Comercialização de 2,5 toneladas de sementes nativas fortalece a sociobioeconomia no Pará e impulsiona restauração florestal 

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Coleta de sementes nativas impulsiona geração de renda e restauração florestal na Amazônia 

A comercialização de sementes florestais pela Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará (Acosper), em Santarém, vem fortalecendo cadeias da sociobioeconomia amazônica e ampliando oportunidades para famílias agroextrativistas da região. Em contratos firmados com empresas e iniciativas que atuam na restauração florestal, produção de mudas e recuperação ambiental, a cooperativa forneceu aproximadamente 2,5 toneladas de sementes de espécies nativas amazônicas, utilizadas em diferentes projetos de recomposição florestal.

Uma das iniciativas parceiras é o Redário, Articulação Nacional de Redes de Sementes Nativas que fortalece a restauração ecológica na Amazônia, focando na criação da Rede de Sementes da Flona Tapajós. Em 2025, 663,35 kg de oito espécies nativas amazônicas foram compradas pela iniciativa.

A produção também abastece uma empresa especializada em restauração florestal com uso de drones e inteligência artificial que atua na análise de solo, lançamento aéreo de sementes e monitoramento de áreas restauradas, utilizando tecnologia para acelerar a regeneração de ecossistemas degradados. As sementes fornecidas pela Acosper serão usadas em ações de reflorestamento por dispersão aérea com drones, estratégia aplicada em áreas de difícil acesso e em projetos de restauração ecológica em larga escala.

Entre as sementes fornecidas estão jutaí-vermelho (Hymenaea parvifolia), pau-cigarro (Senna multijuga), fava-arara (Parkia multijuga), urucum-da-mata (Bixa arborea), urucum-vermelho (Bixa orellana), cedrela-odorata (Cedrela fissilis), angelim-vermelho (Dinizia excelsa), cumaru (Dipteryx odorata), fava-orelha (Enterolobium schomburgkii), ipê (Handroanthus impetiginosus), jatobá ou jutaí-açu (Hymenaea courbaril), paricá (Schizolobium amazonicum), parapará (Jacaranda copaia), jutaí-mirim (Hymenaea parvifolia), jucá (Libidibia ferrea), tento-preto e vermelho (Ormosia paraensis), morototó (Schefflera morototoni), mata-pasto (Senna alata), jurubeba-branca (Solanum crinitum) e tachi-preto (Tachigali multijuga), tamboril (Enterolobium maximum Ducke) e mamoninha-miúda ou taquari (Mabea angustifolia Spruce ex Benth).

Somente no contrato parcial firmado com uma instituição parceira voltada à produção de mudas florestais, a comercialização ultrapassa R$ 93 mil, envolvendo mais de 1,4 tonelada de sementes nativas. Outro fornecimento realizado para uma empresa especializada em restauração florestal com uso de tecnologia e dispersão aérea de sementes movimentou cerca de R$ 16,7 mil em espécies coletadas no território amazônico. O Redário também adquiriu sementes nativas da cooperativa, totalizando 663,35 kg enviados em novembro de 2025. Juntas, as operações somam aproximadamente 2,5 toneladas de sementes nativas amazônicas comercializadas, fortalecendo a cadeia da sociobioeconomia regional e gerando renda para famílias agroextrativistas envolvidas na coleta e manejo das espécies florestais.

A engenheira florestal do Projeto Saúde e Alegria, Laura Lobato, explica que além da geração de renda, a comercialização das sementes impulsiona conhecimentos tradicionais ligados ao manejo florestal, ao calendário das espécies e às técnicas de coleta e beneficiamento. O trabalho realizado pelas comunidades demonstra como a floresta viva pode gerar oportunidades econômicas alinhadas à conservação ambiental, conectando saberes locais a iniciativas de restauração ecológica desenvolvidas em diferentes regiões do país.

Ecocentro da Sociobioeconomia

Há quase dois anos, Santarém passou a contar com um espaço voltado ao fortalecimento da sociobioeconomia amazônica: o Ecocentro, iniciativa articulada entre a Acosper, o STTR e o PSA para impulsionar cadeias produtivas sustentáveis, apoiar empreendimentos comunitários e conectar organizações, cooperativas, pesquisadores e investidores em torno da economia da floresta em pé.

O espaço vem se consolidando como ponto de articulação para iniciativas ligadas ao extrativismo, agroecologia, restauração florestal e comercialização de produtos da sociobiodiversidade amazônica. A comercialização das sementes realizada pela Acosper dialoga diretamente com esse movimento de fortalecimento da sociobioeconomia regional, demonstrando a capacidade organizativa das cooperativas amazônicas em acessar mercados ligados à restauração ambiental e às soluções climáticas.

Além de movimentar recursos financeiros dentro dos territórios comunitários, as negociações fortalecem uma lógica econômica baseada na valorização da floresta viva e do trabalho das populações tradicionais. A venda de sementes nativas para empresas e instituições que atuam com reflorestamento e produção de mudas evidencia como conhecimentos tradicionais e manejo comunitário podem ocupar papel estratégico em iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas e mitigação das mudanças climáticas.

Economia da Floresta

As ações de fortalecimento da cadeia das sementes fazem parte do Programa Economia da Floresta, desenvolvido pelo Projeto Saúde e Alegria junto a comunidades ribeirinhas, indígenas e agroextrativistas do oeste do Pará. O programa atua no apoio técnico contínuo a iniciativas comunitárias ligadas ao manejo sustentável, beneficiamento, organização produtiva e acesso a mercados da sociobiodiversidade amazônica.

O acompanhamento realizado pela equipe técnica envolve diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a identificação do potencial econômico das espécies até orientações sobre coleta, armazenamento, beneficiamento, controle de qualidade, logística e comercialização dos produtos florestais. O suporte inclui ainda assessoria organizacional, apoio na regularização documental, articulação com compradores e fortalecimento das cooperativas e associações comunitárias.

Na cadeia das sementes nativas, o acompanhamento técnico contribui para garantir que a coleta ocorra respeitando os ciclos ecológicos das espécies e os critérios necessários para comercialização. O trabalho desenvolvido junto às comunidades também amplia oportunidades de geração de renda local, valoriza conhecimentos tradicionais sobre a floresta e fortalece modelos econômicos alinhados à conservação ambiental e à manutenção da floresta em pé.

Rede de Sementes da Flona

Criada em maio de 2025, a Rede de Sementes da Flona Tapajós reúne coletores de dez comunidades da Floresta Nacional do Tapajós. A iniciativa, que recebe o apoio do redário, visa gerar renda sustentável e fornecer sementes para a restauração florestal. A proposta é estruturar a cadeia produtiva de sementes nativas, garantindo renda para comunitários e fornecimento para projetos de restauração. A rede se concentra em organizar os coletores para processar e vender sementes com qualidade, apoiando a restauração ecológica e o desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia.

Leia mais aqui sobre a Rede de Sementes: https://saudeealegria.org.br/redemocoronga/criada-rede-sementes-flona-tapajos/

https://saudeealegria.org.br/redemocoronga/1-encontro-da-rede-de-sementes-na-floresta-nacional-do-tapajos/

Fotos: Laura Lima.

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