Moradores das comunidades Pau da Letra e Mirixituba, localizadas na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, celebraram a instalação de tecnologias sociais de acesso à água potável, por meio do Programa Cisternas. As entregas contaram com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), da Casa Civil da Presidência da República e do Projeto Saúde e Alegria (PSA), responsável pela implementação local, atingindo mais de 1,4 mil famílias beneficiadas com tecnologias sociais
“A gente antes coletava água do rio que nem sempre é potável. A chegada do projeto foi um alívio”, contou Lucinelia Lameira, 42, moradora da comunidade do Pau da Letra, contemplada com sistemas de coleta e armazenamento de água da chuva e banheiros e que beneficia aproximadamente 70 pessoas de 18 famílias, proporcionando acesso à água potável por meio de tecnologias sociais de uso autônomo. A comunidade recebeu a visita do MDS e Casa Civil às estruturas já implantadas. Camile Sahb, do MDS, ressaltou que “o programa tem se mostrado importante para garantir água e efetivar o direito social à segurança alimentar”. Ela reforçou que as mudanças vão além da infraestrutura. “As famílias mudam a dinâmica delas, passam a ter um banheiro. Antigamente tinham que fazer as necessidades fisiológicas no mato”, ressaltou.

Em Mirixituba, um microssistema coletivo de abastecimento de água potável foi construído com participação direta da comunidade, em mutirão coletivo (puxirum). O coordenador do PSA, Caetano Scannavino, destacou que “a população que habita a maior bacia de água doce do mundo vive estresse hídrico”. A ausência de acesso à água de qualidade resulta em doenças que poderiam ser evitadas. “A principal causa da mortalidade infantil ainda é a diarreia, a desidratação”.
O PSA tem atuado na implementação de soluções comunitárias com foco em autonomia e governança local. Em parceria com organizações da região, visa melhorar a gestão dos recursos hídricos e aumentar a produtividade agrícola das comunidades, promovendo o desenvolvimento sustentável na região. A tecnologia implementada permite a captação e armazenamento de água da chuva, assegurando o abastecimento para consumo e atividades produtivas, além da implementação de banheiros com fossas simplificadas. O programa é uma iniciativa do Governo Federal, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e está sendo executado pela segunda vez na região do Tapajós, contemplando 744 famílias em cerca de 20 aldeias e comunidades indicadas pela Tapajoara e pelo CITA.
“Quando a população constroi junto, ela se sente partícipe, se apropria e se torna proprietária do sistema”, disse Scannavino. O trabalho inclui a criação de estatutos e regras de gestão estabelecidos pelos próprios moradores.
“A gente carregava água nos baldes. Hoje temos os reservatórios e os banheiros que mudaram a vida das famílias. Antigamente fazia buraco para usar os sanitários” – Madson Oliveira – morador de Pau da Letra.
A Casa Civil acompanhou as entregas nas duas comunidades. Irani Ramos, da Secretaria do PAC, destacou o esforço dos comunitários. “Eles tiveram que carregar 57 toneladas de material para o alto do morro. Foi uma grande conquista construída com apoio de vários atores”, afirmou. Ele também pontuou os desafios da região: “Apesar da abundância de água, muitas vezes é preciso tratá-la por causa da contaminação”.

A presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA) Margarete Maitapu, reforçou a importância do programa para as aldeias da Resex. “O programa Cisternas vai contribuir com certeza com essa população”, afirmou. Ela ressaltou que a implementação abrange não só Mirixituba, mas também outras aldeias e comunidades, com apoio do governo federal e do PSA.
“As ações do programa são inicialmente de processos sociais para que depois possa ser realizada a etapa construtiva, e o início dessa etapa coincidiu com o período de seca na região. A entrega das tecnologias é fruto das contrapartidas comunitárias, que desde o início envolveram-se na construção do projeto, e do trabalho realizado pelo PSA e SOMEC”, explicou Jussara Salgado, Coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.

A implementação desses sistemas em Pau da Letra e Miritituba integra um conjunto de ações do PSA voltadas para ampliar o acesso à água potável em comunidades da Amazônia. Na região, as obras são executadas pela SOMECDH. Iniciativas semelhantes estão sendo realizadas em outras comunidades, como a Aldeia Pajurá e Rosário. A meta é atingir mais de 2,5 mil famílias até 2026.
“Pra eles entenderem que eles vão ajudar no processo, que a participação coletiva é importante, isso precisa ter um trabalho junto. A gente começou o processo aqui em fevereiro, com reuniões e encontros. A partir daí, a gente vem fazendo o acompanhamento dessas comunidades. A gente tem a participação nos cursos de formação, onde todos os beneficiários tiveram que participar pra entender o que é o programa e de que forma ele funciona”, explicou a Coordenadora de Projetos da SOMEC-DH, Michele Patrícia Siqueira Monteiro.












