Projeto Saúde e Alegria e Acosper realizaram entrega de Equipamentos de Proteção Individual para vinte e três coletores da Floresta Nacional do Tapajós. Atividade conta com a parceria da Coomflona, a Federação da Flona do Tapajós e autorização do ICMBio, gestor do território
Depois de dois anos sem coleta por conta da escassez de sementes, a Floresta Nacional do Tapajós volta a se preparar para uma nova safra de andiroba. O primeiro passo foi a entrega dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os coletores que vão atuar em 2026. Ao todo, 23 coletores foram contemplados com os kits, distribuídos entre duas comunidades que integram a estratégia deste ano: Jaguarari, com 14 coletores, e Pedreira, com 9.
A entrega dos EPIs é uma etapa fundamental para garantir segurança no trabalho em campo, que envolve deslocamentos em áreas de floresta, coleta manual e manejo de sementes em ambientes úmidos e, muitas vezes, de difícil acesso.
A ação é resultado de uma articulação entre a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), a Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará (Acosper), o Projeto Saúde e Alegria (PSA) e a empresa Natura, que financia a iniciativa. Na prática, a parceria sustenta toda a cadeia produtiva: os coletores vendem a matéria-prima, que será beneficiada no Ecocentro e transformada em óleo, posteriormente comercializado com a própria Natura.
A retomada acontece em um contexto de expectativa positiva. Em 2024 e 2025, a coleta foi suspensa devido à baixa disponibilidade de sementes, consequência direta da seca severa e das mudanças climáticas na Amazônia. Já neste ano, as áreas monitoradas indicam potencial produtivo favorável, reacendendo a atividade que combina geração de renda e conservação da floresta.
A coleta de andiroba na Flona do Tapajós é relativamente recente, iniciada em 2019 com três comunidades. Desde então, a atividade foi se reorganizando, incorporando novos territórios e estratégias de manejo. Hoje, ela se consolida como uma alternativa econômica importante para populações tradicionais, aliando conhecimento local e cadeias sustentáveis de valor.
Neste ano, o potencial produtivo da atividade já ficou evidente. Em uma primeira coleta, a mobilização das comunidades resultou na coleta de mais de seis toneladas de sementes de andiroba, demonstrando a capacidade organizativa dos coletores e a importância econômica da cadeia para as famílias envolvidas.

Histórico da andiroba
A coleta de andiroba na Floresta Nacional do Tapajós iniciou no ano de 2019, com a participação de 3 comunidades: Nazaré, Pedreira e São Domingos. A partir de 2022, São Domingos optou por uma estratégia de coleta individual, e então a Aldeia Takuara e Jaguarari entraram na estratégia coletiva junto com as demais.

“No ano de 2021, foi realizado um inventário florestal não madeireiro em áreas do Km 67 e 72, totalizando 480 hectares, e neste inventário foi possível identificar as zonas das áreas de coleta de sementes de andiroba com maior potencial. Além dessas áreas, também há potencial de coleta no Km 117, nas áreas de Manejo Florestal explorada pela COOMFLONA” – explica a engenheira florestal do PSA, Laura Lobato.
Estima-se que área de coleta de andiroba alcance um total de 520 hectares, sendo: 100 hectares no Km 67, 350 ha no Km 72, e 70 hectares no Km 117. Até 2023, a comercialização da matéria-prima era feita com ela seca em estufas montadas nas comunidades, e após a conclusão da secagem, a COOMFLONA enviava para o município de Benevides para a empresa Natura, onde era realizado a extração do óleo de andiroba pela própria empresa.
Nos anos de 2024 e 2025, não houve coleta de andiroba na Flona do Tapajós por falta de disponibilidade de sementes, devido à grande seca e às mudanças climáticas que ocorreram na Amazônia.
Em 2026, a equipe técnica do PSA, já visitou as áreas e constataram que neste ano há um grande potencial de coleta da espécie. Em parceria com a Federação, a equipe do PSA já realizou a mobilização dos coletores e espera-se que haja êxito em mais um ano de coleta.






