Formação fortalece comunicação comunitária e engajamento de mulheres em territórios do Amapá 

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Quarta formação presencial de mídias comunitárias da Rede Floresta Digital foi realizada no Amapá, reunindo representantes do Quilombo do Curiaú e de comunidades de Mazagão. A atividade foi realizada na Escola Família Agroextrativista do Carvão e integrou jovens, lideranças comunitárias e organizações parceiras

Debates sobre comunicação, inclusão digital e autonomia dos territórios reuniram mulheres e jovens para discutir o uso das tecnologias a partir das próprias comunidades, com foco na produção de conteúdos em áudio, fotografia e audiovisual, além da instalação de servidores locais e reflexões sobre segurança digital e conectividade centrada nos territórios.

“Os objetivos principais são promover o fortalecimento da comunicação comunitária e favorecer o uso democrático, crítico, reflexivo, criativo das tecnologias”, afirmou Adriane Gama, pesquisadora da Rede Floresta Digital e do Projeto Saúde e Alegria.

A participação das mulheres marcou a formação. “As mulheres estão muito ativas por aqui.” Adriane destacou que as representantes trouxeram experiências ligadas ao potencial cultural e à comunicação como instrumento de visibilidade. “Fortalecer a comunicação comunitária desde ampliar o reconhecimento e divulgação dos empreendimentos locais, até mesmo empoderar as vozes dos povos e das mulheres que moram nesses territórios de floresta, de rio e de muita preservação.”

Para as comunidades, a formação está relacionada à organização da produção local e à geração de renda. Suely Murici, presidente da Associação de Mulheres Agricultoras do Assentamento do Piqueazal e Ramal do Camaipi (AMAPEC), em Mazagão, ressaltou que a visibilidade é parte desse processo. “Para a gente enquanto comunidade, enquanto território é muito importante, porque dá uma visibilidade ao nosso empreendedorismo que a gente tem de base comunitária.”

A comunidade trabalha com açaí, com camarão, com farinha e produção de hortaliças. O aprendizado contribui para que a própria comunidade apresente sua realidade, destaca: “A comunidade comece a dar ela mesma essa visibilidade, porque quando você aprimora o que você tá fazendo, você reconhece que aquilo é importante.”

A juventude esteve no centro das oficinas. Evelyn Sofia, do Quilombo do Curiaú, afirmou que pretende utilizar o podcast para registrar relatos cotidianos. “Eu vou fazer mais as escuta e vou gravar, vou poder tá postando para as pessoas conhecerem mais o que tem dentro do nosso Quilombo.” Ela explicou que a proposta é registrar histórias de moradores antigos e jovens. “Passando de geração em geração e contando um pouco da nossa história, como é a nossa vivência, o nosso dia-a-dia.”

Gerliane Freitas, da comunidade São Tomé do Breu do Rio Preto, também em Mazagão, apontou o papel da comunicação no trabalho com jovens de comunidades tradicionais do Pará e do Amapá. “A comunicação é importante para a comunidade e para o território, trazer com que os nossos jovens também sejam capazes, estando dentro do território, de trazer as informações para o mundo sobre o território deles.” Ela mencionou ainda o uso das mídias para denúncias. “Poder tá fazendo uma denúncia de algo que está acontecendo num território que é ilegal.”

Produção de narrativas próprias

A troca entre comunidades foi apontada como parte do processo. Dalva Miranda, presidente da Associação Nossa Amazônia (ANAMA), avaliou que o encontro aproximou jovens de diferentes territórios. “O que houve aqui foi conexão humana, foram descobertas.” Para ela, o domínio das ferramentas de comunicação amplia a capacidade de defesa de direitos. “Essa geração que domina a palavra, que domina a comunicação, que domina as redes sociais, eles vão ser muito menos injustiçados, lesados, ter seus direitos usurpado com menos frequência.”

Cleide Ramos, do Quilombo do Curiaú, destacou a importância de produzir conteúdos a partir do próprio território. “Quem vem de fora enxerga de um jeito, mas quem tá dentro sabe o que realmente rola, o que realmente importa ali dentro desse processo.” Segundo ela, a formação amplia os meios de expressão. “Pra gente ter voz, ter visibilidade, não necessitamos exatamente de alguém que faça isso por nós. Então, como Associação Mãe Venina, podemos agregar essa emancipação de informações. Mostrar não somente os desafios como a nossa cultura, talentos, costumes, tradições e empreendimentos que são o que mais temos de valioso na nossa comunidade, e a busca por novos ares.”

A formação encerra o ciclo de atividades da Rede Floresta Digital no Amapá, com foco na potencialidade das mulheres e da comunicação comunitária, na ampliação do acesso às tecnologias e na produção de narrativas construídas a partir dos próprios territórios. A iniciativa é realizada pela DW Akademie e Projeto Saúde e Alegria com apoio da União Europeia.

“É extremamente importante para a gente poder falar para dentro, poder lutar pelas nossas causas de maneira autônoma e executando o nosso protagonismo, porque nada pode ser pensado para gente sem a gente.” Ela destacou que as comunidades compartilham histórias e desafios. “As nossas comunidades são territórios vivos e diversos, mas que tem lutas em comum, de resistência e resiliência.” – Angélica Costa, da comunidade Vila Renascença, em Mazagão.

“Ser oficineira de fotografia pelo Floresta Digital e atuar em dois territórios do Amapá foi uma vivência que me atravessou de muitas formas. Para mim, fotografia é mais do que técnica: é ferramenta de memória, de afirmação e de pertencimento. Ver jovens e moradores descobrindo novas formas de olhar para seu território, reconhecendo beleza, história e força nas próprias vivências, me mostrou o quanto comunicar a Amazônia a partir de quem vive nela é necessário e urgente. Volto pra casa fortalecida, com a certeza de que cada oficina é também um ato de cuidado com o nosso povo, com a nossa floresta e com os saberes que nos formam” – Karen Melo, oficineira.

Fotos: Adriane Gama/PSA.

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