Equipe técnica do Programa Economia da Floresta do Projeto Saúde e Alegria, consultores e Acosper realizaram atividades de zoneamento para identificar árvores com potencial produtivo
Uma nova etapa do trabalho de fortalecimento da cadeia do óleo de copaíba no território indígena Munduruku foi dado nesta semana, com atividades de mapeamento das árvores na Aldeia Takuara, município de Belterra, na Flona do Tapajós. A ação integra o conjunto de práticas que asseguram qualidade, rastreabilidade e valorização do extrativismo comunitário, em articulação com a Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará (ACOSPER), responsável pelo Ecocentro da Sociobioeconomia em Santarém.
A atividade dá continuidade à oficina de boas práticas realizada em junho, voltada à identificação da copaíba e manejo do óleo. “Hoje a continuidade é fazer o mapeamento. Por que esse mapeamento? No ecocentro da sociobioeconomia em Santarém nós já trabalhamos com a copaíba, é uma cadeia em andamento. Mas para conseguir maior credibilidade no mercado, a gente precisa da rastreabilidade. O mapeamento mostra onde estão os indivíduos, as matrizes, de onde está sendo coletado o óleo, garantindo a origem do produto”, explicou a engenheira florestal do PSA, Laura Lobato.

Além da rastreabilidade, a atividade incorpora ferramentas de monitoramento que fortalecem a autonomia das comunidades no manejo dos recursos. “Uma das etapas muito importantes é a utilização do GPS. A capacitação no uso desse equipamento vai servir não só para o mapeamento da copaíba, mas também para o monitoramento do território indígena aqui na Aldeia de Takuara”, destacou Laura.
Para o técnico de campo do PSA, Luiz Carlos, o levantamento das áreas e das espécies amplia o conhecimento sobre a disponibilidade do recurso. “Estamos fazendo a identificação das áreas de copaíba, identificando por espécie, porque não tem só uma. Esse mapeamento permite ter os dados para calcular a quantidade de óleo e se basear numa produção certa”, afirmou.
A ação também é avaliada como uma oportunidade de acesso a tecnologias que fortalecem a gestão territorial. “Cada vez que tem esse conhecimento de tecnologia é muito bom, importante para nós”, disse Francisco Pedro, da Aldeia Takuara. Ele ressaltou ainda a possibilidade de compartilhar as informações coletadas: “Na minha aldeia a gente pode passar as coordenadas para os outros parceiros que não vieram. É muito importante para a gente e vamos continuar fazendo esse trabalho”.
O técnico florestal Lorenaldo, da comunidade quilombola São Joaquim, em Oriximiná, consultor experiente da cadeia, reforçou que o mapeamento tem impacto direto na valorização do extrativismo comunitário. “A importância maior é o resultado para o trabalho coletivo, para a cooperativa e para as empresas. Isso fortalece a valorização do extrativismo dentro da floresta, extraindo o produto da floresta, como a copaíba”, destacou.
O mapeamento da copaíba é considerado uma ação estruturante para consolidar a cadeia produtiva do óleo e ampliar sua inserção em mercados diferenciados, garantindo transparência, qualidade e origem. Ao integrar comunidades indígenas e quilombolas no processo, a iniciativa reafirma o papel do extrativismo sustentável como estratégia de geração de renda e conservação da floresta.


















