Prática criminosa chega a desmatar até dez campos de futebol por dia, principalmente no Cerrado
Brasília, DF – 5 de maio de 2025 – A Rede Cerrado, o Observatório do Clima (OC), o Fórum Brasileiro de ONG’s e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS) e outras organizações ambientais e sociais lançam nesta segunda-feira (5/5) abaixo-assinado reivindicando o fim imediato da prática devastadora de desmatamento conhecida como “correntão”. A petição, já disponível online para assinaturas, pede ações urgentes do poder público para banir esse método brutal que aniquila a biodiversidade e agrava a crise climática brasileira.
O “correntão” é uma técnica que utiliza uma corrente de metal, muitas vezes adaptada de navios, arrastada entre dois tratores de grande porte para derrubar vastas áreas de vegetação nativa. É uma ferramenta de aniquilação ambiental, que devasta a flora, provoca a morte de animais, incentiva a grilagem de terras e de meios para burlar a fiscalização.
A tática agrava os riscos à biodiversidade e à segurança hídrica no Brasil e na América do Sul ao destruir ecossistemas, dizimar árvores, arbustos e a fauna local, incluindo espécies ameaçadas, que não têm tempo de fugir. Vídeo produzido por uma empresa que oferece o serviço do “correntão” em Mato Grosso, amplamente divulgado em redes sociais, mostra como é realizado o procedimento: https://is.gd/rMf4yq
A utilização desse método, principalmente no Cerrado, um dos biomas que têm liderado taxas de desmatamento no país, berço de oito das 12 principais bacias brasileiras, coloca em risco a biodiversidade e a segurança hídrica no Brasil e na América do Sul, além de ameaçar comunidades e povos tradicionais que dependem desses recursos naturais para manter seus modos de vida.
Embora combatida por legislações ambientais, como o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), a persistência do “correntão” se deve, segundo organizações de defesa do meio ambiente, à falta de uma proibição nacional explícita e às brechas legais exploradas em alguns estados. Um exemplo é o Decreto Legislativo nº 49/2016, em Mato Grosso, que suspendeu uma proibição anterior estadual e permitiu a continuidade do uso da técnica.
As entidades proponentes do abaixo-assinado alertam para os danos causados pelo procedimento. Entre os impactos negativos estão a perda massiva de biodiversidade em biomas cruciais, a degradação severa do solo e dos recursos hídricos devido à erosão e ao assoreamento de rios, o incentivo ao desmatamento ilegal e à grilagem de terras, além do agravamento das mudanças climáticas pela liberação de grandes quantidades de carbono e todo impacto social direto sobre povos indígenas e comunidades tradicionais que dependem das florestas para sua subsistência e cultura.
“Não podemos mais assistir passivamente à destruição causada pelo correntão. Essa prática bárbara, realizada brutalmente, especialmente no Cerrado, representa um retrocesso inaceitável e uma ameaça direta ao futuro dos nossos biomas e da nossa segurança climática. É urgente que o Congresso Nacional e as autoridades competentes ajam para banir definitivamente essa ferramenta de destruição”, afirma Hiparidi Top Tiro, coordenador geral da Rede Cerrado.
A expectativa pela proibição definitiva está no Projeto de Lei nº 5.268/2020, que propõe alterar o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais para proibir expressamente o uso do correntão e agravar as penas. O abaixo-assinado exige das autoridades competentes a aprovação urgente das proposições deste PL, a revogação imediata do decreto permissivo em Mato Grosso e fiscalização ambiental rigorosa e efetiva por parte do IBAMA e dos órgãos estaduais.
O abaixo-assinado em defesa dos biomas brasileiros está disponível aqui
Sobre as Organizações:
• Rede Cerrado: uma articulação nacional com mais de 30 anos de atuação na defesa do bioma Cerrado e da garantia de direitos de populações ancestrais e tradicionais. Reúne mais de 60 organizações filiadas e mobiliza cerca de 300 entidades em seu campo político. Atua pela conservação do Cerrado, valorização da sociobiodiversidade e promoção da justiça territorial, ambiental e climática. • Observatório do Clima (OC): Fundado em 2002, é a principal rede da sociedade civil brasileira sobre a agenda climática, com 133 integrantes, entre ONGs ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais. Seu objetivo é ajudar a construir um Brasil descarbonizado, igualitário, próspero e sustentável, na luta contra a crise climática. O OC publica desde 2013 o SEEG, a estimativa anual das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. • FBOMS: O Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento atua na articulação da sociedade civil brasileira em fóruns e processos nacionais e internacionais relacionados às políticas de meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Informações para imprensa Fernanda da Silva – Rede Cerrado – +55 51 99942-5060 Solange A. Barreira – Observatório do Clima – +55 11 98108-7272






