Startup de codornas inicia entregas após incubação do Beiradão de Oportunidades

Núcleo de Agroecologia de Prainha (NAP) foi um dos seis empreendimentos selecionados em 2019 para receber apoio financeiro e assessoria para dar continuidade aos negócios;

Apesar dos desafios frente a pandemia covid-19, empreendedores tem buscado alinhar estratégias para alcançar clientes e manter a renda neste período. Jovens participantes do projeto de empreendedorismo ‘Beiradão de Oportunidades’ do Saúde e Alegria tem se esforçado para aplicar o conhecimento aprendido na formação e impulsionar os negócios de maneira segura.

Um dos empreendimentos selecionados na formação em 2019 tem provado que a força de vontade é uma das principais características de um empreendedor. O Núcleo de Agroecologia de Prainha esta semana iniciou uma nova etapa do negócio: a entrega das codornas abatidas e temperadas. Sobre isso, Jeferson Ferreira morador da comunidade Prainha 2 na Floresta Nacional do Tapajós em Belterra ressaltou que os aprendizados da formação contribuíram para o projeto: “Só agradecer porque valeu a pena cada momento que a gente passou junto, o que foi debatido. Em nível de pandemia não foi fácil pra gente, mas a gente não para, se reinventa, e tem muita coisa nova por vir”.

O NAP foi pensado coletivamente, planejado e orientado. Segundo o engenheiro florestal do programa Floresta Ativa do PSA, Steve Mcqueen Fernando, a criação de codornas é uma atividade rentável, com necessidade de pouco espaço e de rápido retorno, uma vez que a partir da sexta semana as aves estão prontas para o abate e em 45 dias iniciam a produção de ovos que dura até a 40ª semana. O produto de interesse no mercado pode ser comercializado na própria comunidade e na área urbana para bares, restaurantes e consumidor final.

Codorna abatida e temperada entregue pelo NAP. Foto: Giselle Alves.

“A gente apoia essas iniciativas há bastante tempo para prática do desenvolvimento agroecológico. O Saúde e Alegria cada vez mais está difundindo essas experiências de modo que eles possam desenvolver o seu negócio que seja viável economicamente e sustentavelmente. A gente espera que bons produtos venham dos povos da floresta” – disse Steve Mcqueen.

A professora da Ufopa e mentora de empreendedorismo de negócios sociais no Beiradão, Giselle Alves foi uma das primeiras a experimentar o produto. Contou que desde a formação “o NAP sempre se destacou pela agilidade e demonstrou muito interesse em aprender. Os jovens descobriram uma professora que tinha um projeto de codornas, foram ao laboratório, participaram de pesquisas, encontraram contato de fornecedores […]”. Ressaltou ainda que na terceira fase, foram realizadas reuniões mais específicas para cada equipe para desenvolver estratégia de como aplicar o recurso de 2 mil reais na prática e que o grupo foi um exemplo de perseverança.

Formação do Beiradão de Oportunidades em 2019. Foto: Samela Bonfim.

Da 11ª turma do curso, surgiram seis projetos de empreendimentos nas regiões de origem, onde se destacaram negócios inovadores nas áreas da meliponicultura, agroecologia, cultura e turismo. Foram selecionados além do NAP, as startups: Amazon Mel, São Pedro Festcultura, Natumel, Jasmim Floricultura, Olá Jaguar – Turismo, Cultura e Comunidade. Para o gestor do programa de empreendedorismo do PSA, Paulo Lima, a notícia alegra e mostra o enorme potencial da juventude da comunidade: “É um processo de formação de jovens empreendedores que engloba conceitos de negócios sociais e tecnologias, auxiliando os jovens na geração de ideias inovadoras que surgem para solucionar problemas que estão inseridos em algum contexto social”.

Beiradão de Oportunidades

É um processo de formação de jovens empreendedores que engloba conceitos de negócios sociais e tecnologias, auxiliando os jovens na geração de ideias inovadoras que surgem para solucionar problemas que estão inseridos em algum contexto social.

O curso faz parte de uma estratégia maior do Saúde e Alegria, que visa contribuir para uma melhoria das condições de vida e para um desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens de comunidades da Amazônia. “Isso inclui além de estratégias de mobilização social, a criação de oportunidades de trabalho e renda para que os jovens das comunidades possam ter a oportunidade de fazer escolhas, sair ou ficar da comunidade, mas com clareza para construir seus projetos de vida plenamente”, conclui Fábio Pena, da coordenação de educação do PSA.

NAP em testagem da estufa de ovos de codorna. Arquivo pessoal.

Para quem quiser entrar em contato com o empreendedor Jeferson Ferreira: 99153-0735

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