Rede Floresta Digital promove Webinar com histórias de empreendedorismo e resistência de mulheres da Amazônia

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Evento online reuniu lideranças da Amazônia que transformam desafios em força coletiva e empreendedorismo comunitário

O Fala Virtual da Rede Comunitária Floresta Digital realizou o ‘Webinar Mulheres e Empreendedorismo’, que reuniu três protagonistas de diferentes territórios da Amazônia para compartilhar vivências sobre autonomia, trabalho coletivo e justiça climática. O encontro, transmitido no dia 1º de outubro, destacou experiências inspiradoras de mulheres que constroem caminhos sustentáveis e igualitários a partir de suas comunidades.

Ribeirinha da comunidade de Anã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, Maria Odila Godinho emocionou o público ao narrar a trajetória do grupo MUSA – Mulheres Sonhadoras em Ação. O coletivo surgiu enfrentando preconceitos e desafios burocráticos, mas se consolidou como referência no empreendedorismo comunitário feminino.

“Diziam que piscicultura era trabalho de homem. A gente mostrou que não é bem assim”, contou Odila, relembrando o início da atividade de criação de peixes. As mulheres aprenderam a produzir a própria ração, conquistaram autonomia e transformaram o lago da comunidade em um sistema autossustentável, que hoje alimenta 86 famílias.

O grupo também obteve um projeto de R$ 500 mil junto ao Ministério da Pesca, possibilitando a compra de tanques-rede e a reforma do barco comunitário. “A vida é dura pra quem é mole, minha filha. Então endureça pra ela não te jogar”, recordou Odila, citando o conselho do pai — frase que se tornou símbolo da perseverança feminina em Anã.

Do Acre, Maria Jocicleide Aguiar, conhecida como Joci Aguiar, levou ao debate uma reflexão sobre o papel das mulheres nas políticas públicas ambientais. Militante histórica, ex-coordenadora da Rede GTA e da RAMH, Joci contou que sua trajetória começou com a dor de ouvir o som das motosserras na floresta: “Parecia que a árvore pedia socorro”.

Ela destacou a criação do Grupo de Trabalho de Gênero e Clima, que defende a valorização dos saberes tradicionais femininos e a formulação de protocolos de atendimento a mulheres e meninas em desastres climáticos. “Durante as enchentes, são elas as mais afetadas, e muitas sofrem violências nos abrigos”, explicou.

Para Joci, a justiça climática precisa garantir que os recursos cheguem às mãos das mulheres: “Precisamos pensar em como o dinheiro da perda e dano chega pra quem precisa recomeçar. A burocracia ainda é uma das maiores barreiras”.

A educadora Clara Santos, do Grupo de Trabalhadoras Artesanais e Extrativistas (GTAE) e colaboradora do Instituto Zé Cláudio e Maria, trouxe a perspectiva do empreendedorismo ligado à educação do campo e ao extrativismo sustentável. Feminista e ativista social de Nova Ipixuna (PA), Clara enfatizou que a formação de redes solidárias é essencial para fortalecer as mulheres amazônicas e garantir autonomia territorial e econômica.

Durante o debate, outras participantes reforçaram o papel da formação e da escuta dos territórios. Antonina ressaltou a dificuldade de acessar editais e financiamentos, defendendo políticas públicas mais acessíveis às comunidades. Já Dalva chamou atenção para a importância de dar visibilidade às mulheres por trás dos produtos — como a “Tata Caseira” do tacacá — e reconhecer o trabalho nas Escolas Família Agroextrativista.

O evento, promovido pelo Projeto Saúde e Alegria e DW Akademie foi moderado pela pesquisadora Adriane Gama/PSA.

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