Projeto de telemedicina realiza primeiras consultas em comunidades polos do Tapajós/Arapiuns

Atendimentos em fase de testes iniciaram nesta quarta-feira (07/07), em São Pedro na região do Rio Arapiuns e Parauá no Rio Tapajós;

Moradores de comunidades ribeirinhas distantes da área urbana de Santarém, no Oeste do Pará, estão comemorando o início do projeto que aproxima médicos das comunidades por meio da internet. Um projeto de telemedicina executado por meio da parceria entre o Saúde e Alegria, Projeto Fazer o Bem Faz Bem, ClubSaúde e Semsa de Santarém está testando atendimentos por videoconferência para moradores da comunidades Reserva Extrativista Tapajós/Arapiuns. A iniciativa tem por objetivo levar acesso à saúde para a população das comunidades ribeirinhas, com capacitação dos profissionais e estruturação com equipamentos tecnológicos, diminuindo o tempo de espera de consultas de diversas especialidades de saúde.

“Eu tive a grande honra de atender o primeiro paciente por telemedicina na comunidade do Arapiuns e isso é muito importante para essas comunidades. É uma primeira experiência de telemedicina que a gente pretende ampliar e disponibilizar pra todas as UBS comunidade na Amazônia. É mais um passo que estamos dando, que vai ajudar muitas pessoas que estão precisando de atendimento médico, também de especialidades em áreas isoladas que merecem essa atenção” – contou o médico fundador do PSA, Eugênio Scannavino.

Primeiros atendimentos de telemedicina. Fotos: Walter Oliveira/PSA.

A experiência piloto será realizada por três meses em dois polos: São Pedro e Parauá atendendo moradores das comunidades vizinhas: São Pedro, Braço Grande, Piquiá, Curi, Engenio, Câmara, Pascoal, São José II, Novo Horizonte, Cutilé, São João, Atrocal, Mucureru, São Francisco, Bom Futuro, São José I, Nova Vista, Parauá, Brinco das moças, Jwipixuna, Limãotuba, Pajurá, Enseada do Amorim, São Caetano, Boa Sorte, Paricatuba, Maratuba, Suruacá e Vila de Amorim.

Nesta quarta-feira (07/07), Agentes Comunitários de Saúde e moradores de São Pedro e Parauá participaram de oficinas para capacitação e primeiras consultas. “Eles puderam entender mais sobre a telemedicina, algumas pessoas já fizeram os testes com consultas e isso pra mim como morador da comunidade, trabalhando no projeto Saúde e Alegria, trazer esse atendimento com o Club Saúde é muito gratificante porque as comunidades necessitam desse atendimento uma vez que muitas pessoas não conseguem acesso a consultas” – ressaltou o colaborador do PSA, Walter Oliveira.

Agentes Comunitários de Saúde em treinamento na Unidade de Parauá.

Para viabilizar os atendimentos, sistemas de internet satelital foram instalados nas UBS, que também receberam instalação de energia solar com apoio da Charles Mott Foundation para operar os recursos. “A gente está bem empolgado de começar esse projeto em parceria com o Saúde e Alegria e a JBS. Essa parceria tem como objetivo levar o acesso à população ribeirinha com capacitação de saúde das comunidades, garantindo uma infraestrutura tecnológica para que os atendimentos ocorram. Através do sistema de vídeo a gente evita o deslocamento constante desses moradores até Santarém e consegue garantir uma resolutividade dos casos” – esclareceu o gerente operacional do Projeto de Telemedicina para as comunidades da ClubSaúde, Rafael Almeida.

Segundo Margareth Seade de São Pedro, a telemedicina supre uma carência antiga de todas as comunidades: ter acesso à consultas médicas de forma humanizada e com agendamento rápido: “Tive a honra de fazer a primeira consulta online deste projeto que chegou à nossa comunidade. Eu tô muito feliz porque a facilidade vem chegando pra gente. É muito difícil a gente conseguir consulta em Santarém. Até que você chegue em Santarém pra marcar um médico de um mês pro outro, a gente vai só piorando. Isso pra nós vai ajudar demais. O médico pergunta tudo o que a gente sente, orienta como fazer” – disse.

Agentes Comunitários de Saúde em treinamento na Unidade de São Pedro.

Durante as consultas, os médicos orientam os pacientes e avaliam se o deslocamento para a cidade é necessário. O projeto espera garantir que os ribeirinhos fiquem em isolamento em suas comunidades no período da pandemia. Serão atendidos pacientes com: sintomas de Covid-19, síndromes gripais, acidentes ofídicos, gestação de risco e pré-Natais, doentes crônicos, hipertensos, dentre outros.

Fundamentais para o projeto, Agentes Comunitários de Saúde farão a ponte entre os moradores e médicos. O agendamento das consultas será feito pelos ACS e o usuário comparecerá no horário marcado para o teleatendimento na UBS. “Um momento bem importante que estamos recebendo os primeiros passos da telemedicina na unidade onde já foi feita a primeira consulta registrada hoje. É uma coisa que chega pra facilitar mais o nosso trabalho porque a gente vê a necessidade da população hoje pra atendimento com especialistas. Isso vai melhorar a saúde da população. A gente agradece a iniciativa do PSA que teve essa coragem de olhar a necessidade da população e trazer para a nossa comunidade” – ressaltou o ACS de São Pedro, Davide Sarmento.

“A gente está bastante esperançoso e ansioso. É mais uma conquista pra nossa Unidade de São Pedro. Estamos aprendendo como trabalhar com os sistemas para preencher o prontuário e os requisitos que necessitam para uma boa consulta” – Almir Cleiton, ACS de São Pedro.

“Estamos na expectativa porque há uma demanda muito grande de atendimento, principalmente de especialidades. Essa é uma carência na comunidade, muitas pessoas chegam até nós, solicitam atendimento que a gente não tinha como dispor. Hoje a gente vê isso chegando pra ser uma realidade” – Natal Caetano, ACS de Parauá.

“Nós estamos muito alegres com esse programa. Era um sonho, e agora está se tornando realidade. Vai ser muito valioso para todas as comunidades e aldeias que ficam no entorno de Parauá” – Elcineide de Melo Costa, ACS de Parauá.

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