Mão clicando no coração branco

Apoio à Gestão Comunitária e Territorial

Governança comunitária para autonomia, direitos e proteção territorial
Divisor de seção
elemento folhas verde amarela grande

Como os territórios se fortalecem

Território são lugares de vida, memória, trabalho, espiritualidade, pertencimento, produção de alimento, cuidado com as águas, relações comunitárias e defesa do futuro. Por isso, apoiar a gestão comunitária e territorial significa reconhecer que povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares não são beneficiários passivos de projetos: são sujeitos coletivos, com organizações, saberes, formas próprias de decisão e direito de conduzir seus caminhos.

O Oeste do Pará vive sob pressões históricas e atuais: conflitos fundiários, grilagem, garimpo, desmatamento, grandes obras de infraestrutura, avanço da monocultura, mudanças climáticas, contaminação dos rios e desigualdade de acesso a políticas públicas. Esses processos não afetam apenas a floresta como paisagem; atingem a segurança alimentar, a saúde, a cultura, a permanência das juventudes e a capacidade das comunidades de decidir sobre seus territórios.

Nesse contexto, o PSA atua como parceiro, apoiador e assessor técnico de organizações comunitárias e territoriais. A área fortalece lideranças, associações, federações, conselhos e movimentos sociais; apoia instrumentos de ordenamento fundiário e ambiental; contribui para planos de gestão, mapeamentos participativos, monitoramento territorial, estratégias de proteção e desenho de fundos comunitários. O objetivo é ampliar a autonomia de organizações locais, sua capacidade de gestão e de incidência junto ao poder público e a parceiros.

Como programa transversal, essa área costura as diferentes frentes do PSA nos territórios, garantindo que as ações estejam ancoradas em organizações comunitárias fortalecidas, decisões participativas e instrumentos coletivos de governança. Em 2025, apoiou 7 organizações de base comunitária, realizou 9 ações de formação e proteção territorial e iniciou 1  Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), reafirmando que a proteção da floresta depende também da autonomia política dos povos que vivem nela.

Ordenamento fundiário e ambiental

O ordenamento fundiário e ambiental é uma condição para que os povos e comunidades possam permanecer em seus territórios com segurança, direitos reconhecidos e capacidade de planejar o futuro. Essa linha apoia processos de regularização, planejamento territorial, planos de gestão, protocolos comunitários, consulta prévia e instrumentos coletivos de governança, sempre a partir das formas próprias de organização dos territórios. Em regiões pressionadas por grilagem, garimpo, desmatamento, grandes obras, monoculturas e conflitos fundiários, o PSA atua como parceiro e assessor técnico, contribuindo para que comunidades, organizações e movimentos fortaleçam suas estratégias de defesa, uso sustentável e gestão de seus territórios.

Coletivo Munduruku Poy
Coletores Munduruku transportam a castanha retirada dos castanhais do Alto Tapajós até os pontos de apoio da comunidade. O trabalho exige longos deslocamentos pela floresta e, em safras fracas, evidencia como as mudanças climáticas já afetam a renda e a segurança alimentar das aldeias.
Coletivo Munduruku Poy

Criado e conduzido pelo próprio povo Munduruku, o Coletivo Poy reúne produtores e produtoras de aldeias dos rios Cururu, Teles Pires e Tapajós para organizar cadeias da sociobiodiversidade como castanha, copaíba, cumaru e mel. Com apoio técnico da área Economia da Floresta do Projeto Saúde e Alegria, mais de 60 indígenas participam diretamente de ações de formação, planejamento das safras, gestão e comercialização. A produção de castanha chegou a 32 toneladas em 2023, caiu para 3,6 toneladas em 2024, durante a seca severa, e alcançou 15 toneladas em 2025, evidenciando como as mudanças climáticas já afetam a renda e a segurança alimentar no território. O coletivo também passou a administrar diretamente recursos para o capital de giro da castanha e da copaíba, ampliando sua autonomia econômica e organizativa. Ao gerar renda com a floresta em pé, o Poy fortalece as aldeias e constrói alternativas ao garimpo ilegal e à contaminação dos rios por mercúrio.

Protagonismo e formação de lideranças

O fortalecimento dos territórios começa pelas pessoas que sustentam a vida comunitária no cotidiano: lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, agricultoras familiares, jovens, mulheres, agentes comunitários e representantes de organizações locais. Essa linha apoia processos de formação política, técnica e comunitária para ampliar a participação social, a autonomia das decisões e a presença dos territórios nos espaços de governança. Com atenção a gênero, geração e identidade, o PSA fortalece encontros entre lideranças experientes e novas gerações, valorizando a memória das lutas, a defesa de direitos e a capacidade das comunidades de construir seus próprios caminhos.

Mulheres liderando transformações

Em diferentes programas do PSA, mulheres dos territórios assumem novas posições de atuação: empreendem na sociobioeconomia, comunicam suas realidades, cuidam umas das outras, instalam energia solar e enfrentam violências. O que conecta essas experiências é a ampliação da autonomia das mulheres e sua presença em decisões que fortalecem comunidades, organizações e redes de proteção.

Fortalecimento das organizações e movimentos

A autonomia dos territórios depende de organizações comunitárias fortes, reconhecidas e capazes de representar decisões coletivas. Essa linha apoia associações, federações, conselhos, sindicatos, movimentos sociais e organizações do território em processos de planejamento, gestão, regularização, articulação política e diálogo com políticas públicas. O PSA atua como parceiro e assessor técnico, contribuindo para que essas organizações ampliem sua capacidade de incidência, fortaleçam sua governança interna e sustentem projetos construídos a partir das prioridades das próprias comunidades.

Em 2025, o PSA apoiou 7 organizações comunitárias e territoriais, incluindo representações indígenas, ribeirinhas, agroextrativistas e sindicais do Oeste do Pará. O trabalho envolve assessoria técnica, apoio à gestão, formação, articulação com políticas públicas e fortalecimento de espaços coletivos de decisão.

Monitoramento e Proteção Territorial

Iniciativas de monitoramento socioambiental, mapeamento participativo, vigilância comunitária, brigadas, gestão integrada do fogo, comunicação segura e registro de impactos territoriais. Combinando saberes locais, formação técnica e tecnologias acessíveis, o PSA contribui para que comunidades e organizações fortaleçam suas próprias estratégias de proteção, produzam informações confiáveis e ampliem sua capacidade de incidência diante de conflitos, crimes ambientais e mudanças climáticas.

Prevenção e combate a incêndios florestais

O PSA apoiou a entrega de equipamentos para brigadas e instituições parceiras na Resex Tapajós-Arapiuns e na Flona do Tapajós, fortalecendo a prevenção e a resposta comunitária ao fogo em territórios de floresta. A ação integra estratégias de monitoramento, proteção territorial e gestão integrada do fogo, com apoio a organizações locais, ICMBio, brigadistas e comunidades que atuam na linha de frente da defesa da floresta.

EPIs fogo para brigada
Projeto Saúde e Alegria doou itens auxiliares das brigadas para Unidades de Conservação no Tapajós.

Fundos comunitários e territoriais

A autonomia dos territórios também depende de mecanismos próprios para gerir recursos, definir prioridades e sustentar ações coletivas no médio e longo prazo. Essa linha apoia o desenho de fundos comunitários e territoriais construídos com organizações e movimentos do Baixo Tapajós e do Médio/Alto Tapajós, fortalecendo critérios de governança, participação, transparência e gestão direta. A proposta é criar condições para que os próprios territórios possam financiar iniciativas de proteção territorial, adaptação climática, sociobioeconomia, formação, infraestrutura comunitária e fortalecimento institucional, sem depender apenas de projetos pontuais ou ciclos curtos de financiamento.

Diário de Bordo

Apoio à gestão comunitária e proteção territorial em movimento nos territórios

Doe agora