Rede de sementes da Flona Tapajós é criada em encontro com mais de 50 coletores

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Primeira rede de sementes da Floresta Nacional do Tapajós será credenciada ao Redário e inicia atividades com contrato para fornecimento de 800 quilos de sementes

Com participação de mais de cinquenta coletores de sementes, a comunidade de Pedreira, na Floresta Nacional do Tapajós, recebeu o I Encontro da Rede de Sementes no período de 22 e 23 de maio. O encontro marcou a criação oficial da primeira Rede de Sementes da Flona Tapajós, que será credenciada ao Redário, articulação nacional que reúne mais de 27 redes de sementes distribuídas em várias regiões do país. A atividade foi organizada pela Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará (Acosper) e Projeto Saúde e Alegria em parceria com a Federação da Flona Tapajós, Coomflona, Redário, e apoio da WWF Brasil, Konrad Adenauer e da empresa Morfo.

A criação da rede é resultado de um processo importante, que contou com apoio técnico do Redário na elaboração do planejamento e das estratégias de coleta no território da Flona, explicou o coordenador de assistência técnica do Projeto Saúde e Alegria, Márcio Santos: “O evento atingiu seu objetivo, que foi a criação oficial da primeira rede de sementes de coletores da Flona Tapajós. Para a gente esse processo foi muito importante, pois a equipe técnica do Redário ajudou na construção da rede e no planejamento da coleta de sementes dentro da Flona”.

A rede inicia as atividades com o primeiro contrato firmado, que prevê a entrega de 800 quilos de sementes à empresa Morfo, que atua na recuperação de áreas degradadas. Para o presidente da ACOSPER, Manoel Edivaldo, a estruturação da rede é um passo importante para fortalecer a cadeia produtiva no Ecocentro da Sociobioeconomia, com foco no reflorestamento de áreas degradadas. “Foram criados quatro polos dentro da Flona, e cada um vai contar com um ‘elo’, uma pessoa da própria comunidade que será treinada para recepcionar as sementes e facilitar a logística até a cooperativa. Ficamos muito satisfeitos, porque os coletores participaram do encontro, questionaram, perguntaram e demonstraram interesse. Esse momento foi importante porque a gente começou com um projeto piloto no ano passado e agora a rede começa a ganhar forma”, ressaltou.

Representando o Redário, Eduardo Malta explicou como funcionam os acordos coletivos para organizar o trabalho. “Cada rede de sementes define o seu jeito de trabalhar. Esse momento está sendo fundamental para fazer acordos e alinhar tudo desde a identificação das espécies, os padrões de qualidade, até a comercialização e a divisão dos pagamentos. Isso garante que todo mundo saiba como vai funcionar e possa trabalhar tranquilo e mais abre portas para que essa rede se expanda, gerando renda e oportunidades aqui no Tapajós.”

Para os coletores que participaram do encontro, a troca de conhecimentos foi um dos principais ganhos. Marileide Silva, da comunidade São Domingos, avaliou que o encontro possibilitou ampliar o conhecimento sobre espécies importantes para a restauração. “Muito bom, porque nós, como coletores de sementes aqui da floresta, muitas das vezes a gente não sabe tudo, sabe um pouco. Pudemos olhar para outras sementes que são interessantes para restauração e que ainda não estavam na lista. Acho que demos passos muito importantes que vão ajudar na profissionalização de uma nova rede de sementes.”

Kits com equipamentos para a coleta de sementes.

João Pedro, morador da comunidade Pedreira, reforçou que a iniciativa representa uma oportunidade de geração de renda aliada à conservação. “Eu acho muito importante essa iniciativa porque a gente mora dentro de uma unidade de conservação e é uma oportunidade de geração de renda. Essas outras espécies de sementes ainda não tinham essa questão de mercado. Acho muito importante isso porque prova que a natureza, que a floresta, ela também traz renda para as famílias. Porque nós fomos acostumados aqui, eu principalmente e outros companheiros do meu tempo, a trabalhar com roça, para fazer agricultura familiar. A gente quase não valorizava a questão extrativista, de não madeireiro principalmente. Mas hoje a gente vê essa oportunidade, que já chegou nas comunidades. Espero que dê tudo certo, que é uma nova oportunidade para geração de renda e também para manter a floresta em pé.”

Cátia, contou que o encontro foi uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre as espécies nativas. “Eu moro na floresta, né, mas só que eu não conheço todas as árvores. O que o pessoal falou pra mim é uma novidade, né? Mas agora daqui pra frente eu desejo conhecer mais, né? Daqui pra frente eu, pelo menos, vou aprender mais a conhecer as sementes. A gente vai ter mais ideias como cuidar das sementes.”

Juliana Castro, da comunidade de Jaguarari, participou do encontro e destacou que a rede pode trazer benefícios diretos para quem vive na floresta. “Foi um grande prazer estar aqui. É gratificante pra gente ter esse momento, porque trabalhamos diretamente na mata, fazendo a coleta das sementes. Isso não é só uma fonte de renda pra nossa comunidade, mas pra toda a FLONA.”

O Projeto de Sementes Florestais da ACOSPER teve início em 2023, a partir de uma parceria com a empresa Morfo. A iniciativa estrutura a cadeia de coleta, processamento e comercialização de sementes nativas e envolve moradores de dez comunidades: São Domingos, Chibé, Jaguarari, Acaratinga, Aldeia Takuara, Pedreira, Itapaiúna, Piquiatuba, Aldeia Marituba e Prainha 1. Esses moradores realizam atividades de campo, desde a identificação das espécies até a coleta e o armazenamento, contribuindo para a conservação da floresta e gerando alternativas de renda baseadas na sociobioeconomia.

Fotos: Marcio Santos/PSA.

Material para imprensa: Samela Bonfim (93) 98130-9797.

Colaborou: Danie Oliveira/Acosper.

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