Meliponicultores participaram de oficina prática de produção de extrato de própolis, realizada na Casa do Mel – primeiro entreposto de mel de abelhas sem ferrão legalizado no Pará, certificado pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará). A atividade consolida uma etapa iniciada em 2024, fruto da parceria entre o Projeto Saúde e Alegria e a Acosper.
“A gente vem desenvolvendo na região o fortalecimento da atividade da meliponicultura, buscando trabalhar a melhoria do sistema de criação deles, finalizando com a industrialização do mel e outros produtos. Essa oficina faz parte dessa continuidade, com capacitação iniciada em 2024 sobre a forma correta de coletar o própolis nas caixas. Antes, todo esse material era descartado e hoje ele é aproveitado” – Márcio Santos, coordenador de Assistência Técnica do Projeto Saúde e Alegria.
A formação contribui para agregar valor ao própolis coletado nos meliponários, ampliando a oferta de produtos derivados das abelhas sem ferrão e promovendo alternativas sustentáveis de geração de renda. A proposta é fortalecer a cadeia produtiva da meliponicultura, promovendo capacitação técnica desde a coleta correta do própolis até o beneficiamento e finalização do extrato, dentro dos parâmetros legais. A oficina foi conduzida pelo consultor Jerônimo Vilas Boas, especialista em produtos das abelhas. “Estamos estudando as características e os compostos bioativos do própolis. Basicamente, o material é triturado, passa por um processo de maceração em álcool, que extrai os compostos da própolis bruta, e depois por filtragem e concentração até atingir os requisitos legais. Um dos requisitos é que ele tenha no mínimo 11% de concentração e no máximo 70% de álcool de cereais.”
Para os participantes, a experiência traz novos aprendizados. “As abelhas representam muita coisa pra gente. A gente melhorou as nossas plantações. Eu tô extraindo o mel, que é muito bom pra saúde, e agora a gente está fazendo a manipulação do própolis. É um incentivo à renda da minha família”, contou o meliponicultor da comunidade Cabeceira de Ukena, Rio Tapajós, Ronaldo Nilson.
Joelma Lopes, meliponicultora na comunidade Carão, região da Resex Tapajós-Arapiuns destacou a importância da capacitação. “A gente tem que procurar aprender e se capacitar nos outros produtos como o própolis. Está sendo muito boa essa capacitação. É mais uma renda que vai entrar pras nossas famílias.”
Durante a oficina, os participantes acompanharam todo o processo de beneficiamento. O trabalho começou nas comunidades com foco na coleta da própolis bruta, especialmente a produzida pela abelha canudo. “Essa própolis é transportada das comunidades para o ecocentro, onde é processada na unidade de beneficiamento. O produto final que a gente almeja é um extrato alcoólico de própolis da abelha canudo, análogo ao que é tradicionalmente encontrado nas farmácias.”






