Equipada com equipamentos de ponta, Unidade Básica de Saúde Indígena de aldeia em Itaituba foi entregue reformada
A aldeia Sawré Muybü, no território Munduruku do Médio Tapajós, recebeu nesta quarta-feira (04) a primeira Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) implantada pelo projeto UBS da Floresta do Projeto Saúde e Alegria. A estrutura integra um conjunto de ações voltadas à qualificação da atenção primária em regiões remotas da Amazônia.
A cerimônia de inauguração contou com uma mesa formada por representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena Rio Tapajós (DSEI-RT/SESAI), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da coordenação geral do Projeto Saúde e Alegria (PSA). Também participaram a representante da Associação Pariri, Aldira Akay Munduruku, os caciques Juarez Saw Munduruku, da aldeia Sawré Muybu, e Valtu Dace Munduruku, cacique da aldeia Dace Watpu, além do enfermeiro da UBSI, Dagvaldo Dace Munduruku. O encontro reuniu lideranças indígenas, profissionais de saúde e representantes institucionais envolvidos na implantação da unidade.
Para o cacique Juarez Sá Munduruku, a chegada dos equipamentos representa uma ampliação da capacidade de atendimento na aldeia. “Hoje é dia 4 de março, né? Que hoje a gente está recebendo o equipamento da unidade aonde ela possa atender a saúde melhor, né? Da população Munduruku daqui do Médio Tapajós”, afirmou.
A unidade recebeu equipamentos utilizados na atenção primária, entre eles nebulizadores, autoclave, eletrocardiógrafo digital, oxímetro, termômetros, glicosímetro, sonar fetal, kits de emergência e materiais para remoção de pacientes. Também foram entregues kits destinados a agentes comunitários de saúde e parteiras. Ju

A estrutura inclui ainda sistema de energia solar off-grid ou híbrido (solar-diesel), internet via satélite e geladeiras para armazenamento de vacinas, o que permite o funcionamento contínuo da unidade em áreas de difícil acesso.
Profissionais que atuam na unidade relatam que parte desses equipamentos não estava disponível anteriormente. O enfermeiro Dagvaldo Dace Munduruku afirmou que a chegada dos materiais amplia as possibilidades de atendimento. “Hoje a gente tá tendo essa oportunidade de ter esses aparelhos que antes a gente não tinha”, disse. Ele citou a ausência de equipamentos básicos na rotina da unidade. “Não tinha um eletrocardiograma, não tinha um desfibrilador.”
Os novos instrumentos devem contribuir para o fortalecimento do trabalho da equipe. “É muito gratificante para a gente receber esse material e assim tentamos fazer o melhor possível dentro da saúde, o atendimento, a educação em saúde. Acredito que daqui para frente vai trabalhar de forma mais diferenciada.”
O médico Leoni Souza, que participou da inauguração representando o DSEI Tapajós, afirmou que a estrutura reforça o atendimento oferecido na aldeia. “Hoje aqui na inauguração da UBSI da aldeia Sawré Muybu nós estamos, através de Saúde e Alegria, recebendo equipamentos novos como desfibrilador, autoclave, eletrocardiograma”, declarou. “Esses materiais vão nos ajudar a dar um reforço e uma melhor qualidade de atenção à saúde aos povos indígenas aqui da aldeia.”
A iniciativa integra o projeto UBS da Floresta, coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) em parceria com DSEI Rio Tapajós, apoio técnico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e financiamento da Fundação Banco do Brasil. A coordenadora do programa de saúde comunitária da organização, Sônia Bonici, destacou que a entrega na aldeia marca uma nova etapa da iniciativa. “Estamos aqui fazendo a nossa décima primeira entrega do projeto BSI da floresta”, disse. “Fizemos pela primeira vez a entrega de uma UBS voltada para acolhimento e atendimento da população indígena.” A iniciativa também busca melhorar as condições de trabalho das equipes de saúde que atuam em áreas isoladas. “Trazer qualidade de vida para o profissional que fica dentro da floresta é gratificante.”

O projeto prevê investimento de R$ 10 milhões da Fundação Banco do Brasil cuja proposta é estruturar 24 unidades de atenção primária em territórios indígenas, ribeirinhos e quilombolas na bacia do Tapajós e na Ilha do Marajó. As unidades serão distribuídas nos municípios de Santarém, Itaituba, Jacareacanga, Curralinho e Salvaterra.
A expectativa é atender diretamente cerca de 10 mil pessoas e alcançar indiretamente mais de 30 mil moradores dessas regiões, incluindo povos indígenas de cinco etnias e comunidades quilombolas do Baixo Amazonas e do Marajó.
A presença de profissionais de saúde em áreas remotas da Amazônia, no entanto, continua sendo um desafio. O médico Eugênio Scannavino, do Projeto Saúde e Alegria, destacou as condições de trabalho enfrentadas pelas equipes.
“Não é todo médico, nem todo enfermeiro que quer sair do ar-condicionado e do conforto do seu carrinho para voltar para casa todo dia”, afirmou. “Sair para vir para área isolada, para trabalhar com indígena, não é todo mundo.” Ele ressaltou o papel dos agentes indígenas de saúde e das equipes que atuam diretamente nas comunidades. “Eu admiro, são meus heróis. Os agentes indígenas estão na linha de frente, ali na área isolada, trabalhando muito.”
A implantação da UBSI em Sawre Muybu faz parte da estratégia do projeto de ampliar o acesso à atenção primária em comunidades de difícil acesso, combinando infraestrutura, equipamentos, conectividade e formação continuada para profissionais de saúde.



















