Diagnóstico reforça importância das UBS Fluviais na Amazônia

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Levantamento coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria em parceria com a Fiocruz, IEPS, UFPA, apoiado pelo Ministério da Saúde e financiado pela Vale foi entregue oficialmente e avalia condições de 52 UBSF

A situação de cinquenta e duas Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) foi analisada por meio de um levantamento que identificou avanços, desafios e necessidade de fortalecimento da política pública voltada à saúde das populações ribeirinhas, indígenas e tradicionais. O estudo avaliou as condições de funcionamento, infraestrutura, gestão e atendimento das embarcações que levam assistência em saúde a comunidades de difícil acesso.

A primeira etapa do Diagnóstico Situacional das UBSF contemplou 51 municípios de cinco estados da Amazônia Legal: Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Roraima, envolvendo visitas de campo, entrevistas e análises técnicas realizadas entre março e maio de 2025. Ao todo, foram avaliadas 52 UBS Fluviais e realizadas 227 entrevistas com gestores, profissionais de saúde, agentes comunitários, aquaviários e usuários dos serviços.

Os dados mostram que as UBSF são uma das principais estratégias para garantir o acesso à Atenção Primária à Saúde em regiões marcadas por grandes distâncias, isolamento geográfico e limitações de infraestrutura. Atualmente, das 96 UBS Fluviais construídas na Amazônia, 71,8% estão credenciadas e cofinanciadas pelo Ministério da Saúde.

O levantamento destaca a relevância das UBSF para a população amazônica. Usuários relataram satisfação com os atendimentos e reconheceram a importância da presença periódica das equipes nas comunidades. O estudo reforça que, em muitos territórios, a unidade fluvial é o principal e, em alguns casos, o único acesso regular a serviços de saúde.

Diagnóstico identificou desafios relacionados à manutenção das embarcações, logística e acesso aos territórios durante períodos de seca.

“Finalizamos essa pesquisa com muitos dados riquíssimos e tivemos uma visão muito clara de como é que está a situação, muito detalhada e todo esse trabalho esse diagnóstico foi entregue para o Ministério da Saúde para que eles possam, a partir desses dados, qualificar a política, melhorar. Nós fizemos vários tipos de sugestão” – Eugênio Scannavino Neto, médico, coordenador e fundador do Projeto Saúde e Alegria.

O diagnóstico aponta ainda desafios operacionais relacionadas à manutenção, conservação estrutural, logística e financiamento e dificuldades relacionadas às condições de acesso aos territórios, especialmente durante períodos de seca severa, que dificultam a navegação e comprometem o cronograma das equipes de saúde.

Embarcações levam atendimentos médicos, odontológicos e ações de promoção da saúde a comunidades da Amazônia.

A experiência acumulada pelas UBSF tem origem em iniciativas pioneiras desenvolvidas no Oeste do Pará, como o barco-hospital Abaré I, implantado pelo Projeto Saúde e Alegria em 2006 para atender comunidades das bacias dos rios Tapajós e Arapiuns. O modelo inspirou a formulação de políticas públicas nacionais voltadas à saúde das populações ribeirinhas da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense.

O relatório também apresenta recomendações estratégicas para revitalização da política das UBS Fluviais, incluindo investimentos em manutenção naval, atualização das embarcações, melhoria das condições de trabalho das equipes, ampliação da conectividade e fortalecimento do financiamento público. A proposta é subsidiar ações articuladas entre União, estados, municípios e parceiros institucionais para garantir o pleno funcionamento das unidades e ampliar o alcance do Sistema Único de Saúde (SUS) nos territórios de águas, florestas e campos da Amazônia.

Levantamento também analisou condições de trabalho das equipes e estrutura disponível para atendimento nas UBSF.

Das 96 UBSF construídas, 71,8% estão credenciadas e cofinanciadas mensalmente pelo Ministério da Saúde (competência de outubro/2025), segundo dados públicos do e-Gestor. A maioria das expedições realizadas pelas UBSF que estão em funcionamento, têm duração média entre 15 e 20 dias, o que representa um período de permanência prolongado em itinerância. A maioria dos profissionais de saúde (25%) relataram realizar expedições de 20 dias, seguida de 21,4% das equipes que realizam expedições de 15 dias, enquanto 14,3% permanecem 12 dias em média. Algumas viagens com média variada entre 5 a 16 dias representam 35,7%. Já as viagens mais longas (acima de 24 dias) são menos frequentes (3,6%).

De acordo com os gestores, o planejamento das expedições das UBSF, conta com a participação de diversos atores: 100% dos municípios têm os profissionais da eSF que atua na UBSF envolvidos; 92,3% incluem os gestores municipais; 65,4% têm a participação dos ACS; e em 34,6% dos casos, também participam os ACE. Em geral, o gestor da APS (34,6%) ou o secretário de saúde (23,1%) são os responsáveis pela coordenação desse processo.

A segunda etapa contemplará os demais municípios, possibilitando a avaliação de 100% das UBS Fluviais, realizada pela Fiocruz. A realização do diagnostico

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