Jovens receberam orientações sobre mediação comunitária, segurança digital, combate à desinformação e acesso a serviços de saúde e educação
Com objetivo de garantir internet de qualidade com uso seguro, responsabilidade e em benefício coletivo, representantes de aldeias e comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns participaram da oficina Sabedoria Digital, promovida pelo Projeto Saúde e Alegria em parceria com a Rede Conexão Povos da Floresta e apoio da Fundação Konrad Adenauer Brasil. A formação foi sediada no Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA).
Durante três dias de formação, os participantes conheceram ferramentas e orientações para atuar como multiplicadores em seus territórios. A programação abordou temas como segurança na internet, prevenção a golpes virtuais, identificação de notícias falsas, mediação do acesso comunitário, utilização dos equipamentos da rede e acesso a serviços digitais nas áreas de saúde e educação.

Fábio Pena, coordenador de Educomunicação do Projeto Saúde e Alegria, destacou que a chegada da internet precisa ser acompanhada de processos educativos que ajudem as comunidades a utilizar a rede com autonomia. “Levar o sinal de internet banda larga é um grande passo, mas ensinar a navegar com segurança é o verdadeiro desafio. Precisamos refletir sobre como usar a rede para o bem comum, formar bons mediadores locais e combater a desinformação e os golpes virtuais”, destacou.
A oficina também apresentou as responsabilidades dos facilitadores comunitários, os instrumentos de acompanhamento das atividades e as plataformas disponíveis por meio da Rede Conexão Povos da Floresta. Ao retornarem aos territórios, os participantes terão a missão de compartilhar o aprendizado, orientar os moradores e apoiar o acesso aos serviços disponibilizados pela rede. “Existe o desafio de fazer a internet chegar, mas também o de compreender como utilizá-la da melhor forma. Isso passa pela boa mediação dentro das comunidades e pela capacidade de lidar com a desinformação e as notícias falsas”, ressaltou Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria.
Conhecimento compartilhado nos territórios
Para muitos participantes, a formação representou a oportunidade de compreender melhor o funcionamento da rede e as possibilidades abertas pela conectividade. Adriana Godinho Biriba, da comunidade Yanã, no rio Arapiuns, contou que chegou à oficina com receio, mas encontrou conteúdos que poderão fortalecer a atuação em sua comunidade.
“Eu não sabia que o projeto tinha facilitador, caderno de controle e aplicativos que podemos acessar como comunitários. Esse curso abriu um leque muito grande de conhecimentos. Agora temos a missão de reunir a comunidade e compartilhar o que aprendemos sobre como utilizar a internet da Rede Conexão Povos da Floresta”, relatou.

Entre os serviços apresentados está a Conexão Saúde, iniciativa que utiliza a internet para aproximar moradores de comunidades remotas de atendimentos e orientações na área da saúde. Adriana explicou que uma das tarefas será auxiliar os moradores no cadastramento e no uso da plataforma. “Vamos reunir a comunidade, cadastrar os usuários no sistema de telemedicina e explicar como o serviço funciona. As pessoas poderão tirar dúvidas conosco, porque viemos aprender para depois ensinar como utilizar a Conexão Saúde”, acrescentou.

Marcos Andrei, da comunidade Trairão, localizada à margem direita do rio Tapajós, também ressaltou a importância de retornar ao território preparado para responder às dúvidas dos moradores. “Cheguei com muitas dúvidas e hoje me sinto feliz por estar participando. Aprendi com os professores e com os outros participantes. Quando o meu povo perguntar sobre o projeto, vou saber explicar o que aprendi. Vim buscar conhecimento para levar de volta à nossa comunidade”, afirmou.
Saúde e educação
Moradora da comunidade Prainha, no município de Belterra, Marilza Amorim destacou as possibilidades da Conexão Saúde para comunidades que enfrentam dificuldades no acesso a atendimentos, especialmente em situações emergenciais.“Foi um ponto muito importante porque eu ainda não conhecia a Conexão Saúde. Na comunidade temos uma Unidade Básica de Saúde, mas podem acontecer situações em que precisamos de outro apoio. Agora sabemos que existe essa rede e podemos levar essa informação para os moradores”, explicou.
Além dos serviços de saúde, a formação apresentou cursos e conteúdos educacionais que podem ser acessados por meio da internet, incluindo oportunidades de capacitação com certificação. Os participantes também realizaram atividades práticas para conhecer os equipamentos, os sistemas de filtragem de conteúdo e as formas de acompanhamento do uso da rede.

Adriana, da aldeia Taquara, afirmou que a metodologia utilizada durante a oficina tornou os conteúdos mais acessíveis e ajudou os participantes a se prepararem para a multiplicação das informações. “Aprendemos sobre a importância da Rede Conexão Povos da Floresta, sobre como utilizar a tecnologia de maneira saudável e sobre a Conexão Saúde. Os professores explicaram de forma simples e dinâmica, tanto na teoria quanto na prática. Isso nos deixa mais seguros para levar as informações ao território”, disse.
Adrielle, também da aldeia Taquara, e Luciana, da aldeia Bragança, destacaram que o aprendizado permitirá orientar os moradores sobre o uso seguro da internet e o acesso a conteúdos que contribuam com a vida comunitária. “Aprendemos muitas coisas que não sabíamos, inclusive como funcionam os filtros de segurança. Queremos explicar tudo de forma simples e dinâmica para os nossos parentes, mostrando como usar a internet com mais segurança e acessar conteúdos de saúde e educação”, relataram.
Fotos: Sophia Paiva.















