Comunidade de Curi celebra espaço acolhedor voltado à primeira infância

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Localizada na região do Arapiuns, a comunidade de Curi passou a contar com um Espaço Acolhedor na unidade de saúde local. A iniciativa integra ações do Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Fundação Van Leer, sendo o segundo espaço entregue na região, voltado ao acompanhamento de cuidadores, gestantes, bebês e crianças na primeira infância.

Destinado a proporcionar um ambiente físico integrado à unidade de saúde, o espaço conta com brinquedos e jogos educativos, cadeira para bebês, banheira com trocador, livros e mobiliário confortável, garantindo mais bem-estar às famílias. A proposta fortalece o acompanhamento do pré-natal, vacinação e práticas essenciais nos primeiros meses de vida, como amamentação exclusiva, manejo de cólicas e desenvolvimento infantil saudável.

Com o fortalecimento das estruturas físicas [Leia aqui reportagem sobre a UBS da Floresta], o Espaço Acolhedor também busca promover segurança emocional, criando um ambiente onde as crianças se sintam confiantes e acolhidas, fortalecendo vínculos afetivos desde os primeiros anos de vida.

A iniciativa vai além da estrutura física e aposta na formação de uma rede de apoio entre famílias e profissionais. “A psicologia tem um papel fundamental ao levar informações por meio de práticas de cuidado e prevenção, ajudando as comunidades a tomar decisões, lidar com frustrações e, principalmente, construir uma rede de apoio com vínculos saudáveis no contexto social e familiar”, destacou a psicóloga Altair Miranda. “Esse trabalho envolve diálogo aberto sobre sentimentos, reconhecimento de limites e fortalecimento dos vínculos sociais, com base no acolhimento e na orientação.”

A proposta também incentiva a troca de experiências entre cuidadores, promovendo um ambiente coletivo de apoio. “É um espaço de troca, de cuidados e de interação entre os cuidadores para fortalecer os pais das crianças junto com a equipe de saúde”, destacou a assistente social do PSA, Efraína Barbosa.

Profissionais da unidade relatam mudanças significativas no dia a dia das famílias. A agente comunitária de saúde Maria Isolete Alves Rodrigues, que atua na Aldeia Esperança e nas comunidades de Curi e Nazário, ressalta que o espaço tem ajudado no acolhimento durante os atendimentos. “No dia do atendimento, temos mais de 25 crianças. Enquanto uma mãe entra, as outras ficam no espaço brincando. Antes, não tínhamos como acolher”, afirmou. Ela também destaca a mudança na percepção das crianças sobre a unidade. “O brinquedo cria um momento de interação entre mãe e filho. A unidade deixa de ser um lugar de medo e passa a ser um ambiente acolhedor”.

A enfermeira responsável pela unidade reforça a importância da iniciativa no cotidiano da comunidade. “A gente percebeu que muitas crianças vivem afastadas umas das outras, sem momentos de interação, e o mesmo acontece com as mães. O Espaço Acolhedor veio justamente para suprir essa necessidade, criando um momento de encontro, de troca e até de lazer dentro da unidade de saúde”, explicou Larissa Miranda.

Segundo ela, a participação das equipes multiprofissionais fortalece ainda mais a proposta. “Tivemos psicólogos, assistente social e outros profissionais contribuindo com esse momento, que também é de desenvolvimento das crianças. A gente acompanha desde recém-nascidos até sete anos e consegue observar como elas interagem, crescem e se desenvolvem.”

Larissa também destaca o impacto positivo entre as famílias. “As mães gostam, as crianças gostam, e isso mostra que o espaço veio para somar. É algo que deveria chegar a todas as unidades básicas de saúde”, completou. Além do atendimento clínico, o espaço contribui para aproximar famílias e equipe de saúde, ampliando o acesso à informação sobre direitos das crianças e serviços públicos disponíveis.

UBS da Floresta

Curi foi a primeira Unidade Básica de Saúde reformada e entregue em 2025 dentro do projeto UBS da Floresta, uma iniciativa do Projeto Saúde e Alegria em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, com investimento da Fundação Banco do Brasil e apoio técnico do IEPS.

O projeto tem como objetivo qualificar os serviços de atenção primária em áreas rurais remotas da bacia do Tapajós e da Ilha do Marajó, atendendo populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas.

O modelo combina melhoria da infraestrutura, entrega de equipamentos, implantação de tecnologias sociais, uso de energias renováveis, conectividade e formação continuada dos profissionais de saúde, fortalecendo o atendimento em territórios de difícil acesso

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