Aldeia Vista Alegre do Capixauã recebe jornada de formação em mídias digitais para fortalecer geração de renda comunitária

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Essa foi a primeira formação em mídia do projeto Rede Comunitária Floresta Digital. Mais três formações serão realizadas nos próximos meses contemplando mais sete comunidades participantes do projeto

A DW Akademie e o Projeto Saúde e Alegria (PSA) promoveram na Aldeia Vista Alegre do Capixauã, território indígena Kumaruara, a primeira formação presencial em mídias comunitárias no âmbito da Rede Floresta Digital. Durante quatro dias, jovens, mulheres e lideranças indígenas participaram de oficinas de fotografia, audiovisual, edição de áudio e uso de drones, além de vivências culturais e trocas intercomunitárias. Também participaram da formação cinco integrantes da Aldeia Ponta Alegre, da etnia Sateré Mawé.

A iniciativa busca fortalecer a comunicação comunitária e a autonomia dos povos nos territórios. A pesquisadora da Rede Floresta Digital/PSA, Adriane Gama destacou que as redes comunitárias são estratégias criadas para responder a desafios enfrentados em regiões remotas da Amazônia. “A ideia é fortalecer a autonomia e a gestão comunitária para que as pessoas dos seus territórios possam se emancipar e poder ecoar as suas notícias, as suas informações”, afirmou.

A oficina também contou com a participação de jovens comunicadores. André Melo, indígena Kumaruara de 19 anos, relatou que começou na comunicação aos 14 anos e agora teve a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos em áudio. “Hoje a gente tem uma rádio que vai funcionar e vai servir para nós mesmos aqui dentro da aldeia”, destacou, ressaltando a importância da troca com jovens de outras comunidades.

O protagonismo feminino esteve presente na formação. Adriana Barbosa de Oliveira, da etnia Sateré-Mawé, explicou que a chegada de equipamentos como celulares ampliou as possibilidades de divulgação do trabalho das mulheres. “Vai ser muito importante para nós divulgar nossos trabalhos na aldeia, como artesanato e eventos culturais”, disse.

Na oficina de fotografia, Beatriz Melo, da Aldeia Vista Alegre participou das atividades conduzidas pelo documentarista João Albuquerque. Segundo ela, o aprendizado foi compartilhado com os parentes Sateré-Mawé, em um intercâmbio que envolveu conhecimentos sobre cultura e tradições. “Os jovens têm que aproveitar mais, se aprofundar mais, dar uma alegria para frente da sua comunidade”, afirmou.

As lideranças também destacaram o impacto da formação. A cacica Irenilce, ressaltou que a chegada de uma web rádio tem fortalecido a juventude e o turismo de base comunitária. “Isso vai melhorar muito para nós e fortalecer o nosso turismo de base comunitária, vamos saber fazer divulgações e mostrar que aqui nós existimos”, declarou.

Entre os facilitadores, Daleusso Sousa, indígena da Aldeia São Pedro do Rio Arapiuns, ministrou a oficina de edição de áudio em software livre. Para ele, a experiência representou uma forma de multiplicar conhecimentos. “A gente sabe da importância de comunicar a partir do território, comunicar para fora e dentro da aldeia”, afirmou.

O encontro também contou com uma oficina de audiovisual ministrada pela jornalista Taína Barral, que destacou o papel do registro em vídeo para preservar conhecimentos ancestrais. “O audiovisual é essa ferramenta onde a gente pode captar esses saberes e salvaguardar essa cultura para que não seja apagada”.

O professor e coordenador do grupo de jovens da Aldeia Vista Alegre, Lucivando de Serra Melo, acompanhou a participação dos estudantes e ressaltou a motivação gerada pela oficina. “Foi uma satisfação muito grande ver os jovens se empenhando e participando mais ativamente do que em formações anteriores”, disse.

A conselheira do território Kumaruara, Zenilda Kumaruara, considerou o encontro um marco para a juventude local. “Nosso território agradece, se sente honrado de estar recebendo essas oficinas aqui sobre as mídias na Aldeia Vista Alegre”.

Matheus Botelho, coordenador pedagogico do projeto, explicou que a formação é apenas o início de um processo maior. “É falar a partir do cotidiano, da vida de cada pessoa no território e da valorização desse modo de vida, das culturas e dos empreendimentos”, explicou.

A expectativa é que, a partir dessa primeira experiência, a comunicação comunitária se consolide como ferramenta de fortalecimento cultural, produtivo e social nas aldeias do Tapajós e de outros territórios indígenas conectados pela Rede Floresta Digital. Na oportunidade foram entregues aparelhos celulares para documentação audiovisual e produção de conteúdo sobre os territórios.

Fotos: Adriane Gama/João Albuquerque.

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