Filtros de nanotecnologia são distribuídos no Pará e Rondônia e auxiliam comunidades atingidas por hidrelétrica

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Em resposta à crise hídrica agravada pela seca histórica que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está distribuindo 500 filtros de nanotecnologia para comunidades afetadas nos estados de Rondônia e Pará. A ação é resultado de uma parceria entre o MAB, o Projeto Saúde e Alegria, Water is Life, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 14ª Região.

Os filtros doados utilizam uma micromembrana capaz de reter até 99,9% de vírus, bactérias e impurezas, oferecendo uma alternativa de baixo custo para o tratamento de água em áreas onde o acesso à água potável é precário ou inexistente. O equipamento é composto por um balde de 20 litros com tampa, filtro com nanotecnologia e uma seringa para retrolavagem.

No estado de Rondônia, os filtros estão sendo entregues a famílias ribeirinhas da região do Baixo Madeira, no município de Porto Velho. As comunidades atendidas incluem Brasileira, São Carlos, Bom Será, Boca do Jamari, Terra Firme e Terra Caída.

“Esses filtros são importantes para que essas famílias tenham acesso à água potável. O Rio Madeira tem muito sedimento e não é adequado para o consumo direto. Não há sistema de tratamento nessas comunidades. A nanotecnologia que conhecemos por meio do Saúde e Alegria vai contribuir para que crianças e idosos tenham acesso a água segura”, afirmou Célio Muniz, da coordenação nacional do MAB em Rondônia.

Filtros oferecem alternativa de tratamento seguro para água barrenta. Fotos: RECUNIRRO.

Com a cheia atual do Rio Madeira, que chegou a 16,73 metros, muitas famílias estão ilhadas e sem acesso à água tratada. A situação se repete em anos alternados, com períodos de seca extrema e cheias intensas que afetam diretamente a segurança hídrica das comunidades.

A moradora da comunidade Vila do Jacu desde 2014, Francisca Trindade relatou os impactos das mudanças climáticas: “A enchente de 2014 acabou com tudo. Ano passado, a seca acabou de novo. As águas estão mudando. Estou fazendo farinha, mas muitas bananas já se estragaram. É dali que tiramos nossa alimentação.”

Thelma Temes, da comunidade Brasileira, destacou a dificuldade no abastecimento: “Durante a seca, tivemos entrega de água apenas duas vezes. Foram três tabletes de água por pessoa. Uma pessoa precisa de pelo menos dois litros por dia. Naquele calor, a necessidade era ainda maior.”

No Pará, 100 famílias ribeirinhas das ilhas de Cametá serão beneficiadas com os filtros. A região é impactada pela Hidrelétrica de Tucuruí desde a década de 1970. As comunidades atendidas incluem As comunidades que serão atendidas são: Paruru do Meio, Paruru de Cima, Cuxipiari Rio, Cuxipiari Carmo, Praticaia Costa, Juruate, Tabatinga 1, Capiteua de Carapajó, Várzea São José, Guajará de Baixo, Guajará Costa, Murutizal, Juba de Baixo, Santa Rosa, Mapiraí de Cima, Mapiraí de Baixo, Jacaré Xingu, Ilha Gama, Ilha Caripi, Ilha São Sebastião, Beira da Várzea, Mapeuá 1, Paruruzinho, Ten-Tém, Tabatinga 2, Mapiraízinho, Praticaia e Paruru de Baixo.

“A região vive uma grande contradição: há água por todos os lados, mas ela não é própria para consumo. As famílias precisam buscar água tratada na comunidade de Carapajó. Os filtros vão dar mais autonomia e qualidade de vida, pois agora a água para beber e cozinhar poderá ser filtrada localmente”, explicou Sueyla Malcher, da coordenação regional do MAB no Pará.

As populações ribeirinhas enfrentam os efeitos da construção da hidrelétrica, que alterou os ciclos naturais do rio Tocantins, impactando a pesca e os modos de vida tradicionais. O fornecimento dos filtros representa uma medida emergencial frente a uma realidade de exclusão histórica do acesso ao saneamento básico.

Para o Projeto Saúde e Alegria que iniciou a estratégia de uso de filtros de nanotecnologias para comunidades ribeirinhas, prejudicadas pela falta de água potável, fazer a experiência ganhar escala e replicabilidade para outras regiões é uma necessidade: “Transformando água suja, barrenta em água potável. Isso vem sendo bastante útil, principalmente nesta situação de estiagem severa, onde comunidades isoladas, próximas apenas de um fio d’água muito barrento conseguem converter aquela água em água de qualidade para consumo. São filtros de baixo custo, fácil transporte, baixa manutenção. Chega a durar cerca de dois anos e meio até 5 anos e deveriam ser escalados via políticas públicas para que essa tecnologia possa alcançar um número maior de famílias que precisam” – destaca Caetano Scannavino, coordenador da ONG.

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