Roda de conversa realizada a bordo da Expedição ‘Navegando contra o fim do mundo’ reuniu Antônio Nobre e Davi Yanomami em Belém durante a COP30
A expedição Navegando contra o fim do mundo promoveu, em 14 de novembro, um encontro de xamãs (lideranças espirituais de povos indígenas e tradicionais). A roda de conversa que discutiu ancestralidade a bordo do barco que percorre a região e reuniu o filósofo-xamã Davi Kopenawa, o cientista Antônio Nobre e com a participação do médico, fundador e coordenador do PSA, Eugênio Scannavino.
Davi Kopenawa apresentou a cosmologia Yanomami, citando o início da queda do céu, a formação do mundo, e como o homem-branco (chamado por eles de homem-mercadoria), só vê tudo como recurso. Ele reforçou que a situação atual já afeta diretamente as comunidades e afirmou que o respeito a floresta é um princípio ancestral das populações indígenas.
“Vocês falam é união. Tem que olhar primeiro a união, antes de destruir. Cortar as árvores e a água vai viajar para outro lugar. E a terra fica seca. Os troncos de árvore ficam secos. Você joga fogo, o fósforo ele pega fogo, ele vai queimar tudo. Até a queimar a terra fica tudo seco. É por isso que o homem branco se mata. Milhares e milhares árvores derrubado, matando. E a calor cresce. Fica calor, morre o peixe, morre as árvores”, destacou.
No encontro que juntou a ciência da floresta e ciência napë, o pesquisador Antônio Nobre falou sobre os efeitos das mudanças climáticas observados na Amazônia e descreveu o planeta em estado crítico, apontando que a recuperação depende de ações que reduzam as causas já conhecidas da crise. Ele explicou que estudos científicos demonstram os efeitos da degradação ambiental sobre o regime das chuvas, a temperatura e os ciclos naturais.
O médico Eugênio Scannavino, fundador e coordenador do Projeto Saúde e Alegria, citou que “estamos todos nós temos que navegar contra o fim do mundo”. Ele destacou que “Davi e o Antônio Nobre são pessoas muito sábias, vão da ciência e o outro da ciência, da ciência da natureza” e que: “O céu vai cair como os geólogos têm medo que o céu caia, se a gente não cuidar do nossa mãe terra, eles falaram que vai depender do que a gente fizer de cada um de nós”.

Maiá Chuad, assessora da Hutukara Associação Yanomami destacou que a integração das duas ciências no encontro é fundamental para combater a narrativa de que a única ciência válida é a da academia. “Muitas vezes a ciência é como se diz prepotente, se acha que se acha que o único conhecimento que importa é o conhecimento científico, acadêmico e esquece do conhecimento tradicional das populações”.

Caetano Scannavino lembrou que o barco em expedição para a Conferência das Partes, “tem proporcionado esses momentos tensos, cientificamente falando, e divertido ao mesmo tempo”.
“De ontem para hoje surgiu a possibilidade desse encontro e a coisa aconteceu tão rapidamente, nem a gente imaginava, tamanho sucesso, mobilização de pessoas poder estar reunindo aqui no barco e o recado hoje ainda foi mais avançado ainda do que nesses anos atrás e o que me conforta de certa maneira é esse trabalho dos pajés, dos xamãs que estão sendo feito tá sendo feito para evitar que a do céu, eles estão fazendo a parte deles, eles precisam fazer a nossa”, contou.






