Jogo educativo regionalizado orienta crianças sobre direitos e proteção durante Ação de Cidadania no rio Maró

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Expedição promoveu serviços essenciais como expedição de documentos, ações de assistência social e atividades educativas em Novo Lugar no rio Maró

Após horas de viagem, moradores de diferentes comunidades chegaram à Aldeia Novo Lugar para acessar serviços que, em muitos casos, só seriam possíveis na sede urbana de Santarém. A Ação Cidadania reuniu atendimentos de saúde, documentação e assistência social e atividades educativas voltadas ao público infantil, conduzidas pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA).

Enquanto adultos buscavam regularizar documentos e resolver pendências, crianças que acompanhavam suas famílias participaram de uma experiência diferente: o jogo “Os Mistérios da Cobra Grande”, uma metodologia criada por educadores e arte-educadores do PSA para dialogar com o público infantil de forma lúdica sobre temas sensíveis.

Montado como um percurso interativo, o jogo convidava as crianças a “entrar” na Cobra Grande e percorrer diferentes etapas, cada uma com imagens e situações do cotidiano. Ao longo do caminho, surgiam temas como proteção, confiança, direitos e convivência, apresentados em linguagem simples e acessível.

“A proposta é que a criança participe, interaja e reflita. Aqui elas vão entendendo, por exemplo, quem é um adulto de confiança, com quem podem conversar caso passem por alguma situação difícil ou vejam outra criança passando por isso”, explica Efraína Barbosa, assistente social do Projeto Saúde e Alegria.

A atividade apoiada pela Fundação Van Leer abordou a prevenção do abuso e da exploração sexual sem recorrer a termos técnicos, priorizando o diálogo direto com a realidade das crianças. Situações de negligência, cuidado com o próprio corpo e a importância de pedir ajuda foram trabalhadas ao longo do percurso.

Além da proteção, o jogo também trouxe conteúdos sobre direitos garantidos às crianças, como acesso à educação, merenda escolar, transporte, saúde e assistência. “A gente trabalha a ideia de que a criança tem prioridade nesses atendimentos e precisa saber que tem direito a ser cuidada e protegida”, acrescenta Efraína.

Deveres no convívio familiar e comunitário também aparecem ao longo do percurso do jogo. As etapas incentivam reflexões sobre respeito, cuidado com o outro e responsabilidade no dia a dia, reforçando valores importantes para a vida em comunidade. A proposta dialoga com o contexto da própria ação, que reuniu diferentes serviços públicos em um território de difícil acesso. Partindo de Santarém, o trajeto até a aldeia pode ultrapassar 14 horas de viagem. Ainda assim, moradores enfrentaram percursos longos para participar.

“É um território muito distante, e essa ação permite que as pessoas resolvam aqui questões importantes, como documentação e reconhecimento de paternidade, tudo de forma gratuita”, afirma Efraína.

Ação de cidadania

A iniciativa reuniu o Projeto Saúde e Alegria, o Ministério Público do Estado do Pará, a Prefeitura de Santarém e organizações indígenas, como o Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA). A presença das instituições garantiu desde emissão de documentos até atendimentos de saúde e orientações jurídicas.

“É uma satisfação retornar a esse lugar, onde já estive anos atrás, e agora participar de uma ação que garante direitos e fortalece esse vínculo com as comunidades”, afirma Derek Vasconcelos, promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará.

“Chegar até aqui exige esforço, mas é gratificante ver pessoas conseguindo emitir todos os seus documentos em um único dia”, destaca Valquíria Coelho, coordenadora do programa Puxirum, da Prefeitura de Santarém.

Quem participou destacou a importância de ações nas comunidades. “Se fosse para ir até Santarém, eu gastaria cerca de R$ 300. Aqui consegui resolver tudo e fui muito bem atendida”, relata Leni Piedade da Silva, moradora da comunidade Nova Canaã.

A ação também mobilizou jovens da região. “Foi difícil chegar, mas valeu a pena. A gente aprende coisas importantes, sobre saúde e sobre a nossa vida”, conta Maria Eduarda Piedade Rios, estudante.

“Essa foi a primeira Ação Cidadania construída a partir da articulação do CITA com o Ministério Público e os parceiros. Para nós, trazer esses serviços para um território tão distante fortalece a cidadania do nosso povo e também a nossa organização enquanto instituição”, afirma Lucas Tupinambá, coordenador do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA).

“A distância até Santarém torna o acesso muito caro para as famílias. Aqui, além dos documentos, as pessoas garantem também o direito de participar, de ter voz, especialmente em um ano eleitoral”, acrescenta.

“A gente saiu quatro horas da manhã para conseguir chegar. Foi difícil, mas valeu a pena. Consegui tirar as identidades dos meus filhos e ainda vamos fazer o cartão do SUS. Para nós, é importante porque evita um gasto muito grande para ir até Santarém”, relata Ana Maria Fernandes dos Santos, da comunidade São José III.

“Se a gente fosse para Santarém, só de passagem já daria um custo muito alto. Aqui conseguimos consulta e orientação. É uma oportunidade muito grande para quem mora no rio”, afirma Dalsina Alves Ferreira, da comunidade Fé em Deus.

“A gente saiu cedo de casa para tirar os documentos dos nossos filhos. É importante ter esses registros, ser reconhecido. Essas ações ajudam não só a nossa comunidade, mas várias outras que também precisam”, diz Rosilene Silva de Maranches, da comunidade Tem Deus.

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