Rede de proteção atua no enfrentamento à violência contra a mulher nas comunidades da Amazônia

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Mulheres ribeirinhas recebem orientação sobre como identificar e denunciar diferentes formas de violência, com apoio do Projeto Saúde e Alegria, Ministério Público e rádios comunitárias

A defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero são desafios ainda maiores nas regiões ribeirinhas da Amazônia, onde o acesso aos serviços públicos é limitado e a informação muitas vezes não chega com frequência necessária. Por isso, o Ministério Público do Estado do Pará e o Projeto Saúde e Alegria (PSA) estão articulando a divulgação do tema em rádios comunitárias da região.

“Uma das nossas missões é justamente criar pontes entre os serviços públicos e os territórios mais distantes. Por isso, além das ações presenciais nas comunidades do Tapajós e do Arapiuns, nós produzimos áudios curtos, explicando em linguagem simples o que é a violência física, patrimonial, sexual e psicológica, para que as mulheres possam reconhecer os sinais e saber como e onde buscar ajuda”, explica a assistente social Efraina Barbosa, do PSA.

Esses conteúdos foram levados às rádios comunitárias, a bordo das expedições de saúde, cidadania e cultura, promovidas pelo PSA. A ideia é garantir que, mesmo em locais sem internet, a informação chegue de forma acessível às mulheres e suas famílias. Os áudios também reforçam a divulgação da Delegacia Virtual da Mulher (DEAM Virtual), um canal online da Polícia Civil do Pará que permite registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas, inclusive de forma sigilosa.

A promotora de justiça Silvana Nascimento, do Ministério Público Estadual, reforça a importância de que toda mulher — ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência — saiba que pode e deve procurar ajuda: “Todos nós temos o dever de cuidado. A partir do momento em que qualquer cidadão toma conhecimento de um fato que constitui violência doméstica, ele tem que adotar providências. E isso vale inclusive para presidentes de comunidades e lideranças locais.”

O marco das divulgações aconteceu em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, que foi ao mesmo tempo uma celebração e um chamado à ação. “Celebramos conquistas como o direito ao voto, ao estudo, à escolha sobre a própria vida. Mas ainda precisamos avançar muito. A violência política, por exemplo, é uma realidade. As mulheres ainda são silenciadas em espaços de poder e muitas vezes sofrem agressões que não são reconhecidas como crimes, mas que precisam ser denunciadas.”

Rádios comunitárias fortalecem divulgação de temas necessários. Foto: Pedro Alcântara.

Silvana também chama atenção para os diferentes tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha — física, moral, psicológica, sexual e patrimonial — e alerta que mesmo situações que não sejam tipificadas como crime podem gerar medidas protetivas. “O importante é registrar. A denúncia pode ser feita pelo 180, pela DEAM virtual ou pelo WhatsApp da promotoria. Também é possível buscar ajuda nos postos da Polícia Militar das comunidades.”

O número da promotoria é o (93) 3512-0459, e está disponível para orientar vítimas ou pessoas que queiram fazer denúncias. “E agora, com a nova legislação, até mesmo ameaças podem ser investigadas independentemente da vontade da vítima. A proteção passou a ser uma prioridade do Estado, e o anonimato de quem denuncia é garantido”, complementa a promotora.

O PSA integra a rede de proteção à mulher no município e atua também internamente com sua equipe. “Temos uma comissão de gênero dentro da organização, que promove ações de prevenção à violência institucional e ao assédio. E nosso canal de ouvidoria está aberto para denúncias de assédio moral, sexual e outras violações de direitos, inclusive pelo site do Saúde e Alegria”, afirma Efraina Barbosa.

A articulação entre instituições, comunidades e meios de comunicação populares mostra que é possível transformar realidades com informação, escuta e acolhimento. “Combater a violência contra a mulher é um compromisso coletivo, uma responsabilidade social que todos devemos assumir — especialmente nos territórios onde a mulher ainda vive isolada e vulnerável”, conclui a assistente social.

Canais de denúncia e apoio:

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