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Economia da Floresta

Indígenas mundurukus investem no manejo de abelhas sem ferrão

Indígenas mundurukus investem no manejo de abelhas sem ferrão
Divisor de seção

Oficina na aldeia Morro do Careca, em Jacareacanga, reuniu representantes de 13 aldeias e combinou atividades teóricas e práticas sobre o manejo de colônias

Indígenas de 13 aldeias Munduruku participaram, entre os dias 15 e 16 de julho, de uma oficina de meliponicultura realizada na aldeia Morro do Careca, no município de Jacareacanga, sudoeste do Pará. A formação foi conduzida pelo Programa de Economia da Floresta do Projeto Saúde e Alegria (PSA).

Além da comunidade anfitriã, a atividade reuniu participantes das aldeias Caracol, Akay Muybu, Korap, Crepoca, Warery, Ayperep, Wareri, Tamanqueira, Nova Anipiri, Patuazal, Nova Trairão e Missão. A oficina foi ministrada por Alex Gonçalves, técnico em agropecuária do PSA que atua no fortalecimento da cadeia da meliponicultura. A proposta foi compartilhar conhecimentos sobre a criação e o manejo de abelhas nativas sem ferrão. “Levamos conhecimentos sobre a criação de abelhas para que os participantes possam desenvolver essa atividade dentro de suas próprias aldeias. O curso teve aulas teóricas e práticas”, explicou.

Indígenas mundurukus investem no manejo de abelhas sem ferrão
Na atividade prática, os participantes acompanharam a captura de um enxame na floresta e sua transferência para uma caixa apropriada

No primeiro dia, os participantes conheceram a organização de uma colônia e as funções exercidas pela rainha, pelas operárias e pelos zangões. Também foram apresentados os produtos fornecidos pelas abelhas, como mel, cera, própolis e pólen, além dos cuidados necessários para o desenvolvimento dos enxames.

O cacique Laurimar Dace, da região Anipiri, destacou que a formação representa uma oportunidade de transmitir os conhecimentos às novas gerações. “Estamos procurando aprender para ensinar nossos filhos e nossos netos, para que eles também aprendam a cuidar da floresta e saibam diferenciar o que faz bem e o que faz mal para o nosso território”, destacou em sua língua materna.

A programação prática foi realizada no dia seguinte e incluiu a captura de um enxame na floresta e sua transferência da árvore para uma caixa apropriada, posteriormente levada ao meliponário. Os participantes também acompanharam a multiplicação de colônias e puderam observar a estrutura interna das colmeias, identificando, na prática, a rainha, as operárias e outros elementos que compõem os enxames.

Indígenas mundurukus investem no manejo de abelhas sem ferrão
Durante a oficina, os participantes conheceram a organização das colônias e as funções da rainha, das operárias e dos zangões.

A formação ainda demonstrou como realizar a transferência de colônias mantidas em caixas rústicas e troncos de árvores para caixas modulares. Esse modelo facilita o acompanhamento, o manejo e a multiplicação dos enxames. “Mostramos o que existe dentro de uma colmeia, quem é a rainha, quem são as operárias e como fazer a multiplicação e a transferência dos enxames. Os participantes gostaram muito e disseram que pretendem trabalhar com a criação de abelhas em suas aldeias”, relatou Alex.

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A formação também incentivou o compartilhamento dos conhecimentos com crianças, jovens e outras comunidades do território Munduruku

A atividade é vista pelos participantes como uma alternativa capaz de combinar a conservação da floresta com a geração de renda nas comunidades. “Nosso objetivo é preservar a natureza, mas também queremos produzir e vender. Queremos fortalecer iniciativas que garantam o sustento e nos ajudem a melhorar juntos”, afirmou cacique Laurimar.

Como encaminhamento, uma nova etapa da formação deverá ser realizada ainda neste ano. A próxima oficina será voltada à fabricação de caixas para meliponicultura, possibilitando que os participantes produzam seus próprios equipamentos e possam capturar e manejar novos enxames.

Ao agradecer pela realização da oficina, Laurimar ressaltou a importância das parcerias para que os conhecimentos cheguem às diferentes regiões do território Munduruku. “O Saúde e Alegria está trazendo essa oportunidade para aprendermos. Quando voltarmos às nossas regiões, queremos compartilhar o que aprendemos e ensinar nossos filhos e netos”, afirmou.

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