Mulheres de cinco comunidades da região do rio Arapiuns participaram, na comunidade Vila Brasil, de uma oficina criativa voltada ao aprimoramento técnico do artesanato com palha de tucumã. A atividade integra as ações da Escola Floresta Ativa e foi promovida pelo Projeto Saúde e Alegria e Turiarte com apoio da Fundação Toyota
Com o aumento da demanda por produtos artesanais feitos a partir da palha de tucumã, a Cooperativa Turiarte que atua com turismo e artesanato de base comunitária, sentiu a necessidade de fortalecer trocas de saberes e aprimorar as técnicas da produção. A coordenadora de negócios comunitários e gênero do Projeto Saúde e Alegria Olívia Beatriz destacou que a proposta da oficina é ampliar as possibilidades de produção com foco na qualidade do acabamento: “Tem diversas mestras artesãs que estão aqui e que estão passando conhecimento do refinamento do artesanato da palha do tucumã”.
A Turiarte reúne atualmente 114 mulheres que atuam com turismo e artesanato em 12 comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e do território PAE Lago Grande. Natália Dias, presidente da cooperativa, explica que o crescimento da comercialização nacional e internacional exige maior padronização nas peças: “A gente está crescendo tanto nacionalmente como internacionalmente, fazendo venda a nível internacional também. Houve essa demanda de melhorar a técnica do artesanato”.
O intercâmbio entre mulheres experientes e jovens artesãs favoreceu o compartilhamento de histórias de aprendizado e continuidade do ofício. Maria Tapajós, da comunidade Urucureá, lembrou que aprendeu a trançar ainda pequena, observando a mãe: “Com sete anos já comecei a pegar na palha para trançar, e ela ensinava a gente”. Ela destaca a importância do artesanato como fonte de sustento: “É a principal fonte de renda para a gente. Já consegui tecer muito para sustentar meus filhos, e, graças a Deus, para mim foi uma fonte de renda, até hoje, muito valorosa”. Na comunidade, o uso da palha do tucumã é feito com manejo, respeitando o tempo de regeneração da planta: “Se a gente for tirar muito, muito, por exemplo, uma guia de palha, tirar hoje, quando ela nascer daqui com um mês ou 20 dias, ela já nasce fraca. Então a gente não faz isso”, conta.
Deise Pereira, moradora da Vila Brasil, participou pela primeira vez da oficina e destacou o desejo de repassar o aprendizado às novas gerações: “Vou levar pro resto da vida. Aqui vou estar ensinando às minhas filhas, à minha neta, meus colegas que não tão aqui para aprender. Eu posso estar repassando”.
Com o fortalecimento da atividade, impulsionada pelas formações do Programa de Economia da Floresta do PSA, as artesãs contam que a forma de comercializar mudou. “No começo a gente fazia muito aleatoriamente, vendia pra atravessadores. Não tinha essa visão longe. Foi através de uma oficina da Saúde e Alegria que despertou o interesse em nós trabalhar e trabalhar unido”, explica Lucicleide Lopes, da comunidade São Miguel. Ela também ressaltou o valor do intercâmbio para o aprimoramento técnico: “Mesmo que a gente saiba fazer, mas não tem aquele acabamento final assim de mão de fada”.
As participantes contam que oficina a ajudou a compreender o modo de produção de peças conhecidas mas com técnicas novas. “Eu tinha visto a peça, mas eu não tinha ideia de como que era. Aí, como a professora tava orientando, eu já fui só pegando harmonia, já consegui”, explicou Nilceney Viana da comunidade Arimum.
Além de promover renda, o artesanato se articula com o turismo de base comunitária, em que as próprias artesãs atuam como anfitriãs nas comunidades, ensinam as técnicas de trançado e tingimento, e oferecem alimentação regional. Segundo Olívia Beatriz, essa integração fortalece a permanência das mulheres em seus territórios: “As jovens têm uma perspectiva de geração de renda dentro da comunidade, dentro da floresta, diminuindo a necessidade de estarem saindo da cidade para conseguir algum recurso”.
Cerca de 200 mulheres têm sido diretamente beneficiadas pelas ações que integram a sociobioeconomia e o turismo de base comunitária na região. A valorização do saber local e a permanência no território têm se mostrado estratégias fundamentais para o fortalecimento da economia da floresta.






