombolas precisamos ter essas ações nas comunidades e aldeias. Estou feliz que o nosso pedido foi atendido”, declarou.

A pedagoga Cleonice Castro dos Santos, do Núcleo Indígena da Secretaria Municipal de Educação (Semed), enfatizou a importância da regularização documental para os povos indígenas. Ela observou que a ação aproximou serviços que muitas vezes são de difícil acesso e contribuiu para que moradores atualizem documentos e incluam o reconhecimento de sua identidade indígena nos registros oficiais.
Pelo Projeto Saúde e Alegria, a assistente social Idia Santos avaliou que a realização da ação dentro do território facilita o acesso da população aos serviços públicos. “Muitas vezes a viagem da comunidade para a cidade leva até 12 horas de barco. Quando a política pública vem para a comunidade, isso facilita muito para a população”, afirmou.
Entre os atendimentos realizados durante a programação, moradores puderam encaminhar processos de regularização civil. Foi o caso de Valter Pereira Corrêa, que iniciou os procedimentos para formalizar sua união. Morador da região há cerca de duas décadas, ele relatou que a oportunidade de resolver a documentação sem precisar se deslocar até Santarém representa um avanço para as famílias da comunidade.





























