Indígenas treinam uso de GPS para realizar inventário florestal não madeireiro

Curso implementado pelo Programa Floresta Ativa do Projeto Saúde e Alegria e pela Cooperativa Munduruku Terras Indígenas Bragança e Marituba da Flona Tapajós (COOPMUNDURUKU), capacitou indígenas para o uso de GPS para inventário florestal

O GPS é um aliado de indígenas que pretendem realizar inventário florestal não madeireiro, visando identificar o potencial dentro do território. Através da demarcação de áreas, eles conseguem traçar um planejamento anual para a coleta de frutos e sementes para a comercialização com a manutenção da floresta em pé.

No período de 08 a 10 de agosto, moradores das Aldeias Mundurukus Bragança e Marituba da Flona Tapajós, participaram do curso em Noções Básicas de Uso do GPS, que faz parte da estratégia do Projeto Saúde Alegria para fomentar a cadeia de produtos florestais não madeireiros, e que acontece em parceria com a Cooperativa Munduruku Terras Indígenas Bragança e Marituba Flona Tapajós (COOPMUNDURUKU).

Durante a atividade de campo, indígenas mapeiam espécies, coordenada geográfica e tamanho das árvores. Fotos: Soliane Maria/PSA.

“Estamos em vias de assinar um termo de cooperação entre as duas instituições, tendo um plano de trabalho definido. Além das capacitações ofertadas pelo Floresta  Ativa aos indígenas, estamos contribuindo para a elaboração de um plano de coleta de sementes florestais a ser entregue ao ICMBio e a Funai. O intuito é já no ano de 2023 realizar a atividade de coleta de sementes no território Munduruku. Para isso será necessário realizar o levantamento do potencial dentro do Território e delimitar uma área para realizar inventário florestal” – esclareceu a engenheira florestal do PSA, Maria Soliane.

O inventário deve ser realizado pelos próprios indígenas, que farão mais uma capacitação para desenvolverem a atividade. Angelica Sousa da Aldeia Marituba, Terra indígena Munduruku na Flona Tapajós, falou sobre o entusiasmo em participar da formação: “As aulas de GPS que eu tive foram muito boas. Na aula prática a gente aprendeu que não é muito difícil. É só prestar bastante atenção. No outro dia fomos pra mata. Lá peguei GPS e já aprendi a calibrar a bússola. A gente identificou a copa das árvores” – conta.

Maiara da Costa da Aldeia Marituba, destacou que a formação tem sido fundamental para fortalecer o objetivo comunitário de defesa da floresta e geração de renda sustentável: “Foi muito proveitoso, novos aprendizados, novos conhecimentos. E que nós possamos ter mais vezes para valorizar a nossa cultura, o nosso conhecimento, a floresta. Nós conhecendo mais a floresta, nós podemos preservar e valorizar cada dia mais” – ressalta.

Os povos indígenas estão aprendendo a usar tecnologias digitais modernas para cumprir a missão de proteger seus territórios e a floresta. Com os aparelhos GPS, passam a  georreferenciar as áreas com potencial produtivo no território, para recolher os frutos, conservando a floresta. Marcio Castro da Aldeia Bragança, contou que a prática em campo tem sido fundamental para garantir o aprendizado: “Fomos pegar o GPS, praticamos, marcamos as árvores. Peguei a manha”. Jucilei Rocha da Aldeia Marituba reforçou que os trabalhos têm sido bem avaliados pelos participantes para a estratégia de conservação: “Eu gostei muito do treinamento. Foi mais um passo, que aprendemos mais sobre o manuseio do GPS”.

Participantes receberam certificado de formação para uso de GPS.

O objetivo da iniciativa é fortalecer a cadeia dos produtos da sociobiodiversidade dentro de Unidade de Conservação (UC), incentivando os moradores a usar os recursos da floresta de forma sustentável para adquirir renda sem precisar derrubar árvores. A manutenção das florestas em pé é fundamental para a sobrevivência dos povos da floresta.

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