Cumaru: sementes e mudas fortalecem a renda e apontam modelo de ecodesenvolvimento

Enquanto o agronegócio segue deixando rastros em áreas protegidas da Amazônia, comunidades trilham caminho contrário, aliando desenvolvimento econômico e floresta em pé

Moradores das comunidades Santo Antônio e Faveira (PA Moju I e II), Água Fria e Terra de Areia (zona rural do município de Mojuí dos Campos), estão animados com o manejo comunitário do cumaru (Dipteryx punctata). Praticando o plantio da espécie florestal na região há pelo menos quatro anos, ampliaram os negócios, fortalecendo a iniciativa através da assessoria técnica do Programa Floresta Ativa do Projeto Saúde e Alegria.

No período da safra, que ocorre entre os meses de julho a setembro, os frutos do cumaru (baunilha brasileira) caem no chão. É quando os moradores se preparam para a coleta. Tão importante quanto, é a negociação com possíveis fornecedores.

Além de assistência técnica e apoio estrutural, o Saúde e Alegria realiza o mapeamento de potenciais compradores e faz a interlocução entre os comunitários e as empresas, objetivando a valorização do produto. Nesta última semana, foi dia de uma dessas negociações: “A visita de uma empresa que compra cumaru foi importante para os agricultores pois se sentiram mais animados com a possibilidade de vender seu produto. Alguns ainda não tinham noção do valor vendido da semente seca. Uns vendem o balde a 35 reais ou trocam por combustível com parceiros locais. Já outros fazem o beneficiamento e comercializam em Santarém” – ressaltou o Engenheiro Florestal do PSA, Steve Mcqueen.

Em 2021-2022, os moradores enfrentaram as constantes chuvas que modificaram o calendário florístico/frutificação do ano. Produtores locais afirmaram que a quantidade de abelhas polinizadoras da planta foi inferior à dos anos anteriores, e além disso, a grande pressão do agronegócio no entorno das comunidades, tem interferido na safra deste ano.

Agronegócio no assentamento e criação de gado devastam Amazônia. Fotos: Steve Fernando/PSA.

Apesar disso, se mantêm otimistas com a possibilidade de conservar a floresta e tirar dela parte do sustento: “O cumarú quanto mais tempo passa, mais ele produz. Expectativa boa porque a gente tem a segurança de que todos os anos a gente vende” – contou Sebastião Araújo da comunidade Santo Antônio.

Na comunidade Faveira, região da PA Moju, o cumaru é uma espécie valorizada. Vital Alves explica que o manejo tem se somado à defesa do território e garantido lucro: “Plantar cumarú gera renda e melhora a condição de vida da gente. Pra mim é um produto valioso. É dos que a gente tem na colônia, é bom pra ganhar dinheiro” – comenta.

Além da comercialização de sementes, parte da safra foi adquirida para produção de mudas nos viveiros regularizados da Resex: Surucuá e Carão, onde serão produzidas pelos comunitários e entregues pelo PSA a eles, para plantio nos sistemas agroflorestais a serem ampliados. Um ciclo da geração de renda que beneficia os produtores que comercializam as sementes, os que produzem as mudas nos viveiros, e quem recebe as espécies.

É um bom projeto porque essas sementes vão servir pra outras pessoas, porque não precisa desmatar a floresta pra plantar o cumarú” – Sebastião Araújo.

Fica bom porque todos os anos tem quem compre. Eu vejo que vai pra longe a semente que eu plantei aqui. É uma coisa boa porque vai pra muito longe e quem receber vai ter seu ganho também. A gente fica feliz porque todo mundo fica bem” – Vital Alves.

*Foto de destaque: André Tabanez

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