Mais de 750 famílias ribeirinhas e indígenas são beneficiadas com banheiros construídos pelo Saúde e Alegria no PA

Dia mundial dos banheiros

Banheiros foram construídos através do programa Cisterna do Ministério do Desenvolvimento Social, coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria na região;

A falta de banheiros continua sendo um tema delicado em grande parte do país. Segundo o Instituto Trata Brasil, o Estado do Pará possuia 328.276 casas sem banheiros em 2019. Neste mesmo ano, o município de Santarém registrou 5.096 casas sem esse cômodo. Um dado preocupante que escancara lacunas sociais para populações em extrema vulnerabilidade.

O saneamento básico sempre foi uma preocupação do Projeto Saúde e Alegria que ainda na década de 80, identificou através de seu médico fundador, Eugênio Scannavino, uma série de doenças ligadas à veiculação hídrica e falta de condições básicas de higiene em comunidades da Amazônia.

Desde lá, o PSA tem implementado sistemas de água e saneamento. Através do Cisterna, construiu 757 banheiros para famílias PAE Lago Grande, Várzea, Flona, Resex Tapajós Arapiuns, PAE Montanha Mangabal nos municípios de Santarém, Itaituba e Belterra. “Esse projeto está bem espalhado. Está no médio Tapajós, junto às aldeias mundurukus, na região do Lago Grande, nas comunidades de várzea, do Rio Arapiuns e do Rio Tapajós. Tivemos diversas dificuldades, principalmente na questão do transporte e toda essa logística” – contou o gestor do programa de água do PSA, Carlos Dombroski.

Os banheiros tem auxiliado na melhora do saneamento básico na região. Com uma estrutura fixa, mudaram consideravelmente a rotina das famílias que usavam banheiros improvisados no quintal. “Banheiros completos, com placa de concreto, piso com lajota, sanitário, descarga, pia, chuveiro e a fossa em baixo do sanitário” – explicou o Coordenador de Acesso à Água e Energias Renováveis, Davide Pompermaier.

Para o Cacique Domingos da aldeia Bragança, a construção das unidades proporcionou um alívio para a população indígena: “Traz mais esperança de mais saúde, mais higiene pra nós. Por isso a gente está muito feliz por esse projeto ter trazido esse trabalho pra nossa aldeia”.

Modelo de tecnologia social com acesso à água e saneamento. Na foto, Cacique Domingos exibindo banheiro na Aldeia de Bragança em 2018.

O Tuxáua Léo da aldeia Takuara, lembra da contaminação a que eram expostos os moradores: “Antes a gente fazia uns banheirozinhos de madeira, fazia xixi e isso ficava em cima da terra. Aí criava aquele micróbio e isso pode estar até contaminando o ser humano. E com esses banheiros, poxa, vai ser muito legal”.

A estrutura usada até então, deu lugar a um banheiro seguro, sem necessidade de se deslocar no escuro, narram os moradores:

“A gente sempre teve um banheiro lá fora. Hoje em dia a gente tem dentro de casa. Não é mais preciso a gente ir pra fora” – Rosilene Santos, várzea de Santarém.

“Eu sinceramente, nunca pensei em ter um banheiro assim. Sempre que eu ia a cidade dizia a Isaias que é meu esposo, bora comprar uma pia, mas o dinheiro nunca dava” – Maria Alves, Marai.

“Era de palha né. Dentro tinha só um chuveiro” – Elciene Santos, Aldeia Bragança.

Banheiros antes do Projeto Cisterna no Lago Grande. Foto: Silvanei Rodrigues-PSA.
Cada casa da aldeia recebe banheiros, pia e água instalada na cozinha e estrutura com caixa dágua para armazenamento. Foto: Daniel Govino.
Banheiros suspensos, adaptados à realidade da várzea em Santarém. Foto: Poliane Batista/Sapopema.

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