Duas novas UBS da Floresta adaptadas às mudanças climáticas são inauguradas em Salvaterra, no Marajó

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Unidades de Bairro Alto e Campinas fortalecem a atenção primária em territórios quilombolas e integram pacote de tecnologia, formação e participação comunitária

O município de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, passou a contar com mais duas Unidades Básicas de Saúde da Floresta (UBS da Floresta). As unidades de Bairro Alto e Campinas foram inauguradas em clima de festa, reunindo moradores, equipes de saúde, lideranças comunitárias e movimentos sociais, em mais um passo do projeto que adapta a atenção primária às realidades amazônicas e aos desafios das mudanças climáticas.

A iniciativa é do Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Salvaterra, com apoio técnico do IEPS e financiamento da Fundação Banco do Brasil. As entregas fazem parte do processo de implementação das 24 UBS da Floresta previstas pelo projeto, sendo seis no Marajó. Em Salvaterra, a previsão é chegar a quatro unidades; a expansão segue ainda para outros municípios do arquipélago, como Curralinho.

A cerimônia foi marcada por apresentações do Gran Circo Mocorongo, transformando a entrega em um momento de celebração coletiva. Para além da infraestrutura física, o modelo da UBS da Floresta combina tecnologia, formação profissional, educação em saúde e controle social, buscando garantir que os serviços funcionem de forma contínua e adequada aos territórios.

A enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria, ressaltou que a entrega das unidades em Salvaterra representa um avanço concreto em um contexto de crise climática que exige soluções práticas. Ela destacou que as UBS contam com conectividade, sala de vacinas e equipamentos essenciais, além de integrar a estratégia de expansão do modelo no Marajó.

Na comunidade de Vila União, onde está localizada a UBS de Campinas, a coordenadora executiva do Programa de Saúde Comunitária do PSA, Sônia Bonici, destacou que o trabalho envolveu reformas, aquisição de equipamentos e capacitação das equipes de saúde. O processo incluiu a qualificação para uso adequado das tecnologias e o fortalecimento da coleta de indicadores, fundamentais para a gestão do cuidado. Para ela, cada entrega reafirma a parceria com a Fundação Banco do Brasil e o compromisso com uma saúde que chegue onde historicamente o poder público tem mais dificuldade de atuar.

O kit tecnológico das UBS da Floresta inclui internet de banda larga, em parceria com a Rede Conexão Povos da Floresta, permitindo notificações remotas e ações de telessaúde com especialistas. As unidades contam ainda com eletrocardiograma, nebulizadores para atendimentos a problemas respiratórios, geladeira para armazenamento de vacinas, entre outros equipamentos que ampliam a resolutividade da atenção básica em áreas isoladas.

Representando o poder público municipal, o vice-prefeito Nivaldo Nascimento afirmou que a entrega das unidades é um momento marcante para Salvaterra e agradeceu às parcerias que viabilizaram a chegada dos equipamentos às comunidades, destacando o papel conjunto do PSA, da Fundação Banco do Brasil e da Prefeitura.

A inauguração também foi acompanhada por movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Para Beatriz, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a experiência é valiosa por colocar os sujeitos quilombolas no centro das ações de saúde comunitária. Ela destacou que saúde, para os movimentos populares, está diretamente ligada à capacidade de enfrentar as opressões e defender os territórios.

Na mesma linha, Miguel Dantas, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), avaliou as UBS de Campinas e Bairro Alto como conquistas concretas construídas a partir da articulação entre comunidades, movimentos sociais, Projeto Saúde e Alegria e Fundação Banco do Brasil. Para ele, o momento simboliza um caminho baseado na união e na luta coletiva.

A representante do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, Marta Geane, ressaltou que o projeto amplia as condições de cuidado em regiões distantes dos centros urbanos, onde muitas vezes existem prédios, mas faltam equipamentos e tecnologias adequadas. Ela destacou a importância da iniciativa para as comunidades quilombolas e para a sociedade como um todo.

Rodrigo Leitão, do coletivo Pororoca, apontou que as UBS da Floresta representam um ganho de política pública voltado ao cuidado em territórios quilombolas e indígenas, dialogando com pautas como transição energética justa e economias locais. Para ele, quando a política pública chega a esses territórios, é motivo de celebração.

A secretária municipal de Saúde de Salvaterra, Gabriela Portal, enfatizou que a reinauguração da UBS de Campinas, com novos equipamentos, fortalece o cuidado em saúde na comunidade de Vila União. Ela destacou a parceria com o Projeto Saúde e Alegria, a Fundação Banco do Brasil como principal financiadora e a contrapartida da Prefeitura na reforma das unidades, além da capacitação dos profissionais de saúde.

Com a expansão do modelo no arquipélago do Marajó, as UBS da Floresta se consolidam como uma resposta concreta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, às distâncias geográficas e às desigualdades históricas no acesso à saúde.

Fotos: SEMUSA/Jorhan Chagas

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