Profissionais de saúde de unidades básicas do alto Arapiuns participam de treinamento para uso de tecnologias em atendimentos

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Módulo da Educação Permanente em Saúde do Projeto UBS da Floresta promove capacitação e leva infraestrutura com sistema de energia solar e tecnologia para comunidades ribeirinhas do Alto Arapiuns

No período entre 30 de julho e 1º de agosto, profissionais de saúde do Alto Arapiuns participaram de um treinamento promovido pelo Projeto Saúde e Alegria no âmbito do projeto UBS da Floresta, que articula infraestrutura, tecnologia e formação para qualificar o atendimento em comunidades remotas. A ação integra a entrega de sistemas de energia solar, equipamentos médicos, conectividade via satélite e kits completos para Agentes Comunitários de Saúde.

O projeto contempla o fortalecimento das unidades básicas de saúde com sistemas solares para manter vacinas e equipamentos em funcionamento seguro, internet, oxímetros, detectores fetais e nebulizadores, além de balança, termômetro, lanterna e outros itens essenciais para o trabalho de base. O treinamento envolveu também orientações sobre uso de desfibriladores externos automáticos (DEA), técnicas de imobilização e primeiros socorros em situações de emergência com a presença de socorristas do SAMU.

“São unidades remotas, de longa distância, e essas unidades precisam desses equipamentos para melhorar a qualidade dos atendimentos e principalmente realmente tá ali fazendo a estabilização e salvando vidas”, destacou a enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria. O investimento em equipamentos e formação tem potencial direto de salvar vidas. Durante o treinamento, o foco esteve nas condutas imediatas necessárias até a chegada de uma ambulância ou resgate aéreo, diante das dificuldades de acesso. “Essas condutas realmente salvam vidas. Precisa às vezes estabilizar o paciente até o momento da remoção, já que eles estão em áreas remotas”, explicou.

Caio Cruz, consultor do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), o projeto une capacitação técnica e escuta ativa para fortalecer a política pública de saúde com base na realidade local. “Fazer esse projeto junto às unidades de saúde permite que a gente vá fazendo reajustes, adaptando a nossa estratégia, que a gente consiga entender as principais necessidades das unidades básicas que a gente tá atuando”.

Treinamento teórico prático foi realizado no período de 30/07 a 01/08 no quartel do Corpo de Bombeiros e sede do Projeto Saúde e Alegria.

A formação foi realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, o SAMU e apoio de instituições como a Fundação Banco do Brasil.

O socorrista Jean Cunha, do SAMU, destacou o papel da troca de experiências para aprimorar o atendimento em territórios ribeirinhos. “Alinhar esses pequenos detalhes ali no atendimento faz uma diferença muito grande. Mesmo que são os mesmos, ali a gente sente aquele friozinho na barriga quando vai realizar um atendimento”.

A enfermeira Larissa Miranda, da UBS da comunidade de Anã, que atende 87 famílias, relatou que o acesso à cidade leva cerca de quatro horas de barco, o que dificulta a chegada de pacientes em tempo hábil. “Com os novos equipamentos eles vão ajudar bastante, tanto o nosso trabalho como a nossa comunidade, porque a gente não tem como estar vindo na cidade muito rápido”.

Ela exemplificou a importância da energia solar e da vacinação nas unidades com um caso vivido quando trabalhava na comunidade Prainha do Maró, a 24 horas de barco da cidade na cheia – ou até 40 horas na seca. Em uma ação local, soube do nascimento de uma criança e decidiu agir. “Eu falei: ‘Então é hoje que nós vamos vacinar essa criança’. […] Eu não vou deixar escapar essa criança. […] Acredito que foi a primeira criança do Alto Arapiuns que fez essa vacinação no mesmo dia”.

A formação incluiu ainda temas como pré-natal, hipertensão e diabetes, condições de saúde comuns na região, especialmente entre idosos. Segundo Larissa, o conhecimento sobre sinais de alerta pode evitar agravamentos e óbitos. “É muito importante a capacitação para tratar sobre a questão da diabete, da pressão alta, que são fatores que podem levar uma pessoa a óbito se não cuidada adequadamente”.

Além da entrega de tecnologias e capacitação, o projeto também prevê o acompanhamento técnico e apoio aos indicadores de saúde locais, contribuindo para o alcance de metas e o financiamento do setor.

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