“Não existe uma COP na Amazônia sem a Amazônia que somos nós.” – defende liderança em ciclo de diálogos da Rede Floresta Digital

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“Não existe uma COP na Amazônia sem a Amazônia que somos nós.” A fala foi de Walter Kumaruara, educomunicador no Projeto Saúde e Alegria líder do Coletivo Jovem Tapajônico, no primeiro webinário do Ciclo de Diálogos da Rede Comunitária Floresta Digital, realizado em 30 de julho. O encontro virtual reuniu comunicadores para falar da comunicação comunitária como ferramenta de luta, memória e pertencimento.

Evento promovido pelo Projeto Floresta Digital, iniciativa da DW Akademie e do Projeto Saúde e Alegria, marcou o início de uma série de encontros online que vão abordar temas centrais para o fortalecimento da rede: mídia comunitária, redes locais e empreendedorismo socioprodutivo. A proposta é fomentar uma inclusão digital cidadã, pensada a partir dos territórios.

A roda de conversa teve a participação de três experiências de comunicação dos territórios: a Rede Wayuri de Comunicação Indígena do Amazonas, representada por José Paulo Castro; a Rede de Comunicadores Indígenas do Acre, com Ximery Apurinã; e o Coletivo Jovem Tapajônico, com Valtinho Kumaruara, do Pará.

“A gente precisa voltar a comunicar para dentro dos territórios”, defendeu Valtinho. “Nosso papel é transformar o diálogo sobre política e clima do nosso jeito. Eu não vou falar de urso polar. Eu vou falar da roça que não está produzindo, do igarapé que está secando.”

Os convidados defenderam que a comunicação comunitária não se resume a informar — ela educa, organiza, defende direitos. José Paulo, lembrou que “nem toda comunicação é igual. Cada um tem sua particularidade.” Locutor da rádio online Wayuri, ele compartilhou os desafios logísticos de comunicar em um território com mais de 20 povos diferentes e acesso difícil por via fluvial. “Se a gente parar, quem vai estar lutando pela gente?”, questionou.

Do Acre, Uhnepa Inú falou sobre os riscos e responsabilidades de quem comunica em territórios ameaçados. “A gente precisa ter coragem de expor e, às vezes, colocar a própria vida em risco. A comunicação se transformou em uma ferramenta fundamental para garantir que os direitos sejam respeitados, que as vozes sejam escutadas.” Hoje, a Rede de Comunicadores Indígenas do Acre trabalha com sete povos diferentes e segue em processo de legalização, com apoio da Comissão Pró-Índio do Acre.

Ximery Apurinã destacou o valor da coletividade: “O pessoal me acolheu com sinceridade. Um coletivo que virou família.” Com projetos de podcast, oficinas e produções audiovisuais, a rede acreana mostra que mesmo com poucos recursos, a criatividade e a vontade de comunicar fazem nascer ferramentas poderosas.

“A juventude está aprendendo a voltar para dentro dos territórios, fortalecendo sua ancestralidade, de forma política e colaborativa”, afirmou Adriane Gama, pesquisadora do Projeto Saúde e Alegria. Ela lembrou que o Floresta Digital quer fortalecer vínculos, histórias e saberes.

Os participantes também defenderam que a comunicação se constrói com escuta, coragem e afeto. Para Samsara Nukini, também da rede acreana, “nossas câmeras não são armas, mas ferramentas de resistência e memória. Quando as vozes se unem, viram rede. Viram floresta falando.”

A série de webinários da Rede Floresta Digital segue nos próximos meses, com temas voltados ao fortalecimento das redes comunitárias e à valorização das iniciativas socioprodutivas da Amazônia. Luíza Celente, da DW Akademie explica: “o objetivo é fomentar uma visibilidade conectada à cidadania, não ao consumo. A gente está formando uma rede de comunicadores dentro da própria rede Floresta Digital.”

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