Oficina da borracha reúne seringueiros da Flona Tapajós para retomada da produção

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Atividade promovida pela Acosper e Projeto Saúde e Alegria reuniu extrativistas para fortalecer a cadeia da borracha com valorização ambiental

Moradores da Floresta Nacional do Tapajós deram mais um passo na retomada da atividade extrativista da borracha durante o Encontro de Seringueiros da Flona Tapajós, realizado nos dias 5 e 6 de junho, na comunidade Maguary. Durante a oficina, seringueiros puderam conhecer o funcionamento do sistema de comercialização organizado pela Acosper, destacando a importância dos pagamentos pelos serviços socioambientais. “Além do pagamento pela borracha, há uma remuneração adicional pelos serviços socioambientais, que é um dos pontos-chave dessa cadeia”, explicou a engenheira florestal do PSA, Laura Lobato.

A retomada da produção significa também uma oportunidade de reconectar as famílias a um saber tradicional que marcou a história da região. A oficina contou com a presença de moradores que viveram o chamado “tempo da borracha”. Agora, eles se preparam para reinserir essa atividade no cotidiano com um desafio: envolver as novas gerações no trabalho. “A ideia é que eles insiram os jovens, os filhos, netos, para que passem o conhecimento deles para as gerações e trabalhem nos próprios seringais que eles já trabalharam”, destacou.

“Esse evento contou com as parcerias do Projeto Saúde e Alegria e do Fundo Casa Socioambiental. O objetivo é de que a gente possa produzir uma borracha de qualidade para poder comercializar com as empresas que utilizam essa matéria-prima para a fabricação de seus produtos, entre eles, tênis, pneus, enfim, outros produtos que são utilizados com borracha. Foi um momento muito importante e histórico, porque no final do encontro, os participantes avaliaram positivo, porque há muito tempo não se ouvia mais falar na cultura da borracha. E agora essa oportunidade aparece, segundo eles, caiu como uma luva. Então, há um interesse, porque existem seringais na floresta, que são as características que as empresas exigem para adquirir esse produto. Para nós, é um motivo de alegria, porque é mais uma atividade produtiva que gera renda aqui na nossa região” – Manoel Edivaldo, presidente da Acosper.

Um dos momentos mais importantes do encontro foi a ida aos seringais para avaliar as condições das áreas. Os locais visitados atendem aos critérios exigidos pela empresa compradora: “A ideia não é coletar próximo às casas, mas sim na floresta, onde as seringueiras estão preservadas”.

Morador da comunidade Maguary, Raimundo Pedroso acompanhou todo o processo. Aos 65 anos, ele lembrou que o seringal existe desde a década de 1930. Para ele, o momento atual representa um reencontro com a história, mas também com novas perspectivas. “Hoje a gente está buscando alternativas de novas técnicas para melhoramento da produção e o acompanhamento da floresta”, disse.

A expectativa agora é organizar a produção e iniciar as coletas ainda nesta safra, com previsão de entrega até fevereiro do próximo ano. “Vai ser mais uma fonte de renda para essas pessoas, e é uma atividade que já faz parte da história delas”, completou Laura.

Para Iranice Fonseca, da comunidade Jamaraquá, a retomada da produção marca um novo ciclo para as populações da Flona: “É de grande importância para todos ver o projeto acontecendo dentro da Floresta Nacional do Tapajós”.

Fotos: Laura Lobato/PSA.

Vídeos: Hayrton Matos/Acosper.

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