Aldeias Mundurukus: Tecnologias sociais garantirão abastecimento de água potável a mais de cem famílias indígenas

Através do Programa Cisterna serão construídos sistemas de captação de água da chuva e banheiros. Nesta semana, indígenas participaram de Oficina de Capacitação em Gestão de Água, Energias Renováveis e Saúde Ambiental;

Uma longa jornada percorrida por via terrestre e fluvial é o primeiro desafio para que os técnicos do Programa de Água e Saneamento do Saúde e Alegria cheguem às isoladas aldeias indígenas Mundurukus. 48 horas separaram Santarém no Oeste do Estado da região de Buburé na Transamazonica. “Saindo de Santarém um dia de viagem. De Itaituba até Buburé são 75km pela Transamazônica e em Buburé a gente pega lancha para mais 6 horas de viagem até a última Aldeia onde serão implantadas tecnologias sociais” – contou o gestor do programa, Carlos Dombroski.

Impactado diretamente pela existência de garimpos, o Rio que cerca as aldeias é a única fonte de água para os indígenas. A crise hídrica gera problemas graves à saúde, com episódios de infecção e mortes. “Infelizmente participamos de dois velórios de duas Crianças Mundurukus, uma de 4 anos que faleceu pela contaminação da água na Aldeia de DAJE kAPAP e outra na Aldeia de Sawre Maybu, criança de 9 meses de idade, causa da morte desconhecida” – lamentou Dombroski.

Essa realidade está perto do fim para as 111 Famílias de oito aldeias do Médio Tapajós. Beneficiados pelo programa Cisterna de captação de água da chuva, os indígenas participaram de Oficinas de Capacitação em Gestão de Água, Energias Renováveis e Saúde Ambiental. Durante doze dias, seis oficinas foram realizadas pela equipe Técnica da ASPROC (executora das construções), Técnicos do DiSEI/SESAI (Enfermeiro, Químico e Marinheiro Fluvial) e Saúde e Alegria (Gestor do Programa na região).

Fotos: Deusa Dombroski

A previsão é que as obras comecem em março com a chegada do material em transporte de Itaituba e Manaus. “É muito desafiador poder fazer chegar todas essas Infraestruturas, mas há um enorme comprometimento dos Caciques e das Aldeias em passar por cima desses desafios e fazer chegar esse material e conseguir ter uma água boa para o consumo, pois é quase inacreditável que as águas do nosso Rio Tapajós estejam só lama” – conclui Dombroski.

Programa Cisterna

Em maio de 2018 foi feita a assinatura do programa que faz parte da chamada pública do Governo Federal por meio do Ministério do Desenvolvimento Social do Programa Nacional ‘Cisterna’ de apoio à captação de água da chuva e outras tecnologias sociais de aceso à água.

O objetivo do Cisterna é realizar ações de captação de água e promover saneamento, uma vez que os moradores dessas áreas contempladas, não tem nenhum sistema de abastecimento. Em Santarém o programa é coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria e executado pelas Organizações Não Governamentais Sapopema, Asproc e Somecdh em diferentes regiões.

 

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Na região, garimpos em sua maioria ilegais, dragam o fundo do rio em busca de outro, e despejam lama e mercúrio, contaminado as águas que os indígenas usam no dia a dia. Apenas no território Yanomami são mais de 10 mil garimpeiros cavando a floresta.

Já faz alguns anos que a Amazônia passa por mais uma corrida do ouro, só que desta vez “moderna”, como dizem os locais pró-garimpo. Não pelas preocupações socioambientais crescentes, mas pelo uso de máquinas que substituem parte daquele formigueiro de gente que víamos no passado por um formigueiro mecanizado. São os chamados “PCs”, retroescavadeiras hidráulicas que avançam de forma insana e avassaladora abrindo crateras sobre a floresta.

Leia o Artigo de Caetano Scannavino na Carta Capital

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