Mulheres Empreendedoras da Floresta promovem Curso de Gestão e Governança

Vinte e duas cooperativas e associações participaram da formação que reuniu 69 jovens e mulheres no segundo módulo do curso do Programa de Educação do Cooperativismo e Associativismo da Agricultura Familiar Agroextrativista 

Tornar os empreendimentos comunitários negócios visíveis a partir de itens da floresta e com acesso a mercados nacionais, regionais e internacionais tem sido uma das metas do Projeto Mulheres Empreendedoras da Floresta. O novo encontro do módulo sobre Produção e negócios no cooperativismo solidário do Programa de Educação do Cooperativismo e Associativismo da Agricultura Familiar buscou aumentar a capacidade empreendedora das organizações de base comunitária através do planejamento, gestão, administração, comunicação e tomadas de decisão sobre seus negócios.

Com o apoio da União Europeia, Porticus e Good Energies, 69 participantes (70% mulheres e 30 % jovens), de 22 organizações, sendo cinco cooperativas, nove associações e oito instituições parceiras, aprofundaram conhecimento em temas de Gestão e Governança de Cooperativas e Associações. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, Ivete Bastos, a formação tem apontado uma nova oportunidade para produtoras rurais: “Nós ainda não estávamos preparados para esse enfrentamento. Agora despertou em nós aqui da região e é uma satisfação porque nós poderemos ter uma organização conceituada no cooperativismo e na agricultura familiar”, conta.

Alcidir Mazutti da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES), ministrou formação abordando o empoderamento e fortalecimento das pessoas e dos parceiros numa lógica participativa, “envolvendo jovens e mulheres, empoderando as lideranças para desenvolver suas atividades. A floresta em pé é fundamental para as cooperativas. Construir o desenvolvimento exige uma ação contínua através do programa que tem relação com a base social”, explicou.

O programa intitulado de Associativismo de Agricultura Familiar Agroextrativista do Baixo Tapajós, prioriza as demandas das associações e cooperativas, alinhando a capacitação às necessidades de cada participante. Darlan Neres do Coletivo Guardiões do Bem Viver, ressaltou a importância da articulação com o futuro das comunidades: “Esse segundo módulo traz pra nós juventude uma nova oportunidade que é ofertar para os jovens uma forma de empoderamento dos processos de fazer negócios sustentáveis na Amazônia, gerando renda para os jovens que estão na floresta”, comenta. Para o jovem, garantir a continuidade da Amazônia requer a valorização de quem mora na própria floresta. “A gente acredita que será um programa muito importante para dar um direcionamento muito importante pois estará dando direcionamento para aquilo que a gente sonha para o nosso território, cooperativas e associações, buscando a valorização da nossa cultura, uma nova forma de fazer uma economia sustentável onde os jovens possam ser protagonistas e possam ter inclusão nesses processos de aprendizagens e contribuir nessas organizações”.

O desejo de Irene Silva, produtora da comunidade Corpus Christi em Belterra, é ampliar e fortalecer as ações da Amabella para beneficiar as mulheres empreendedoras. Com a formação, visualizou caminhos para tornar o sonho real: “Conhecemos coisas que a gente não tinha conhecimento, foi inovador. No primeiro módulo trabalhamos muito o controle de produção e percebemos que os comunitários e associados não tinham esse hábito. Hoje com as aulas, a gente percebe que nós temos muito que aprender, nos unir, discutir a produção, focar em algo que vá trazer benefícios para todos”, ressalta.

A Presidente da Cooperativa Agroextrativista de Surucuá Erliane Brás, compartilha do anseio de ampliar as produções e conquistar novos mercados: “A gente pouco sabia sobre agroextrativismo, de finanças, cálculos. Com o exercício a gente teve a oportunidade de aprender mais para levar o conhecimento para nossa cooperativa. A gente pretende alavancar com esse curso de gestão”.

A proposta do encontro foi oportunizar que as lideranças conhecessem o processo de comercialização e distribuição de produtos agroflorestais, e principalmente os produtos que levam o saber e o fazer da cultura local. Gustavo Vanucci especialista em inteligência de negócios mostrou exemplos de iniciativas bem sucedidas e que vem despontando no mesmo segmento. “Nesse encontro a gente tem grupos de artesãos, produtores que transformam os insumos em produtos que possam ser consumidos por todos os consumidores no Brasil e no mundo. Qual é o potencial desses produtos e precisamos de escala? Onde vender, mercados institucionais, como acessar o mercado através dos canais de distribuição, preço médio, calcular o volume que a cooperativa precisa”.

O aprofundado de dois anos, busca aumentar a capacidade empreendedora das organizações de base comunitária. A coordenadora do núcleo de negócios da sociobiodiversidade de base comunitária do PSA, Olivia Beatriz ressalta que a estruturação das organizações começa com o planejamento e gestão, e já é possível visualizar mudanças nesses processos, a partir da participação das instituições: “Estamos muito felizes com a realização desse segundo encontro que faz parte do primeiro módulo. Nesse encontro eles estão tendo oportunidades de ver como produtos que são produzidos na floresta podem vir a se tornar um grande negócio acessando mercados nacionais, regionais e internacionais”.

Para dar tranquilidade, segurança e garantir a participação das mães, o Núcleo de Educomunicação se juntou à equipe do Projeto Mulheres Empreendedoras e promoveu ações com crianças de até oito anos de idade. “Enquanto as mães estão no curso, a gente desenvolve atividades lúdico/pedagógicas com as crianças de um a oito anos. A gente traz desde o sensorial, tradicionais de cantiga de roda, pique-esconde, jogo do taco. A gente aproveita esse ambiente circular para explorar a parte psicomotora da criança”, explicou a pedagoga do PSA, Adma Guimarães.

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